Curso de Formação Política B&D – 1º encontro

Por Laila Maia Galvão

No próximo domingo, daremos início ao 1º Curso de Formação Política B&D – por uma revolução planejada. O primeiro encontro será no dia 11 de outubro, às 15h, na FA – UnB.

Mais informações: clique aqui.

Como iremos debater Gramsci e sua concepção de hegemonia (Gruppi, Luciano. Cadernos de Cárcere de Gramsci. Da Hegemonia), trago alguns trechos do livro Maquiavel, a Política e o Estado Moderno de Gramsci, para começarmos a nos envolver com a temática que permeará as discussões do curso:

Mais do que entre “diplomata” e “político”, é necessário distinguir entre cientista da política e político prático. O diplomata não pode deixar de se mover só na realidade fatual, pois a sua atividade específica não é a de criar novos equilíbrios, mas a de conservar dentro de determinados quadros jurídicos um equilíbrio existente. Assim, também o cientista deve mover-se apenas na realidade na realidade fatual como mero cientista. Mas Maquiavel não é um mero cientista; ele é um homem de participação, de paixões poderosas, um político prático, que pretende criar novas relações de força e que por isso mesmo não pode deixar de se ocupar com o “dever ser”, que não deve ser entendido em sentido moralista. Assim, a questão não deve ser colocada nestes termos, é mais complexa: trata-se de considerar se o “dever ser” é um ato arbitrário ou necessário, é vontade concreta, ou veleidade, desejo, sonho. O político em ação é um criador, um suscitador, mas não cria do nada, nem se move no vazio túrbido dos seus desejos e sonhos. Baseia-se na realidade fatual. Mas, o que é esta realidade fatual? É talvez algo de estático e imóvel, ou não é antes uma relação de forças e contínuo movimento e mudança de equilíbrio? Aplicar a vontade à criação de um novo equilíbrio de forças realmente existentes e atuantes, baseando-se numa determinada força que se considera progressista, fortalecendo-a para levá-la ao triunfo, é sempre mover-se no terreno da realidade fatual, mas para dominá-la e superá-la (ou contribuir para isso). Portanto, o “dever ser” é concreção; mais ainda, é a única interpretação realista e historicista da realidade, é história em ação e filosofia em ação, é unicamente política. (p. 42-43)

 (…) Mas é um absurdo pensar numa previsão puramente “objetiva”. Quem prevê, na realidade tem um “programa” que quer ver triunfar, e a previsão é exatamente um elemento de tal triunfo. Isso não significa que a previsão deve ser sempre arbitrária e gratuita ou puramente tendenciosa. Ao contrário, pode-se dizer que só na medida em que o aspecto objetivo da previsão está ligado a um programa, esse aspecto adquire objetividade: 1) porque só a paixão aguça o intelecto e colabora para a intuição mais clara; 2) porque sendo a realidade o resultado de uma aplicação da vontade humana à sociedade das coisas (do maquinista à máquina), prescindir de todo elemento voluntário, ou calcular apenas a intervenção de vontades outras como elemento do jogo geral mutila a própria realidade. Só quem deseja fortemente identifica os elementos necessários à realização da sua vontade. (p. 41)

Até domingo!

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Uma resposta em “Curso de Formação Política B&D – 1º encontro

  1. Contra o sombrio prospecto (manipulativo!) da hegemonia, quero lembrar aos meus bravos colegas que somos uma coletânea maluca e logorréica de sentidos em eterno devir, que mesmo quando lutam por algo, freqüente — e abençoadamente — atingimos o OPOSTO do que queríamos.

    Se duvidam, leiam — ó incréus — palavras de ditirâmbica beleza, parida na mente de um amigo dileto meu:

    http://ditirambo.ning.com/page/um-modo-de-ser-dostoievski

    O que parece é que, de fato, a psicologia e as personae dostoievskianas constituíram-se de início como subterfúgios para outras finalidades do autor. Mas era um autor que, caso mais freqüente do que se supõe, não estava tão bem assentado no controle hegemônico de suas obras. Estas, de tão perfeitas e tão reais, voltaram-se como Frankensteins contra seu próprio criador, revelando mais de si mesmo do que este haveria previsto inicialmente. Dostoievski aparenta, no mais fundo de sua alma, estar sempre lutando para convencer a si mesmo. Num jogo dialético perigoso, e com o talento de um Platão, pintara seus adversários, seus demônios, tão bem quanto podia, a fim de melhor esgotar seus recursos e argumentos; invocara-os, a fim de exorcizá-los. Contudo, no fim das contas, a assimetria entre anjos e demônios era bastante clara, e em favor destes. Diante de tais demônios, os anjos só puderam empalidecer.

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