Na Terra do Frevo e do Maracatu

Indo passar as férias em Pernambuco, estava curiosa para conhecer o estado onde a aprovação do governo Lula é a maior do Brasil – cerca de 80% dos pernambucanos aprovam a atuação do presidente. Perguntei a diversos locais de onde vinha todo este entusiasmo e fiquei bastante intrigada com as respostas que recebi. Em quase todas elas, aparecia uma palavra em comum: Desenvolvimento. As pessoas falaram que Lula trouxe o desenvolvimento para o estado, que Pernambuco se desenvolveu nos últimos oito anos.

E sempre que eu ouvia a palavra Desenvolvimento, perguntava como o estado estava se desenvolvendo – queria, na verdade, tentar identificar o que essas pessoas entendiam por desenvolvimento. Muitas citaram as novas estradas sendo construídas e a Universidade Federal construída no sertão, para que as pessoas não precisem mais ir ate a capital completar seus estudos. Mas todos os pernambucanos, quando comentaram acerca do desenvolvimento do estado, falaram da mesma forca-motriz que provocou essa movimentação: o turismo.

Evidentemente, as respostas seriam diversas se eu estivesse no sertão ou no agreste – que, juntos, respondem por cerca de 85% do território de Pernambuco. Afinal, a quase totalidade dos turistas que chegam aqui tem o destino único de Porto de Galinhas, no litoral. Mas, ainda assim, e impressionante como o turismo e forte e afeta diretamente a vida dos locais.

Um estudo realizado pela UFPE demonstra que cada turista gera, direta ou indiretamente, sete empregos. E, de fato, o litoral pernambucano parece muito engajado com a fomentação do turismo. A rede hoteleira esta bem estruturada, ha muitos restaurantes e bares e são oferecidos diversos passeios as praias daqui. Não sem motivo, portanto, o turismo em breve vai ultrapassar a indústria, para ocupar a segunda economia do estado, atrás apenas da cana-de-açúcar.

E é bastante empolgante ver a forma como esse turismo esta se desenvolvendo por aqui. Os pernambucanos estão envolvidos no processo e parecem comprometidos com a causa. Muitos foram os que falaram que o desenvolvimento havia chegado em Pernambuco porque agora eles não tinham apenas a opção de ser bóia-fria e trabalhar cortando cana. Com o turismo tão efervescente, eles podem abrir uma casa de forro, pintar azulejo na praia, fazer artesanato com coco, ser recepcionista em hotel ou montar uma loja de conveniência.

Diversas são as excursões diárias a Recife e Olinda, quando e possível conhecer a historia e cultura locais. Os turistas vão a shows de frevo e maracatu, visitam o Marco Zero, ouvem as historias da expulsão dos holandeses e passam pela primeira sinagoga das Américas. Na casa da cultura, e possível ler sobre os grandes Abolicionistas – Joaquim Nabuco, João Alfredo e Frei Caneca. Enfim, um turismo voltado não só para as belezas naturais, mas também para a cultura que o local tem a oferecer.

Bem interessante ver o impacto que o turismo bem feito tem numa região. E também perceber como a própria população, quando envolvida no processo, pode se beneficiar com a atividade, reconhecendo nela, inclusive, uma forma de desenvolvimento.

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3 respostas em “Na Terra do Frevo e do Maracatu

  1. Mayra,
    Essa questão do turismo é realmente fundamental para a discussão sobre desenvolvimento.
    No entanto, uma pergunta é essencial: se queremos nos desenvolver, que tipo de turismo devemos incentivar?
    Reitero meu argumento de que questões específicas, tais como olimpíadas (ou, no caso, turismo) devem refletir o projeto de desenvolvimento do país.
    Me refiro, principalmente, aos efeitos danosos trazidos por certos “turismos”, que em nada contribuem para nosso desenvolvimento. Cito o exemplo do turismo sexual, especialmente no Nordeste. Os gringos podem até deixar seus dólares (euros) por aqui… mas também alimentam um ciclo nefasto, em que pequenas garotas são obrigadas a abandonar a infância para se tornarem prostitutas.
    É um tema, sem dúvida, muito interessante. Servirá de ideia para um futuro post!

  2. É certo que o Brasil possui imensas capacidades ociosas para oferecer ao mundo destinos turísticos espetaculares. Fomos abençoados com paisagens naturais e um clima que são desejados por todo o mundo.
    O Nordeste tem conseguido ser uma porta de entrada para o turista estrangeiro no Brasil, de uma forma que apenas o Rio de Janeiro conseguia anteriormente.
    Isso pode ser bom para a região, trazendo recursos que auxiliam o seu desenvolvimento, mas ao mesmo tempo pode gerar mero enriquecimento daqueles que controlam os grandes esquemas turísticos – os resorts, complexos hoteleiros e empresas de viagem.
    Uma vocação turística para o desenvolvimento deve partir do envolvimento da população, e permitir a participação das comunidades nos resultados do turismo. De nada adianta um turismo pasteurizado, que limpe fachadas e centros de grande circulação, enquanto varre pobreza e marginalidade para deaixo do tapete.
    Infelizmente, minha visão sobre o turismo no Nordeste é que ele não vende brasilidade ou a cultura brasileira. Ele vende as praias, as mulheres e o clima, mas filtra a população e a cultura, criando um mundo “pra inglês ver”.
    Acho que só uma estratégia de educação, aliada a conscientização e valorização da brasilidade e da peculiaridade cultural de cada região e de cada comunidade pode trazer resultados bons, dignos da palavra desenvolvimento. Até lá, só vejo uma reprodução da velha indústria exportadora.

  3. Pingback: Fique por dentro Frevo » Blog Archive » Na Terra do Frevo e do Maracatu « Brasil e Desenvolvimento

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