Mulheres e Desenvolvimento

Por Mayra Cotta

No post “Mulheres de Atenas”, discutiu-se a o pensamento de Amartya Sen acerca do papel das mulheres no desenvolvimento. Recentemente, o New York Times publicou uma pesquisa de Nicholas Kristof e Sheryl WuDunn que vai ao encontro do pensamento de Sen.

O artigo dos pesquisadores inicia considerando a violência cometida contra as meninas e mulheres como o grande desafio a ser enfrentado no século XXI, da mesma forma que a escravidão o totalitarismo o foram nos séculos XIX e XX.

De acordo com Kristof, as injustiças sofridas por mulheres, especialmente nos países pobres, possui enorme relevância nos âmbitos econômico e geopolítico. Os pesquisadores, inclusive, relacionam, bem como o faz Amartya Sen, a pobreza de determinados países com a baixa educação e a exclusão das mulheres. Cada vez mais, portanto, se reconhece que focar políticas públicas nas mulheres e meninas é a maneira mais eficaz de combater a pobreza:

Women and girls aren’t the problem; they’re the solution.

Alguns exemplos de mulheres que se emanciparam sob condições bastante adversas são discutidas no artigo. Interessantíssima é a trajetória de vida de Saima, no Paquistão. Essa mulher, que sofria agressões de seu marido e ocupava uma posição bastante diminuída na família, recebeu um financiamento da Kashf Foundation, empresa paquistanesa que ajuda mulheres a iniciarem seu próprio negócio. A quantia não era alta, mas Saima começou a bordar roupas. Aos poucos, sua microempresa foi crescendo e Saima passou a trazer mais renda para dentro de casa que seu próprio marido, passando a ser respeitada em seu lar e na sociedade.

As políticas voltadas para mulheres são fundamentais. A mulher em posição emancipada na família, segundo diversas pesquisas, acaba promovendo uma educação de melhor qualidade para os filhos bem como cuidados com a saúde mais próprios. Além disso, as mulheres podem ser agentes ativos de mudança, se conseguem atuar positivamente na sociedade.

Vale a pena a leitura completa do artigo.

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Uma resposta em “Mulheres e Desenvolvimento

  1. Acredito que o poder das políticas em favor das mulheres é superestimado, pois a recente afluência da parte mais bela da humanidade se deve a fatores profundos e generalizados. A inserção das mulheres no mercado de trabalho e em ramos antes monopolizados pela parte mais violenta e peluda da humanidade prosseguirá a passos largos, em qualquer país que reúna as seguintes características: (i) fácil acesso a métodos de planejamento familiar (leia-se: anticoncepcionais); (ii) uma economia minimamente avançada do ponto de vista tecnológico, baseada no setor de indústrias not-séc-XIX-like ou em serviços (leia-se: uma economia em que a maior força física do homem não seja um diferencial importante); (iii) uma cultura em que memes ruins como passagens misóginas de livros escritos por homens ignorantes mortos há séculos ou milênios já tenham sido limpos ou banidos para o lixo da história, em grande parte por um COMBO de (i) e (ii), supra.

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