Ocupação da Secretaria da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília

Por Gustavo Capela

Dois minutos. Esse foi o tempo necessário para que uma proposta de ocupar a secretaria da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília fosse aclamada e, logo em seguida, efetivada. A razão? O total descaso dos professores com o futuro da Universidade, a falta de diálogo para estruturar corretamente uma expansão de vagas para o curso de Direito e a forma de resolver problemas que virou costume na Universidade: tratorar assuntos importantes sem a devida discussão e planejamento.

O mais estranho disso tudo é o momento que a Universidade de Brasília vive. Reitor corrupto deposto pela mobilização de estudantes que anteviram o esquema caduco, um reitor eleito pelos estudantes[1] cuja principal pauta fora a gestão compartilhada e a voz potente dada aos estudantes em geral nos Conselhos da UnB.

Parece que a vontade do Governo Federal de ampliar vagas nas universidades públicas para ganhar mais eleitores se sobrepõe à necessidade de planejar com cuidado os avanços de um serviço público que está longe de ser adequado aos fins sociais. Pergunto-me então: quando isso vai parar? Quando vamos planejar, estruturar, para depois crescer, para depois executar um plano? No nosso país parece ser normal a tese de que devemos impor certas metas para somente depois pensarmos em como vamos torná-las aptas aos interesses sociais. Certamente é assim que tem acontecido com a implementação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras (REUNI).

Resta-nos confiar nos nossos jovens. Está na capacidade deles de se mobilizarem e se organizarem para impedir que essa tradição de falta de planejamento e execução ponderada alardeie-se como se cultura inalterável fosse. Por isso, é com uma responsabilidade imensa que o futuro da nação nos é entregue. O que faremos, afinal, com o que temos em mãos?

A manifestação dos estudantes de Direito que começou ontem(dia 9/9/2009) demonstrou que, finalmente, percebemos que não é desejável permitir medidas drásticas sem o devido diálogo. As exigências do movimento foram nesse sentido. Queremos diálogo, queremos expor nossas idéias, queremos ouvir seus planos e, mais do que nunca, queremos tomar decisões coerentes. Porque o discurso que permeia a direção da Faculdade é de que não há escolha – ou aceitamos as vagas agora, ou nunca mais as teremos. Por isso, apesar da falta de estrutura, professores e projeto pedagógico apto à expansão, vamos aceitá-las.

Não podemos ficar inertes frente a uma situação que beira o absurdo. A universidade pública não pode ser jogada no meio de planos eleitorais nem gerida sem planejamento e organização participativa. É preciso uma mobilização maciça que demonstre a indignação e consciência dos estudantes face ao problema. Somente assim diremos aos professores, aos administradores da Universidade, e ao restante da sociedade que não somos cidadãos de segunda classe, que não somos ingênuos e despreparados e que somos bem capazes de discernir um projeto bem desenvolvido e uma imposição barata.

Os atos de ocupações estudantis, a exemplo da que aconteceu na reitoria da UnB e a Secretaria da Faculdade de Direito, em nada impedem a realização de um serviço público de qualidade. São manifestações pacíficas, que não quebram nada, não impedem o livre transito dos trabalhadores e não levam ameaças ou violência a qualquer um. Ocupam salas. Discutem pautas. Exploram formas de melhorar a situação da Universidade. Curioso que eles (os estudantes) são os chamados de radicais. Certamente, radicais são eles e não os professores que tomam decisões abruptas que influem em toda  a vida institucional da Universidade sem qualquer discussão ou apreço pelo crescimento sustentável. Certamente, radicais são eles e não os professores, que se juntam para ampliar vagas em um curso que sequer consegue comportar a quantidade de alunos que ali já estão.

O argumento de respeito com um professor, numa sociedade contemporânea não se aplica a priori. Respeito é adquirido e, obviamente, perdido também. Agir contrariamente aos princípios da abertura ao diálogo – diálogo de fato, onde estão todos em pé de igualdade dispostos a convencer e ser convencido – e, ao mesmo tempo, da razoabilidade e proporcionalidade afasta respeito. Não há mais espaço de respeito institucional aos atos dos estudantes quando as decisões que lhes dizem respeito são tratadas com pouco caso.

Ocupar, invadir, entendam como quiserem, é um instrumento válido quando perdemos todas as hipóteses de nos manifestarmos contrariamente ao que é escolhido por uma maioria falsa de professores. Falsa porque apesar de estarem em minoria na Universidade, detêm o poder de escolha em grande maioria. A ocupação da secretaria da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília não fugiu a essa regra. Vislumbraram os estudantes que a atitude era necessária para demonstrar o descontentamento, pois nada indicava que suas vozes seriam devidamente ouvidas caso contrário.

É preciso mostrar indignação e mostrar que estamos atentos. Talvez seja esse o maior ganho de uma ocupação. Os detentores de verdadeiras cátedras imaginárias percebem que o poder popular pode, em algumas hipóteses, fazer balançar a ordem que sustenta o poder fantasiosamente ilimitado.


[1] Com a paridade na eleição para reitor, a escolha maciça dos estudantes pelo candidato José Geraldo deu a ele a margem necessária para a vitória

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24 respostas em “Ocupação da Secretaria da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília

  1. Gustavo Capela: Dois minutos. Esse foi o tempo necessário para que uma proposta de ocupar a secretaria da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília fosse aclamada e, logo em seguida, efetivada.

    Meu comentário: MACONHA!!!!

    Galera do bem, ocupações encerram temporariamente o diálogo, que bem ou mal ocorreu, como os próprios membros do Cadir atestaram na assembléia de ontem. Eles disseram que proferiram seu voto, que foi vencido pelo voto dos servidores e dos professores quanto a essa questão.

    Tudo muito democrático.

    Agora, tomados de arroubo juvenil, e por uma retórica inflamada e irracional, estudantes de direito que perderam uma votação cuja legitimidade não foi questionada pelos próprios querem vencer no tapetão! Como? LITERALMENTE, ora, colocando seus pés revolucionários — a história sempre se repete como farsa — nos tapetes da Secretaria deDireito, e com isso dificultando o funcionamento de uma INSTITUIÇÃO PÚBLICA!

    (Pública, e cada vez mais acossada pela dura realidade extra-torres de marfim acadêmicas: seu processo de redução à irrelevância caminha a passos largos, lado a lado com a incapacidade crônica dessa instituição em responder à altura o aumento de demanda por ensino superior ocorrido na última década).

    Acho lamentável ver estudantes sendo menos ousados do que os professores e os servidores, que bravamente votaram a favor de um aumento de vagas para estudantes que não ocorre há décadas.

    Um pouco de auto-crítica, senhores: vocês estão se comportando como “idiotas do pormenor”. Isso porque, da boca pra fora, defendem o aumento do número de vagas em nosso elitizado ensino superior. Mas logo em seguida colocam tantos obstáculos, tantas rinhazinhas, tantos pormenores hipotéticos ao processo efetivo de implementação da política de aumento do número de vagas (leia-se: des-elitização), que qualquer pessoa imparcial logo percebe: não há muita diferença entre ser a favor com dezenas de restrições, e simplesmente contra.

    Ora, é muito fácil se comportar como um idiota do pormenor quando se está relativamente contente. É muito fácil ficar fazendo picuinha contra uma política legítima, quando não se precisa dela: de barriga saciada, eu posso levantar milhares de objeções a políticas de segurança alimentar.

    Com minha vaguinha garantida na universidade pública “gratuita” (na verdade ela pesa caríssimo no bolso do contribuinte) eu posso ficar faltando aula para protestar contra ameaças hipotéticas “à qualidade” e à “logística (“salas! não teremos salas! vamos estudar sentados no corredor!”).

    O difícil mesmo é ousar, coisa que os senhores não estão sabendo fazer. Como disse um colega que faz graduação em direito, logo depois que o representante do DCE (um rapaz com excessivo amor à própria voz, aparentemente) o permitiu falar, ainda no início das manifestações da platéia:

    “A nossa faculdade de Direito nunca primou por suas instalações. O nosso grande diferencial é a qualidade dos alunos. Vamos deixar que entrem mais sessenta, então… Os problemas a gente vai administrando: o mais importante é o pontapé inicial, que foi dado!”

    Um viva ao Reuni, outro aos professores e ainda mais um aos servidores da Faculdade de Direito da UnB.

    Agora os alunos que ocuparam a Secretaria da Faculdade de Direito, desejo a esses espíritos de porco os votos mais fervorosos de que NÃO TENHAM QUALQUER SUCESSO EM SUA EMPREITADA OBSCURANTISTA E ELITISTA DE UMA CLASSE MÉDIA LEITE COM PÊRA INCAPAZ DE OLHAR PARA LONG DE SEU UMBIGO EM QUESTÕES TÃO CANDENTES QUANTO A NECESSIDADE DE AUMENTAR O NÚMERO DE VAGAS NA UNIVERSIDADE PÚBLICA.

    Esses estudantes estão num Titanic, fazendo água, e ao invés de pegarem seus baldezinhos para ajudar a pelo menos adiar a tragédia iminente, contribuem para ela, invadindo a cabine do capitão e as instalações da tripulação.

    Finalizo com palavras de um amigo dileto, proferidas em um contexto análogo:

    Sempre me irritou a apatia geral dos estudantes, a falta de
    paixão, e, por contrariar um pouco essa tendência, a invasão tem algo de positivo, apesar de eu suspeitar que o grupo participante esteja mais ou menos restrito àqueles mesmos de sempre ligados ao DCE e que vão à rodoviária pedir o passe livre, por exemplo. É só uma suspeita, mas, caso confirmada, eis que já não se trata de nada de inédito, de uma mudança significativa na atitude do corpo estudantil. Quem dera pelo menos metade dessa admirável energia gasta em militância fosse usada para estudar e elevar o nível de rendimento do corpo discente de Letras. Pois a minha opinião é que o nível de conhecimento e participação mostrado nas discussões em sala e nos trabalhos é irrisório, o que indica uma grande apatia acadêmica, mesmo por parte dos estudantes mais entusiasmados politicamente. Além disso, parece
    que, com o tempo, forma-se uma espécie de acordo tácito/adequação mútua entre departamentos, estudantes e professores, e o que resulta (há exceções, claro) é que o departamento insatisfatório não incomoda
    o professor insatisfatório que passa, às vezes até com MS/SS, o aluno insatisfatório, o qual, por sua vez, é leniente com o departamento e com o professor. E todo mundo finge que realmente está aprendendo, quando, na verdade, tudo o que possui de fato são noções que poderiam
    ter sido obtidas via Wikipedia, sem precisar gastar tanto dinheiro público.

  2. Exatamente isso.

    Como é simplesmente indefensável a mera manutenção do status quo, a pretexto de apoiar a “uma expansão sustentável” do número de vagas, busca-se estabelecer um sem número de restrições que acabam por restringir qualquer possibilidade de mudança.

    Isso é realmente muito comum. Acontece a todo momento.
    No fundo, todos sabem que o que se busca é que a FD continue sendo o Olimpo.
    Qualquer egresso da Faculdade sabe que tem estrutura suficiente para pelo menos o dobro dos alunos matriculados.

  3. Concordo com o Capela. Pelo que entendi, a proposta chegou do decanato na segunda, foi divulgada na terça para um conselho que se reuniu na quinta. Dois dias. Apenas dois dias para articular uma resposta conjunta dos estudantes. Um prazo impossível. Não há como se falar em diálogo com esse tempo para resposta. Caçar o direito de voto dos estudantes seria mais honesto.

  4. Renan, primeiramente fico feliz que você esteja preocupado com a situação na UnB, pois não esperava mesmo. Muito legal que os ex-alunos da faculdade tenham em mente ainda o tipo de serviço que a Universidade deve prestar socialmente.

    Eu discordo de você, no entanto. Pelo que conheço da Faculdade, devido às duas gestões de CADir, a estrutura nao existe não para receber o dobro de vagas. Isso está frisado inclusive pelos professores que votaram a favor da medida. Hoje um deles me falou que a votação foi feita com o intuito de pressionar a reitoria por mais estrutura, que já é necessária até para quem já está na UnB.

    Acho isso uma estratégia estúpida. Não podemos atropelar alguns estágios. É preciso crescer com responsabilidade e não jogar pessoas no meio de um campo minado. Como um membro do CA atual falou na assembléia, aumentar vagas não é fazer salsicha, não se joga um monte de coisa dentro de um saco e cozinha.

    O argumento central, no entanto, não é nem esse. O problema é a forma como foi feita. Sem discussão, sem análise das possibilidades que a Faculdade, DE FATO, possui de receber esses alunos. Os votos foram no escuro, sem consciência do que ainda virá.

  5. Discordo do Thiago e do Renan.

    Que tipo de movimento elitista é esse que apenas pede que seja mostrado o devido planejamento e o que pode ser feito para receber esses novos alunos?

    Semestre passado, aumentaram de 50 pra 60 as vagas e já há alunos sem conseguirem aulas, pois “esqueceram” de aumentar as turmas proporcionalmente.

    Eu participei dos colegiados e conselhos da faculdade por 2 anos. Tudo é feito sem planejamento e sem que se saiba sequer quantos professores existem na FD. Dobrar o número de vagas, sem que sequer se faça um levantamento do que é necessário pra atender essa demanda significa acreditar que o ensino universitário se dá por mágica ou inspiração divina.

    De que adianta dobrar as vagas imediatamente, com a total derrocada da qualidade do ensino? Não houve sequer discussão sobre isso. Não se decide fazer algo desse tipo em 3 dias.

    As próprias exigências da FD – FA só pra ela, biblioteca própria e 12 professores – não significam praticamente nada em favor dos 60 novos ingressantes. É uma proposta incoerente e, esta sim, elitista. Pretende garantir salas de professores, sem salas de aula. Pretende garantir mais espaço pra secretaria… Pretende ficar com um “prédio próprio”. Isso é elitismo e isolamento.

    Ninguém razoável pode ser contra a expansão da universidade pública, mas se o que está sendo colocado em jogo é a qualidade do ensino, pesquisa e extensão universitários, é preciso que as pessoas interessadas se manifestem e exijam que um compasso seja seguido – mais vagas e, no mínimo, um planejamento de infra-estrutura material e humana.

    abs,

  6. Márcio: Não houve sequer discussão sobre isso. Não se decide fazer algo desse tipo em 3 dias.

    Meu caro,

    Não sei onde você e o restando do Cadir (e, mais grave, do DCE) esteve nos últimos anos. Esses temas são discutidos — e até demais — desde a implementação do REUNI, pelo menos. Tenho aqui e-mails eloqüentes seus, do João Telésforo, do Rafael Prince, no grupo da Federação Nacional de Estudantes de Direito, e que não me deixam mentir.

    (Posso encaminhar aos interessados as discussões, basta mandar-me um e-mail pedindo: thiagomoliva@gmail.com ).

    Agora, que finalmente as coisas passam à ação, vejo as susctibilidades se manifestarem.

    A vida não é um eterno congresso estudantil, meus caros. Uma hora as decisões devem ser tomadas, e as medidas vão sendo construídas no processo — sem o platônico planejamento prévio que vossa nefelibatice exige.

    Muidar uma política equivocada como a da nossa elitizada universidade pública não é uma ciência exata, senão a ciência do MUDDLING THROUGH, hehehe.

    Abraços!

  7. “Pois a minha opinião é que o nível de conhecimento e participação mostrado nas discussões em sala e nos trabalhos é irrisório, o que indica uma grande apatia acadêmica, mesmo por parte dos estudantes mais entusiasmados politicamente.”

    Thiago, você acha que isso acontece na FD também?

    Acho perigoso esse tipo de discurso que detrata aqueles que participam politicamente, difundindo preconceitos contra eles. Estimula a apatia política.

    Eu não acho que apatia acadêmica e participação política estejam relacionados na FD; pelo contrário.

    Quanto ao resto do que você falou: o CADIR votou a favor, sem nenhum problema, da etapa anterior de implementação do REUNI na FD. A atual Gestão do DCE, da qual faço parte, também não se opõe ao REUNI. Defendemos, no entanto, que a expansão deve-se dar com garantia da qualidade, e definida segundos processos democráticos, que não existem sem ampla informação e abertura de espaços de debate.

    No caso da FD, o só fato de uma maioria ter decidido não é o suficiente para tornar o processo adequado. Em dois dias, não deu tempo pra debater nada do assunto, para estabelecer critérios adequados para a expansão; e não havia clareza quanto às contrapartidas oferecidas pela Reitoria.

    Você está muito enganado, ninguém está interessado em barrar a expansão ou o REUNI. Nem o CADIR, nem a atual gestão do DCE. O interesse é assegurar expansão com qualidade. Como, aliás, está ocorrendo atualmente na FD, pela implementação de algo que se aprovou em 2007, já como parte do REUNI.

    Não se está criando mil dificuldades, está se exigindo o mínimo de planejamento consciente por parte da comunidade universitária.

  8. E, parafraseando o Tancredi, d’O Leopardo de Lampedusa,

    de

    “mínimo de planejamento consciente por parte da comunidade universitária.”

    a

    “mínimo de planejamento consciente por parte da comunidade universitária.”

    as coisas vão ficando como estão.

    MEUS CAROS!

    Estou pedindo com sinceridade: ACORDEM!

    Vocês sabem que não sou a favor do modelo “gratuito” de universidade pública, mas sou favorável à “universidade pública” — quando menos por mero bairrismo: foi ela minha “Alma Mater”, a nutriz de meu espírito.

    O que vocês estão propondo, nessa invasão, nessa radicalização da resitência à mudança é nada menos do que um tiro de misericórdia sobre nossa cada vez menos bem-vista — pela sociedade em geral — universidade pública.

    Eu quero que a universidade pública “gratuita” caia, em favor de um modelo melhor.

    O que eu não quero é que ela caia SEM LUTA.

    E vocês colaboram para isso.

    Enquanto vocês invadem, a FGV do Rio (citando o e-mail de um amigo meu, qual seja, eu mesmo:

    mínimo de planejamento consciente por parte da comunidade universitária.

  9. FGV disponibiliza material completo do seu curso de direito:

    Isso mesmo: a FGV disponibilizou em seu site todas apostilas que são utilizadas em seu excelente curso de direito, organizadas segundo os semestres: do primeiro até o nono período, e incluindo as disciplinas eletivas:

    http://academico.direito-rio.fgv.br/ccmw/P%C3%A1gina_principal
    Material Didático

    * Primeiro Período
    * Segundo Período
    * Terceiro Período
    * Quarto Período
    * Quinto Período
    * Sexto Período
    * Sétimo Período
    * Oitavo Período
    * Nono Período
    * Eletivas

    Estou morrendo de inveja.

    Que a universidade pública corra para provar que pode ser tão boa quanto uma universidade privada bem administrada…

    (Pelo visto vai ser difícil, mas: VALE A LUTA, hehehe).

    Abraços!

  10. Thiago, a expansão do REUNI não previa essas vagas pra FD. Eram vagas destinadas ao curso de ciências da vida, pelo IB. Como o IB faz oposição ao Zé Geraldo, se recusou a cumprir o que havia combinado.

    As vagas, assim, foram apresentadas pra FD nesse esquema de “pegar ou largar em 48 horas”.

    Detalhe: o IB, hoje, possui a maior espaço físico da UnB. O REUNI não é ruim em si, mas se for pra ser implementado assim, como nesse caso da FD, é muito ruim.

  11. Por falar em Reuni, um colega meu encontrou esta apresentação, bolada pelo nosso Decanato de Extensão em maio do ano passado:
    http://www.unb.br/administracao/decanatos/deg/downloads/Diretrizes_Gerais_Apresentacao_CEPE.pdf

    Notem que um dos objetivos do Reuni é aumentar a relação aluno por professor, que é considerada baixa nas IFES (acho que é cerca de doze discentes por docente).

    Vejam:

    REUNI enviado pela UnB
    Aumento de 60% das vagas discentes
    Aumento de aprox. 25% do quadro docente

  12. Mais:

    A ampliação do número de vagas oferecidas pela Universidade de Brasília tem por objetivo atender as demandas da sociedade por mais de vagas nas universidades públicas e gratuitas e reafirmando o compromisso social da Universidade de Brasília.

  13. Tenho minhas dúvidas de que a estratégia da FD seja totalmente estúpida, precipitada e sem debates. O que eles decidiram foi: devem aumentar o número de vagas? Sim, todos estão a favor. Em tese, o aumento do nº de vagas só terá impacto ‘daqui a algum um tempo’, no qual a FD lidará gradualmente com os problemas que efetivamente surgirem (mais professores, mais salas, alteração da grade curricular, etc.).

    Em tese, existe tempo para detalharem a implementação da mudança e aí sim, entrarão os “processos democráticos, que não existem sem ampla informação e abertura de espaços de debate”.

    Por outro lado, entendo totalmente o anseio dos alunos por garantias, na hipótese de surgir um problema ‘daqui algum tempo’ e a resposta da FD para ele não chegar em tempo hábil e ocasionar grandes prejuízos que recairão sobre o dobro de alunos. Nesse lado da questão, o mínimo que a Faculdade deve fazer, como o post retrata, é abrir espaço para diálogo e planejamento dessa expansão.

  14. Renata, alguns colegas lembraram que invectivas semelhantes às atualmente levantadas pelos “invasores atemorizados” ocorreram quando do surgimento do curso de Direito noturno, criado exatamente com o objetivo de aumentar as vagas oferecidas e de contemplar alunos que porventura precisassem trabalhar.

    (Fui estagiário no gab. do Ministro Joaquim, pessoa que admiro muito. Diz-se que ele trabalhava a madrugada toda no Senado Federal, e ia assistir aulas de manhã na nossa nobre Faculdade de Direito da UnB. Presumo que “pescasse”, hehehe).

    Bem, o primeiro objetivo foi alcançado, o segundo obviamente não, pois quem passa no concorridíssimo vestibular de direito noturno não precisa trabalhar, hehehe. Pois então: alguém aqui dirá que o curso noturno é pior do que o curso diurno? Ora, ninguém poderá fazer essa afirmação. Tendo estudado minha graduação inteira em duas turmas, uma diurna e outra noturna, posso afirmar que — do ponto de vista acadêmico, ainda que não futebolístico-atlético — O CONTRÁRIO É VERDADEIRO.

    De qualquer forma, não vimos uma piora acentuada nos elevados padrões que marcam…. (a FD? Não!) os alunos da FD.

  15. Caríssimo Thiago, meu colega de turma!

    Na criação do curso noturno também ocorreu tremenda falta de planejamento. O resultado: tá cheio de gente que não precisa do curso noturno por lá, enquanto tem alunos do diurno que precisariam de aulas à noite e não conseguem mudar de turno.

    Queremos uma FD que possa acolher 120, 240, 360 alunos. Mas nossos queridos professores se recusam a sequer contar quantos deles existem recebendo seus salários e títulos da Universidade.

    Busca-se com essa expansão mero aumento aritmético de nossos colegas. A falta de planejamento não é justificada pela pressa na expansão – é possível que se faça planejamento rápido, se existir vontade para isso.

    REUNI da UnB não prevê nenhum investimento relacionado aos 60 novos alunos da FD. Nenhum. É só ler o plano de implementação.

    A solução: vamos fazer o planejamento. Vamos mobilizar alunos, ex-alunos, professores, educadores e administradores pra fazer isso rápido e aumentar a oferta de vagas no ensino superior.

    Não dá pra jogar de forma tão irresponsável com o futuro de tanta gente. Você, como gestor de políticas públicas, poderia ajudar, com seu instrumental técnico, a fazer esse planejamento. Topa?

    Chego a afirmar que há excesso de juristas na administração da FD e carência de gestores. É preciso pensar educação superior como política pública, não como instrumento de propaganda e promoção acadêmica de docentes. Não se deixe enganar pelo discurso aritmético do Reitor!

    A GV não está caminhando bem por ser melhor que a UnB. Ela só está caminhando bem pq decidiu fazer assim e planejou se estruturar assim.

    • A aceitação de uma política pública adotada sem planejamento, deliberação ou estudos é um mero gesto de fé.

      Enquanto a fé for o fundamento para a gestão do Estado, continuaremos à procura das figuras messiânicas, dos grandes líderes, que nos salvarão de nossa miséria. Aqueles que, iluminados, nos mostrarão o caminho.

      O protagonismo político, nesse caso, que exige a apresentação de planos, estudos, propostas concretas para que se decida uma política pública relevante, é uma atitude daqueles que pretendem substituir os messias e salvadores pela responsabilidade de cada um em participar da construção de seu futuro.

  16. Uma questão importante que muitos estamos esquecendo de fazer é a seguinte: porque uma relação custo-benefício tão catastrófica quanto a atualmente vigente nas universidades públicas brasileiras?

    Gasta-se, por aluno, quase sete vezes mais em ensino superior do que em ensino médio e fundamental. A relação nº de alunos por professor é inferior a de muitos países desenvolvidos.

    O modelo atual, elitista ao extremo, caro, e suscetível a greves periódicas é simplesmente insustentável no longo prazo. Por isso, antes de começarmos a tacar pedradas na tentativa de reforma, é recomendável que primeiro olhemos o vasto telhado de vidro do modelo ATUAL.

      • O MEC, mesmo. Lembrando: os números levam em consideração apenas o que é diretamente gasto com os alunos. Não leva em consideração gastos previdenciários — sempre BEM mais elevados quando tratamos de servidores públicos. Se estes fossem considerados, o gasto por aluno iria para a estratosfera. Essa a outra razão pela qual o modelo atual é inviável: o Estado hesita bastante em contratar um professor universitário novo, exatamente porque sabe que ao fazê-lo realiza um casamento eterno, com grandes e permanentes gastos por ocasião do divórcio — digo, aposentadoria.

        http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL843583-5604,00-GASTO+COM+ENSINO+SUPERIOR+E+VEZES+MAIOR+DO+QUE+COM+EDUC
        “Dados do Ministério da Educação (MEC) mostram que o país investe 6,7 vezes mais nos universitários do que nos estudantes da educação básica. De acordo com as informações de 2006, que são as mais atuais, o custo de um aluno do ensino superior chega a R$ 11.820 por ano. Já para os estudantes da educação básica, o investimento médio é de R$ 1.773.”

  17. Bah, Márcio… O Reuni foi bem planejado, embora sua idéia básica seja simples: queres mais recursos? Aceite mais alunos. Algo bastante razoável, num país em que há menos de quatorze alunos por professor universitário. De qualquer modo, uma política pública se dá em vários níveis de especificação, e o planejamento prévio é algo definitivamente superestimado. Isso porque os problemas vão surgindo no momento mesmo da implementação, que é a hora em que de fato eles aparecem com clareza, e as diretrizes traçadas são vagas em face dos problemas concretos. Como diria o Garrincha, de nada adianta planejar demais, se não combinamos com os russos antes. Veja o caso da invasão da secretaria de nossa FD: creio que os CDFs gestores que bolaram o Reuni não contavam com essa, hehehe.

    Esse texto aqui é um dos mais influentes já escritos na área de administração pública, e aplica o insight de Garrincha às políticas públicas: http://www.emerginghealthleaders.ca/resources/Lindblom-Muddling.pdf

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