Drummond

Por Laila Maia Galvão

Aproveito para postar dois lindos poemas de Drummond, de uma atualidade incrível.

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,

que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,

Não cantaremos o ódio porque esse não existe,

existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,

o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,

o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,

cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,

cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,

depois morreremos de medo

e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.  

Carlos Drummond de Andrade 

Inocentes do Leblon 

Os inocentes do Leblon

Não viram o navio entrar.

Trouxe bailarinas?

trouxe emigrantes?

trouxe uma grama de rádio?

Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,

mas a areia é quente, e há um óleo suave

que eles passam nas costas, e esquecem.

Carlos Drummond de Andrade 

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Uma resposta em “Drummond

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