Liberdade: oportunidades e processos de escolha

Por Mayra Cotta

O 1º Curso de Formação Política, que começou no domingo passado e ainda terá mais sete encontros – sempre aos domingos, às 15h, na FA/UnB – traz ao debate diversos autores importantes para pensarmos o desenvolvimento do Brasil. Entre eles, está Amartya Sen, que lançou recentemente o livro “The Idea of Justice”. Nele, o economista se propoe a responder à seguinte pergunta: é a Justiça um ideal, sempre além do nosso alcance, ou pode ser algo que de fato guie nossas decisões práticas e melhore nossas vidas?

No caminho para chegar a uma resposta, o autor retoma o tema que mais associa ao Desenvolvimento – a Liberdade. Sen, que sempre critica as perspectivas sobre desenvolvimento atreladas ao mero crescimento econômico , retoma a idéia de que opulência econômica e liberdade substantiva, apesar de não estarem desconectadas, podem frenquentemente divergir. Isso porque, faz realmente diferença olharmos apenas para os meios de vida ao invés de olharmos diretamente para as vidas que as pessoas conseguem ter.

Nesse sentido, Sen analisa a importânica da liberdade sob duas perspectivas: as oportunidades e os processos de escolha. Primeiramente, diz o autor, mais liberdade nos dá mais oportunidade para buscarmos nossos objetivos. Esse aspecto da liberdade se preocupa com a nossa possibilidade de alcançar aquilo que valorizamos. Em segundo lugar, é possível atribuir importância ao processo de escolha em si, garantindo que não sejamos forçados a uma situação por imposição de terceiros.

O autor, então, propõe um exemplo para esclarecer seu ponto. Se Kim decide passar um domingo em casa em vez de sair e ele consegue ficar em casa, tem-se a ‘situação A’. Se, ao contrário, homens armados entram na casa de Kim e o retiram à força, tem-se a ‘situação B’. Na ‘situação C’, então, esses mesmos homens armados ordenam que Kim fique em casa.

É evidente que na situação B a liberdade de Kim é claramente afetada, pois tanto o aspecto da oportunidade quanto do processo são violados. Mas e quanto à situação C? Certamente, o aspecto do processo da liberdade de Kim é afetado, pois a decisão passa a não ser mais sua – ele não poderia ter feito mais nada sem ser punido.

E já que Kim acaba fazendo a mesma coisa na situação A e na situação C, seria então possível dizer que o aspecto da oportunidade é o mesmo em ambos os casos? Afinal, é possível julgar as oportunidades que temos pelo fato de nos encontrarmos ou não na situação que escolhemos estar, independentemente do fato de haver ou não outras alternativas significativas que poderíamos ter escolhido se quisessemos?

Parecem ser, de fato, duas situações bastante distintas: a oportunidade de Kim escolher livremente ficar em casa e a oportunidade de Kim simplesmente ficar em casa.

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