Política X Filosofia

Por Gustavo Capela

Dois autores são de vital importância para o grupo: Hannah Arendt e Antonio Gramsci. No entanto, os dois discordam em algo que é fundamental ao desenvolvimento tanto do país quanto do Brasil e Desenvolvimento. Isto é, a aproximação entre filosofia e política.

Arendt expõe em entrevista concedida a Gunter Gaus, posteriormente publicada no livro “Compreender: Formação, exílio e totalitarismo”(e aqui faço homenagem ao colega Gustavo Cordeiro, que me indicou a leitura), que o político e o filosófico não se confundem. Enquanto um busca um conhecimento abstrato e complexo sobre algo que é(uma espéice de “ser”), o outro se preocupa com as ações, atos e posicionamentos que uma pessoa “deve ter”. Segundo ela, a filosofia tenta demasiadamente ser neutra para poder se posicionar.São discussões sobre o que é plausível, o que é lógico, o que faz sentido dentro de um esquema teórico, enquanto o político se importa mais com o que faz sentido dentro de um aspecto mais real, mais concreto.

Claramente, Arendt não nega a importância do pensamento à ação. Tampouco nega a importância da filosofia à atitude política. O que ela questiona é a semelhança entre o “fazer” política e o “fazer” filosofia. Segundo ela,  a atuação política pressupõe aspectos que não são condizentes com a filosófica

Já aqui podemos fazer alguns questionamentos. Há, de fato, um aspecto mais real e um mais abstrato? Se sim, eles não se comunicam? É possível falar de um sem falar do outro? Conheço pessoas que tentam viver no mundo abstrato, no que se distancia do real e que em nada acrescenta à prática. Considero essas pessoas péssimas filósofas. Arendt se posiciona dessa forma ao ser taxada de filósofa, o que, aparentemente para ela, não é elogio e sim um afronte às suas posições diretas e concretas sobre os acontecimentos mundanos.

Gramsci, por outro lado, entende que a hegemonia por trás de toda busca pelo poder atrela diretamente o conhecimento filosófico à prática política. Não há, segundo ele, conhecimento apolítico. O desenvolvimento de idéias e teses está sempre relacionada a uma busca por dominação, por prevalência de sua tese em todos os estratos sociais, para amparar o domínio exercido. Sendo assim, não há conhecimento não-ideológico. E ideologia aqui é entendida no sentido forte da palavra, assim como crítica a é. Ideologia é a tentativa de impor suas vontades contra a de outros em um espaço político. É argumentar contra os atos de poder argumentativos, no bom e velho esquema marxista. Crítica, visão crítica, é tida como uma análise que lembra os aspectos de classe e os encara apesar da classe em que o interlocutor se encontra. Isso porque, quem escreve e dá opinião, pelas atribuições do próprio sistema, sempre faz parte da classe dominante. Ser crítico é agir criticamente. É ir de encontro com o que lhe é dado como correto por uma estrutura opressora que busca esconder problemas que a envolve.

A filosofia, nesse esquema gramsciniano, é a pedra em que são escorados os pressupostos de ação e de busca pela hegemonia. Na teoria de Gramsci, a revolução da estrutura capitalista só ocorrerá com o pleno acordo entre a filosofia e a política. A relação antagônica entre a ação e a concepção dão menos consistência à possibilidade de mudança, sendo trabalho do filósofo criar o vínculo entre os dois. O filósofo é aquele que pensa abstratamente à ação e cria argumentos para ela. Na concepção de Gramsci, Hannah Arendt seria filósofa, por exemplo.

Aqui os questionamentos são contrários: é necessário filosofia que se adéqüe à prática? Na teoria marxista e gramsciniana, o ato de filosofar carece de conteúdo se não se adéqua ao prático, ao concreto. Isso, de fato, procede? Existe conhecimento pelo conhecimento? Existe ciência, arte, esporte, profissão que se encerra em si mesma?

Por um lado é impossível discordar de Arendt. É normal conhecer pessoas que se prendem e se perdem na tentativa de elaborar brilhantes e ótimas teses, sem se preocupar com as conseqüências práticas de sua produção. Arendt usa o exemplo de Heidegger, que, ao tentar justificar o nazismo, “inventou” um nazismo que se adequasse às suas teses existenciais. Ademais, isso parece até bem comum no ramo das ciências humanas.

Alguns profissionais, no entanto, enveredam-se para o lado de Gramsci. O professor Cabrera, inclusive, não entende como alguém pode concordar com uma tese filosófica sem a praticar como um todo no seu cotidiano. Não aceita, portanto, desculpas para não estar presente em sua aula que não envolvam a palavra escolha[1].

Questiono, então, como se dá essa relação, afinal. É preciso teoria para prática? Parece-me que sim. É preciso prática para a teoria? Também me parece que sim. Mas é difícil discordar de quem entende ser prerrogativa da ciência procurar seu próprio conhecimento. Escolher o que está envolvido com a prática é um desafio. É bastante plausível que uma tese inicialmente desvinculada de uma prática seja a ela atrelada no futuro. Da mesma forma, a criação de novos aspectos práticos podem, inicialmente, em nada se aplicar ao mundo como o concebemos.

A ressalva feita é a de que não podemos nos abdicar, em nenhum momento, como cidadãos, família, profissional, ou cientista, de nos posicionarmos politicamente. Costumo dizer que entendemos no grupo que a posição filosófica pode ser diferenciada sim da política, mas que, por trás de toda ação política há uma filosofia política. Toda pessoa, e aqui concordo em gênero, número e grau, com Gramsci, é um filósofo, pois concebe para si um modo de viver e cria concepções próprias no que tange à sua existência. Assim, o cidadão que se omite, que deixa de prestar seu serviço ao espaço público, tem como filosofia política o não-engajamento ou a não-importância com o espaço público. Vejo, aliás, muitos/as colegas com essa filosofia que criticam posicionamentos políticos como supérfluos, caracterizando-os como pretensiosos ou pedantes. Posicionar-se politicamente é dever de quem se preocupa com o que acontece estruturalmente, de quem, aliás, se preocupa com o outro. Nisso, Gramsci e Arendt concordam. O modo de viver moderno, e nisso está incluído o modo de produção, está totalmente voltado para um fazer-se próprio, por um caráter consumista e apolítico. “Importo-me com meu carro, minha situação financeira e meu emprego. Depois disso, mudo o mundo”. Se isso fosse verdade, o mundo estaria completamente diferente.

Nessa esteira, a filosofia e a produção de conhecimento, se não voltada para soluções práticas e inovadoras, deve sempre estar atrelada à inquietação com o mundo. Fazer ciência e produzir academicamente não deveria nunca ser repetir, nem criar para dentro. Criar justificativas próprias e mundos próprios com o intuito de se vangloriar, de mostrar que é diferente, pode ser perigoso e respaldar conseqüências práticas indesejáveis. Acredito que isso sempre deve estar em jogo, independentemente de sua ideologia. A não ser, claro, que sua ideologia pressuponha a falta de preocupação com o outro.´

Jogo a bola, contudo, ao debate. O que vocês acham? O conhecimento deve estar atrelado à prática sempre? Todo conhecimento é ideológico? Se sim, por quê? Se não, deveria ser?


[1] O professor acredita, nesse aspecto, nas digressões existencialistas.

Anúncios

4 respostas em “Política X Filosofia

  1. A filosofia nasce do espanto, já dizia o velho Aristóteles. O problema, Capela, é que estamos num mundo complicado demais. Não dá para fazer filosofia “acadêmica” séria e ser um grande zoólogo, como o estagirita pôde ser, em sua época. Hoje devemos optar, e no máximo nos contentarmos com a condição de amadores e diletantes bem-informados, capazes de perceber quando um jornalista faz lorota, ou quando um artigo da wikipédia tá enviesado demais, e precisa de complementação “google”-íca. Daí minha admiração por pessoas capazes de escrever de maneira técnica sobre assuntos arcanos, mas — ao mesmo tempo — escrever de maneira escorreita e agradável para as platéias bem-informadas e relativamente inteligentes. Gente assim: Richard Rorty, Daniel Dennett e — pasmem — até mesmo o Habermas, a cada dez ou vinte luas.

    Quanto ao conhecimento estar atrelado à prática, creio que a maior parte das pessoas são apaixonadas pela ação, não pelas idéias. Não gostam de teorizar sobre a vida. Até porque essa é uma atividade agradável só quando você possui um nível de inteligência acima da média. E, por definição, metade das pessoas têm um QI abaixo de cem. Elas não são piores por isso. São apenas diferentes. Vivem num mundo menos articulado, menos dominado por reflexão. Mas não acho que reflexão seja sempre algo bom. Refletir sobre suas próprias idéias e concepções sempre será um hábito cultivado por poucos, pelas próprias exigências de temperamento e de inteligência que essa atividade exige.

    O Gramsci e outros marxistas mais pragmáticos perceberam isso, quando postularam a necessidade de uma “vanguarda” para construir os pressupostos da revolução. Quando perceberam que ela não viria “naturalmente”, pois o capitalismo se mostrara mais resiliente e até mesmo capaz de incorporar idéias defendidas pelas internacionais de trabalhadores (jornada limitada de trabalho, salário mínimo, extensão do direito de voto, limitação de trabalho infantil), eles viram que teriam de construir uma hegemonia diferente. Teriam — eles, os intelectuais, os capazes de articular parágrafos — de fazer penetrar lentamente na sociedade novas concepções políticas, novos “ideais de vida”. Gramsci achava que a superestrutura de idéias importava, pois contribuía para inocular nos proletários e na classe média crescente (fenômeno já apercebível em sua época) ideais que eram supostamente favoráveis aos verdadeiros donos da sociedade, os capitalistas, os donos dos meios de produção.

    Então, a vanguarda intelectual refletiria sobre o que é “ideologia” falsa, favorável aos donos dos meios de produção, e tentariam criar antídotos contra essa ideologia, inoculando nas pessoas, nos formadores de opinião (que eles próprios poderiam ser) idéias que aos poucos contaminassem o populacho, idéias como “necessidade de diminuir a concentação de renda” ou “expropriação de meios de produção essenciais à economia” ou “o fetichismo pelo consumo substitui ícones religiosos como objetos de adoração, e empobrecem a espiritualidade do homem, que se banaliza”.

    Faz sentido. Mais sentido do que a crença marxista original de que haveria uma revolução, de que a sociedade poderia ser dividida basicamente em duas classes com bênção histórica (isto é, com potencial para fazer andar a história), que a superestrutura era determinada pela infraestrutura econômica.

    Mas acho que temos de radicalizar ainda mais isso aí, e perceber que nossa sociedade é tão complexa, que não há uma única maneira de descrevê-la. As próprias tentativas dos historiadores, filósofos e sociólogos de o fazê-lo não passam de tentativas contingentes e datadas, possibilitada pela própria sociedade, mas não transcendentes a ela. Seria um pouco como eu utilizar minha mente para descrever minha mente, e disso parir um esquema passível de ser colocado num gráfico e num texto. Ora, esse gráfico e esse texto não são minha mente, senão uma descrição possível, contingente e datada dela. Da mesma forma, nossas filosofações não passarão disso.

    O Ítalo Calvino teve um insight interessante, que expôs no posfácio do “Se um viajante em uma noite de inverno…” (salvo engano).. Ele disse que nossa época permitiu escancarar a auto-reflexidade inerente ao ato da escrita. Quando escreve um poema sobre o amor que está dentro de meu coração, o poema na verdade é uma falsificação do verdadeiro sentimento — não dá para pensar um poema e sentir o sentimento, ao mesmo tempo. O ato da escrita, do polimento do poema, teria como referencial, na verdade, o próprio ato da escrita. O poeta está iserido em uma prática social extremamente artificial — escrever um poema sobre o amor — sabendo que terá como destinatários outras pessoas inseridas num contexto também artifical (ler um poema escrito — polido e trabalhado e retocado para caber na forma de um soneto — por um poeta que fingia sentir algo que quer transmitir por meio do poema). O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que que deveras sente. Pessoa sacou essa auto-referncialidade.

    Tudo isso impossibilita a reflexão crítica? Claro que não. Tanto quanto saber que está-se a fingir uma dor que deveras se sente (talvez não no momento em que se calcula as cesuras e o esquema de rimas mais adequado para o fecho de ouro que se pretende) não impossibilita a poesia. Mas mostram suas limitações. Escancaram um pouco a incapacidade de se ter uma percepção global do fenômeno sociedade. E isso inevitavelmente diminui nossas esperanças de MODIFICAR ou de EMANCIPAR. Como fazê-lo, se somos feitos da mesma matéria fugidia dos sonhos? Se tanto nossa comunicação, como nosso pensamento, são processos aos quais não podemos — numa época pós metafísica — inferir qualquer familiaridade especial com “o social” (ou o “real” ou o “Amor” ou outras “Big Words” que nossa época pós-essencialisa relegou à condição de construtos sociais e biológicos que escapam à nossa “vontade” consciente?

    Abraços!

  2. Bom texto, Gustavo. Gostei especialmente do seguinte trecho, bem provocativo (embora não concorde com o argumento da mudança do mundo e sua relação com as prioridades das pessoas): “O modo de viver moderno, e nisso está incluído o modo de produção, está totalmente voltado para um fazer-se próprio, por um caráter consumista e apolítico. “Importo-me com meu carro, minha situação financeira e meu emprego. Depois disso, mudo o mundo”. Se isso fosse verdade, o mundo estaria completamente diferente.”

    Sobre a discussão geral (filosofia e política), quanto maior a abertura para a diversidade do conhecimento desinteressado (sem servir a interesse prático ou político imediato), melhor. Talvez possamos chamar isso de vocação filosófica. Eventualmente essa pesquisa ganhará aplicação, ou apenas servirá como possibilidade de compreensão diversa da realidade, ou será só perda de tempo mesmo. Esse jogo de desvio é que permite inovações mais bruscas (e, por isso, talvez mais relevantes).

    Acredito que as práticas vigentes, claro, estão encobertas por (ou derivam de) um manto filosófico/ideológico (é uma espécie de platonismo que eu acato). Nesse raciocínio, voltar-se contra essas práticas pressupõe desvelamento e embate com a base dessa filosofia (possivelmente com um martelo, ou uma furadeira), seguida de uma prática correspondente (uma nova filosofia que já nasce política, com ideal de transformação, e precisa da prática da política para ter sentido). A idéia de reforma revolucionária (mudanças paulatinas que acabam por instaurar uma nova ordem) parece improvável – um pouco menos improvável quando se tem um programa claro, mas ainda assim improvável.

  3. Acho que toda essa discussão se perde em terminologias e conceitos, que remetem à tautologia do que seria política; do que seria filosofia; do que seria “conhecimento desinteressado”.
    Vejo o conhecimento, ciência e filosofia como necessariamente atrelados a uma visão de mundo e a uma pretensão política. Acho que quem nega isso o faz por preconceitos quanto à terminologia “política”, e não por negar os próprios elementos que tornam o ato investigativo um ato político – a investigação filosófica, ainda que na forma contemplativa, interage com o mundo, causa perturbações e digressões – e mesmo que não afete outras pessoas, sei lá, por estar isolado como um eremita no meio do Alasca, afeta o seu ambiente. Aqui eu admito que vige a teoria do caos – nós não controlamos o rumo de nossos atos. Uma borboleta na China pode causar furacões no Golfo do México.
    Quando um filósofo nega esse caráter político de sua ação, na minha opinião, ele não está fazendo conhecimento desinteressado; ele está produzindo conhecimento irresponsável – fugindo da responsabilidade das conseqüências de suas ações, e essa fuga de responsabilidade é um ato que não deixa de ser político.
    Quanto à discussão, por exemplo, da arte pela arte; ciência pela ciência, etc. – acho que são exageros estéticos que visavam desviar, em determinados momentos históricos, os rumos ideológicos da arte ou da ciência… Uma arte que não mais servisse apenas à religião ou uma ciência que não estivesse apenas voltada para o crescimento e engrandecimento da nação. Acho que uma melhor expressão seria “arte pelos artistas; ciência pelos cientistas” – simbolizam a busca de emancipação política de cientistas, artistas, etc., como entes autônomos de criação em suas áreas, livrando-os do mecenato para conduzirem suas criações e investigações pelo mundo.
    Respondendo ao questionamento – o conhecimento está atrelado à prática, sempre, mesmo que leve à não-prática, ou ao absenteísmo. Todo ato de conhecimento é ideológico, pois representa um ato para o mundo e no mundo, nunca é isolado ou inerte. Discordo um pouco sobre se isso implica sempre num jogo de poder e dominação, mas não vou digerir isso agora. O que eu acho é que o conhecimento deveria ser é mais responsável pelas conseqüências que gera no mundo, ainda que não as controle por completo. Isso significa pensar e tentar perceber os jogos de poder a que serve e os impactos que gera ou tem potencial de gerar no mundo, de forma explícita. Esse debate não deve estar além do filosófico, do científico ou do artístico, mas dentro dele.
    Discordo, assim, do Gomes, quando fala “uma nova filosofia que já nasce política, com ideal de transformação, e precisa da prática da política para ter sentido” – é que toda filosofia, e não apenas uma nova, sempre é política. O famoso universitário drive-thru é um ser político. Agora, muita filosofia, assim como muitas pessoas que se dizem apolíticas, na verdade, são é irresponsáveis, no sentido de não assumirem a responsabilidade política que seus atos, mesmo involuntariamente, geram no mundo.

    Foi mal pela confusão de idéias ae, mas queria colocar minhas pretensões de dominação ideológica no ar. abss

  4. Posto abaixo um brilhante texto do recém-morto filósofo político polonês Leszek Kolakowski que discorre, em pinceladas generosas, sobre as principais ideologias políticas de nossa época, e de como cada uma delas salienta um ponto importante.

    “How to be a Conservative-Liberal-Socialist”

    By Leszek Kolakowski.

    Motto: “Please step forward to the rear!” This is an approximate translation of a request I once heard on a tram-car in Warsaw. I propose it as a slogan for the mighty International that will never exist.

    A Conservative Believes:

    1. That in human life there never have been and never will be improvements that are not paid for with deteriorations and evils; thus, in considering each project of reform and amelioration, its price has to be assessed. Put another way, innumerable evils are compatible (i.e. we can suffer them comprehensively and simultaneously); but many goods limit or cancel each other, and therefore we will never enjoy them fully at the same time. A society in which there is no equality and no liberty of any kind is perfectly possible, yet a social order combining total equality and freedom is not. The same applies to the compatibility of planning and the principle of autonomy, to security and technical progress. Put yet another way, there is no happy ending in human history.

    2. That we do not know the extent to which various traditional forms of social life–families, rituals, nations, religious communities–are indispensable if life in a society is to be tolerable or even possible. There are no grounds for believing that when we destroy these forms, or brand them as irrational, we increase the chance of happiness, peace, security, or freedom. We have no certain knowledge of what might occur if, for example, the monogamous family was abrogated, or if the time-honored custom of burying the dead were to give way to the rational recycling of corpses for industrial purposes. But we would do well to expect the worst.

    3. That the idee fixe of the Enlightenment–that envy, vanity, greed, and aggression are all caused by the deficiencies of social institutions and that they will be swept away once these institutions are reformed– is not only utterly incredible and contrary to all experience, but is highly dangerous. How on earth did all these institutions arise if they were so contrary to the true nature of man? To hope that we can institutionalize brotherhood, love, and altruism is already to have a reliable blueprint for despotism.

    A Liberal Believes:

    1. That the ancient idea that the purpose of the State is security still remains valid. It remains valid even if the notion of “security” is expanded to include not only the protection of persons and property by means of the law, but also various provisions of insurance: that people should not starve if they are jobless; that the poor should not be condemned to die through lack of medical help; that children should have free access to education–all these are also part of security. Yet security should never be confused with liberty. The State does not guarantee freedom by action and by regulating various areas of life, but by doing nothing. In fact security can be expanded only at the expense of liberty. In any event, to make people happy is not the function of the State.

    2. That human communities are threatened not only by stagnation but also by degradation when they are so organized that there is no longer room for individual initiative and inventiveness. The collective suicide of mankind is conceivable, but a permanent human ant-heap is not, for the simple reason that we are not ants.

    3. That it is highly improbable that a society in which all forms of competitiveness have been done away with would continue to have the necessary stimuli for creativity and progress. More equaliity is not an end in itself, but only a means. In other words, there is no point to the struggle for more equality if it results only in the leveling down off those who are better off, and not in the raising up of the underprivileged. Perfect equality is a self-defeating ideal.

    A Socialist Believes:

    1. That societies in which the pursuit of profit is the sole regulator of the productive system are threatened with as grievous–perhaps more grievous–catastrophes as are societies in which the profit motive has been entirely eliminated from the production-regulating forces. There are good reasons why freedom of economic activity should be limited for the sake of security, and why money should not automatically produce more money. But the limitation of freedom should be called precisely that, and should not be called a higher form of freedom.

    2. That it is absurd and hypocritical to conclude that, simply because a perfect, conflictless society is impossible, every existing form of inequality is inevitable and all ways of profit-making justified. The kind of conservative anthropological pessimism which led to the astonishing belief that a progressive income tax was an inhuman abomination is just as suspect as the kind of historical optimism on which the Gulag Archipelago was based.

    3. That the tendency to subject the economy to important social controls should be encouraged, even though the price to be paid is an increase in bureaucracy. Such controls, however, must be exercised within representative democracy. Thus it is essential to plan institutions that counteract the menace to freedom which is produced by the growth of these very controls.

    So far as I can see, this set of regulative ideas is not self-contradictory. And therefore it is possible to be a conservative-liberal-socialist. This is equivalent to saying that those three particular designations are no longer mutually exclusive options.

    As for the great and powerful International which I mentioned at the outset–it will never exist, because it cannot promise people that they will be happy.

    From Leszek Kolakowski, Modernity on Endless Trial (University of Chicago, 1990).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s