São Paulo é a nova Paris?

Por Laila Maia Galvão

Na semana passada, assitimos na TV algumas cenas de violência ocorridas em Jaçanã, na zona norte da cidade de São Paulo. A morte de um jovem, após confronto com a polícia militar, teria causado uma onda de protestos no distrito. Três ônibus foram queimados por moradores. 

Hoje, uma notícia semelhante nos noticiários. Uma garota foi atingida por um tiro na cabeça durante troca de tiros entre Guarda Civis de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, e faleceu em seguida. Os policiais perseguiam os suspeitos de um roubo de carro. Os moradores, revoltados, protestaram. As ruas da favela Heliópolis foram fechadas e os manifestantes atearam fogo em móveis e pneus. A polícia revidou com balas de borracha e bombas de efeito moral.

É possível que tais episódios representem casos isolados, mesmo considerando o intervalo de menos de uma semana entre esses dois tristes acontecimentos. No entanto, não deixei de recordar a Paris de 2005, quando moradores do subúrbio parisiense perpetraram atos de protesto durante vários dias consecutivos com a queima de mais de 9000 veículos. Relembrando:

A morte acidental de dois jovens que acreditavam estar sendo perseguidos pela polícia em Clichy-sous-Bois (periferia de Paris), desencadeia nos bairros mais pobres da região parisiense episódios de violência urbana durante as noites e madrugadas que vão se estender a todo o país. De 27 de outubro a 17 de novembro passados, mais de 9.000 veículos foram queimados, tendo sido interrogadas 3.000 pessoas; 126 policiais ficaram feridos. Em 8 de novembro último, o governo instaurou o estado de urgência, prorrogado por três meses.

O script me parece semelhante: insatisfação da população no que diz respeito à atuação excessivamente violenta da polícia e profunda indignação quanto à opressão e à exclusão enfrentadas cotidianamente por moradores da periferia. Assim como em 2005, as informações que temos sobre tais episódios são obtidas por meio de veículos de comunicação que nem sempre conseguem passar ao leitor todas as facetas desses acontecimentos.

E se antes os atos de violência franceses pareciam corresponder a uma realidade distante, agora não temos tanta certeza assim. De resto, vamos seguir acompanhando o clima de tensão na periferia paulistana.

Reportagem sobre morte em Jaçanã: Aqui. / Reportagem sobre morte em São Caetano do Sul: Aqui. / Reportagens especiais sobre violência na França em 2005: Aqui. / Interessante artigo “gangsta rap” francês: Aqui.

Reportagem da Rede Globo no SPTV sobre o episódio de Jaçanã:

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