Escândalos, Midia e Eleições 2010

Por Mayra Cotta

Todos nós sabemos que, em ano de eleição, não há governo – há campanha eleitoral. E como bem demonstram os dois últimos posts deste blog, parece que 2010 já começou. Afinal, não precisa ser muito desconfiado para perceber que a grande midia, desde as manchetes com escândalos envolvendo José Sarney, já iniciou sua campanha contra a continuidade do governo atual.

A cada nova denúncia publicada nos jornais contra o presidente do Senado, o presidente da República toma uma pancada, resistindo – quase inabalável – à verdadeira cruzada dos tradicionais jornais contra não apenas o seu governo, mas a sua pessoa; cruzada esta que teve seu início em 2005, com o mensalão. Todos os escândalos são escândalos de Lula.

O convite do PV a Marina Silva para que saia do PT e concorra à presidência também levanta a bola para que se ataque o partido do presidente. Muitos apóiam a candidatura da Senadora considerando-a uma opção refrescante frente à mesmice dos dois partidos mais importantes na disputa presidencial. O nome de Marina Silva é usado para igualar PT e PSDB, como se apenas o PV tivesse o diferencial de possuir um programa político-social robusto o suficiente para promover um debate de qualidade acerca do desenvolvimento do país.

E para não deixar a crise arrefecer, no domingo passado, a Folha de São Paulo publicou mais um escândalo – a suposta visita de Dilma Roussef à ex-Secretária da Receita Federal, Lina Vieira, oportunidade em que a Ministra teria pedido para que as investigações sobre José Sarney fossem “aceleradas”. Lina entendeu, então, que deveria deixar as investigações de lado. Interessante é que a referida visita teria acontecido em outubro do ano passado, tendo a ex-Secretária permanecido em seu cargo por mais nove meses depois deste episódio. Depois de ser demitida no dia 12 de julho, Lina precisou de um mês para refletir se deveria ou não compartilhar com o resto do país o seu encontro com Dilma. Diz a ex-Secretária que não tem pretensões políticas, mas eu seria capaz de apostar uma assinatura da Veja se Lina não se candidatará a deputada estadual pelo Rio Grande do Norte em 2010.

Alguns colunistas aproveitaram esta manchete para relembrar dois episódios que demonstrariam, de fato, que não se pode confiar em Dilma – o tal dossiê sobre FHC feito supostamente a pedido da Ministra e as informações falsas em seu currículo. Não ouvi, contudo, ninguém comentando que às vezes é complicado confiar também na imprensa – em abril, a Folha de São Paulo publicou uma ficha falsa de Dilma Roussef no DOPS, que provaria a sua participação num plano para seqüestrar Delfim Netto no período da ditadura militar.

Então é isso. De um lado, temos um presidente com uma avaliação pessoal e de seu governo altíssima – mais ou menos 80% e 70%, respectivamente – e não se sabe o quanto essa aprovação conseguirá transferir votos para o candidato que será apoiado pelo PT. Do outro lado, há uma midia enfurecida com o projeto de impedir a continuidade do atual governo. A mesma midia que desde 2005 vem sendo derrotada por Lula, num incrível fenômeno de oposição e contradição entre a opinião pública e a opinião do povo.

Frente à falta de organização e desmobilização da oposição, essa midia dos escândalos acaba adquirindo papel extremamente relevante no cenário político, fazendo as vezes da própria oposição – e acredito que só perdemos com isso.

Penso que o Brasil e Desenvolvimento – e todos os grupos políticos atuantes – devem se preparar para 2010 com o intuito de promover a discussão acerca do que queremos dos nossos governantes para os próximos anos. Devemos pensar sobre as nossas instituições e escolher bem as pessoas e os partidos mais capacitados e dispostos para transformá-las e desenvolvê-las. É o momento de se pensar em projetos políticos, escapando da rasa discussão sobre escândalos. E isso não significa dizer que os escândalos não sejam importantes, mas devem ser lidos e interpretados para muito além do que diz a grande mídia, atentando-se para o fato de que 2010 já começou.

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6 respostas em “Escândalos, Midia e Eleições 2010

  1. Cara Mayra, parabéns pelo texto.

    Concordo que a grande mídia nunca foi simpática ao governo do PT, quando, em contrapartida, carragou FHC no colo!

    Mas é preciso lembrar que a mídia sofre de uma contradição inerente, que de certo modo a caracteriza. Ela é, ao mesmo tempo, instituição pública(porque baliza e é balizada pela opinião publica e deve ser norteada pelos principios da verdade, objetividade, isenção,informação e conhecimento) e empresa privada (porque precisa de vendas, lucro e sustentação contábil).

    A história de desenvolvimento da imprensa, tal qual a conhecemos, remete ás revoluções burguesas e o desenvolvimento do capital. Há uma quase indissociabilidade entre mídia e poder econômico e por consequência ao pensamento “hegemônico”.

    Pois bem, feita essa ressalta, é preciso lembrar que a mídia tem dois grandes objetivos: 1- Se sustentar, 2- Vender e ter lucro. Pra além disso alguns órgãos de imprensa, sustentados por políticos e organizações, tem como único objetivo gerar poder e influência, mesmo que isso não gere lucro financeiro direto.

    Isso, no entanto, não é caso da grande mídia. A grande mídia se alinha ao poder, como eu disse, porque essa é uma relação lucrativa para ambos os lados: políticos e imprensa. Ambos se necessitam.

    O governo Lula bancou as dívidas da Globo, o governo Lula joga rios de dinheiro publico em publicidade na grande imprensa e o governo Lula está menos distante da imprensa do que imaginamos. As críticas tem um limite, os escândalos tem um limite. Limite, esse, que a própria mídia se impõe em sua relação de dependência com o poder.

    Para além disso, a mídia jamais vai colocar sua “ideologia burguesa” na frente de sua necessidade de lucro. A mídia não gosta do Lula, mas noticiou que Obama o chamou de “o Cara”, a mídia noticia suas viagens, honrarias, condecorações, discursos históricos. E o faz pq isso tem valor notícia e interesse da população, ainda que isso seja indigesto para ela.

    A época noticiou, ainda que timidamente, as sérias irregularidades do Álvaro Dias e Arthur Virgílio, líderes da oposição.

    O negócio é simples:a mídia é doida por escândalo pq isso tem valor noticia e da ibope…quando o escandalo é no governo é fantástico pq dá ainda mais ibope ainda…quando é com o partido que tem uma visão política que ela nunca engoliu…PERFEITO! Lucro e ideologia se aliaram.

    Acho exagerada a afirmação de que “a midia dos escândalos acaba adquirindo papel extremamente relevante no cenário político, fazendo as vezes da própria oposição”.

    A mídia não é santa e obviamente tem seus propósitos políticos. Isso é, sim, uma cruzada contra o PT 2010. Mas isso, no entanto, não é motivo para que a condenemos a imprensa por seu trabalho. Não podemos criticar quando há investigação profunda e uma boa cobertura…temos que criticar quando isso não acontece, em favor do Dem, do PSDB, do Serra ou de quem for.

    “É o momento de se pensar em projetos políticos, escapando da rasa discussão sobre escândalos”. Será que diríamos isso se o escândalos antingissem o FHC, Serra ou qualquer político da oposição? Acho que não.

    A mídia tem sua ideologia ela é claramente de direita. Mas não esqueçamos que a mídia derrubou gente como ACM, Roriz, Collor, entre outros. A mídia jamais sacrificara seu lucro em favor de sua ideologia. E esse lucro é movimentado, também, pela tendência de opinião do leitor de jornal, radio e telejornal, que não por acaso é de classe média e alta. Se a cruzada da imprensa contra Lula não surtiu mto efeito em 2002 é porque o grosso do eleitorado do Lula não vê a imprensa, e por isso ela não tem o mesmo impacto, como o eleitor do Alkimin, Serra e cia.

    No mais…o final do seu posto foi perfeito:” isso não significa dizer que os escândalos não sejam importantes, mas devem ser lidos e interpretados para muito além do que diz a grande mídia, atentando-se para o fato de que 2010 já começou”.

  2. Só pra lembrar mais algumas coisas…a mídia noticia a queda do pobreza, noticia o bom desempenho do governo Lula, noticia todas as boas noticias do governo PT, por mais que o Lula diga que não.

    A capa do portal Band News hje era: CASO ARTHUR VIRGILIO. Uma reportagem completa e detalhada sobre o tema.

    O escândalo YEDA no RS..não está sendo noticiado a contento?

    Acabei de citar dois casos de políticos do PSDB. Uma coisa os políticos e a própria mídia não pode evitar: ESCANDALO VENDE!

    É preciso tomar cuidado para não darmos, em nossas análises, mais poder para para imprensa do que ela de fato tem.

    Parabéns pelo texto.

  3. Paraná, suas ponderações foram bem pertinentes. De fato, a midia noticia escandalos de outros partidos, bem como algumas conquistas do atual governo. E concordo que midia gosta de escândalo porque escândalo vende. Mas não acho que o mensalão e o a caça à cabeça do Sarney refletem antes uma predileção por escândalo do que uma tentativa de enfraquecer o atual governo nas próximas eleições. E o novo escândalo da suposta visita de Dilma à ex-secretária da Receita Federal, na minha opinião, mostra bem isso.

    Eu não acho que um jornal deva ser neutro e não vejo problemas em jornalistas e colunistas assumirem posições políticas claras. Acho bastante interessante quando é feito debate político na imprensa e acho que a mídia possui um papel fundamental nesse sentido.

    Acredito, contudo, que o debate polítco feito pela mídia não pode nunca substituir o debate político entre os partidos e o debate político na sociedade. No Brasil, infelizmente, isso não parece acontecer.

    Eu vejo dois problemas: o primeiro é que publicar escândalos não é promover debate. Esse exemplo do Sarney deixa isso bem claro – são publicados escândalos do presidente do Senado, surgem diversos manifestos contra a instituição, mas onde estão os colunistas refletindo sobre o papel do Senado? Cade os jornais debatendo a atuação política dos senadores? A mídia acaba sendo tão “escandalosa” que traz idéias como fechar o Senado ou promover demissão coletiva sem uma maior reflexão sobre as consequencias disso. Sem reflexão sobre o papel das duas Casas na democracia de um país como o Brasil, continental e com diferenças abissais entre os estados da Federação.

    O segundo problema diz respeito a minha afirmação que você achou muito forte – a de que a midia substitui a oposição no nosso país. Eu acho que cada vez mais o debate político entre os partidos e na sociedade vem sendo substituído pelo debate na mídia. A oposição parece saber fazer oposição apenas pela imprensa, na forma dos escândalos. Não vemos muita discussão de projetos políticos. Acho que é fundamental no papel de oposição contestar a atuação política-social do governo, propondo maneiras inovadoras de transformação das instituições. O problema é que nossa oposição parece não possuir condições para tanto e acaba se acomodando na forma escandalosa de fazer oposição apenas na mídia.

  4. Sobre a ideologia predominante em nossos grandes órgãos de comunicação, concordo que ela tende para a direita, no sentido de que possui um discurso pró-mercado. Nesse sentido, acho interessante o seguinte panorama traçado por um amigo meu, englobando os principais periódicos:

    Totalmente céticos quanto aos governos, pró-competição e pró-mercado: Revista Visão até início dos anos 90 (trouxe Hayek ao Brasil);
    Extremamente céticos quanto aos governos, pró-competição e pró-mercado: Estadao, Gazeta Mercantil até os anos 90;
    Bastante céticos quanto aos governos, pró-competição e pró-mercado: Veja, Exame (talvez colocaria a The Economist neste patamar);
    Muitas vezes céticos quanto aos governos, pró-competição e pró-mercado: O Globo;
    Algumas vezes céticos quanto aos governos, pró-competição e pró-mercado: IstoÉ Dinheiro, Época;
    Esquizofrênicos com idéias pró-competição, pró-mercado e de confiança no estado: IstoÉ, Valor Econômico;
    Os problemas causados pela competição e pelo mercado só podem ser corrigidos pelos governos: Rede Globo, Conjuntura Econômica-FGV, Folha;
    Às vezes a competição e o mercado são meios que podem ser usados rumo ao socialismo: Carta Capital;
    A competição, o mercado e o governo devem ser submetidos ao controle dos trabalhadores: Caros Amigos.

  5. Mayra disse: Mas não acho que o mensalão e o a caça à cabeça do Sarney refletem antes uma predileção por escândalo do que uma tentativa de enfraquecer o atual governo nas próximas eleições.

    Bem, um esquema “bizantino” montado pelo Executivo para obtenção de apoio no Legislativo (definição da Economist), como foi o mensalão, seria notícia em qualquer lugar do mundo — qualquer lugar com imprensa minimamente livre, é bom acrescentar.

    Aqui, infelizmente, os defensores do PT e do governo Lula terão de necessariamente claudicar: (i) o próprio Lula já pediu desculpas pelo ocorrido, (ii) o Tribunal mais alto do país recebeu praticamente intacta a denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da República NOMEADO pelo próprio Lula, (iii) caiu toda a antiga cúpula do Partido dos Trabalhadores, do tesoureiro (Delúbio) ao secretário-geral (o cara da Land Rover) em razão do escândalo; (iv) pareceres do Banco Central indicaram que o esquema montado por Marcos Valério efetivamente existiu, e de fato transferiu dinheiro de origem duvidosa para parlamentares e líderes partidários.

    Aqui não houve propriamente uma atuação “denuncista” da mídia, mas sim uma conspiração de fatos: não foi necessário sequer inventá-los ou pintá-los piores do que eram — eles já conseguiam ser suficientemente esculhambados.

    Em países sérios um caso como o do Mensalão implicaria em impeachments, cassação de mandatos parlamentares e até mesmo em mudanças legislativas profundas para evitar a repetição da esbórnia.

    No Brasil, procura-se mitigar o tamanho do escândalo, mal passados cinco anos do ocorrido.

    E eu que acreditava que a memória do brasileiro fosse curta — de quinze em quinze anos esquecemos os últimos quinze anos. Que nada: é curtíssima!

    E mídia tem mesmo de denunciar escândalos. O próprio I. F. Stone, o maior jornalista independente do século XX — e esquerdista empedernido, a ponto de colaborar para a KGB — já dizia: TODO GOVERNO MENTE.

    Abraços!

    • “Eu não acho que um jornal deva ser neutro e não vejo problemas em jornalistas e colunistas assumirem posições políticas claras. Acho bastante interessante quando é feito debate político na imprensa e acho que a mídia possui um papel fundamental nesse sentido”.

      Concordo plenamente. O discurso da neutralidade mascara uma ideologia própria da mídia, que tem, sim, suas implicações políticas. E isso é desonestidade intelectual! Acreditar em neutralidade é a mais pura ingenuidade jornalística…e é, como eu disse, resquício da ideologia burguesa do iluminismo e posteriormente do positivismo, os fundadores da imprensa. Não atoa o principal baluarte do jornalismo “business”, industrial e proclamador da objetividade seja o jornalismo americano, do qual nós importamos modelo.

      Em países como França, Alemanha,Inglaterra, Itália…Há jornais considerados clamente de esquerda e outros de direita. O debate é frontal e é bom para o leitor que seja assim. No Brasil a situação ainda engatinha mas aos poucos evolui com o fortalecimento de revistas assumidamente de esquerda como Fórum e Caros Amigos e com a militância, ainda que desonesta, declaramente de direita da Veja.

      Mas uma coisa é importante lembrar: não ser neutro não significa ser mentiroso ou negar fatos e verdades. Uma coisa é propaganda, assessoria de imprensa, outra coisa é jornalismo. O mito da neutralidade deve ser derrubado, mas a verdade é o que deve caracterizar o jornalismo sério e compromotido com a sociedade. Ná pratica sabemos que não é assim, mas deveria!

      “Mas não acho que o mensalão e o a caça à cabeça do Sarney refletem antes uma predileção por escândalo do que uma tentativa de enfraquecer o atual governo nas próximas eleições.”

      Vou ter que discordar novamente! A coisa não é só política, entende? Nesse caso é como eu disse…as coisas se juntaram e tornaram a situação perfeita pra imprensa, que é de direita. Mas a verdade que há muito mais fatores envolvidos na questão: rotinas produtivas, cultura profissional, estrutura de concentração dos meios de comunicação, necessidade de lucro…enfim…N motivos que aliados a ideologia política geram a cobertura que a gente vê! Acreditar que isso é só político pode soar meio simplista! É predileção por escândalo ao mesmo tempo em que é disputa política!

      “Eu acho que cada vez mais o debate político entre os partidos e na sociedade vem sendo substituído pelo debate na mídia. A oposição parece saber fazer oposição apenas pela imprensa, na forma dos escândalos. Não vemos muita discussão de projetos políticos. Acho que é fundamental no papel de oposição contestar a atuação política-social do governo, propondo maneiras inovadoras de transformação das instituições.”

      É legal vc afirmar isso pq estudiosos da imprensa constatam a mesma coisa, o que, convenhamos, não é nada de extraordinário. Em uma democracia de massa, a imprensa assume invarialvelmente o papel de palco, de arena publica das disputas políticas. E isso acontece porque não há política, e mais especificamente política eleitoral, sem visibilidade e imagem.Ora, a política é feita para os eleitores e para eles que os políticos falam na imprensa. E não é bom que seja assim? Ou vc preferiria que as disputas não fossem cobertas e os políticos discussem apenas entre si? É através da imprensa que temos a possibilidade, diante das dificuldades estruturais, de participar do debate público. É através da imprensa que as disputas de opinião são travadas, é a ela que recorremos informações para formação de nossas opiniões. Isso é um poder muito grande e preocupante pq a mídia, que em tese seria apenas arena, é também ator social, com seus próprios interesses e posições na disputa por poder.

      Por isso que nós, da comunicação, alertamos tanto pra situação calamitosa da comunicação no Brasil.Para a concentração dos meios na mão de meia dúzia de família. Pq não há democracia de massa sem imprensa livre, plural, desconcentrada, e que dê conta dos diferentes grupos sociais envolvidos na disputa publica. O direto á comunicação é direito é cidadania. E somos sumariamente privados desse direito por conta de políticas que valorizam cada vez menos a comunicação comunitária (pequenas rádios, jornais e emissoras de tv) em prol da comunicação industrial(grande mídia). Mais uma vez o Estado serve ao poder hegemônico. O Estado é uma mãe para grandes emissoras.

      Isso tudo que eu disse, no entanto, vem pra mostrar que não é culpa SÓ da imprensa que o debate público é feito por meio de escândalos. São os políticos os agentes dos escandalos e os principais propagadores. São eles que escolhem debater publicamente escândalo em vez de projetos.

      “Eu vejo dois problemas: o primeiro é que publicar escândalos não é promover debate. Esse exemplo do Sarney deixa isso bem claro – são publicados escândalos do presidente do Senado, surgem diversos manifestos contra a instituição, mas onde estão os colunistas refletindo sobre o papel do Senado? Cade os jornais debatendo a atuação política dos senadores?

      Concordo com vc. Mas essa pode ser uma visão meio elitista da mídia. Será que as pessoas querem de fato ler análises sobre o papel do Senado? Será que isso vende? Será que o povo brasileiro se interessa por esse tipo de jornalismo? Talvez sim. Mas os números mostram que não. Talvez a própria lógica produtiva e mercadológica da grande mídia impeça isso.

      A mídia acaba sendo tão “escandalosa” que traz idéias como fechar o Senado ou promover demissão coletiva sem uma maior reflexão sobre as consequencias disso.”

      Mais uma vez, será que não é próprio debate que é desqualificado?Será que os intelectuais e atores políticos tem feito essas reflexões para além da mídia? Lembremos que um dos primeiros a ocupar a mídia para pedir demissão coletiva dos Senadores foi um dos representantes da OAB.

      Não estou defendendo a imprensa. Aliás sou um dos primeiros a criticá-la. Mas é preciso tomar cuidado para não ver a mídia como toda poderosa, como onipotente, como capaz de cometer todo tipo de manipulações e alcançar tudo que deseja. Não podemos culpar a imprensa pelas mazelas do nosso debate desqualificado, por tdos os problemas da opinião pública, ou pela situação deplorável da nossa política. A mídia tem muito menos poder do que as pessoas imaginam…Um povo educado, por exemplo, é muito menos suscetível á ataques midiáticos. Pena que nem todo mundo acredita nisso!

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