Democracia Empresarial

O Mundo empresarial está mudando. E isso não é um fenômeno tão recente quanto alguns podem pensar. Empresas como a Google e a Semco que o digam. A própria idéia de “lucro primeiro, felicidade depois” está sendo revista por empresários de grande porte. As empresas com novo perfil têm em comum os horários flexíveis, a possibilidade de se divertir, relaxar e até dormir no local de trabalho, além de uma administração que leva em conta a individualidade de cada um, a forma como cada um consegue produzir. É a adoração à autenticidade. Em ambas as empresas retrocitadas as novas idéias vem aos montes e o “patrão” somente coordena os novos projetos.

Ricardo Semler é um dos visionários desse novo protagonismo empresarial. Brasileiro, professor de MIT, Harvard e de uma escola rural para crianças no interior de São Paulo, ele defende a gestão democrática. Nela, o próprio subordinado elege seu “patrão”. Na empresa de Semler, a Semco,  o indivíduo não tem horários fixos, mas sim metas específicas que são, surpreendentemente, escolhidas pelo próprio trabalhador. Perguntado sobre a eficiência, ou melhor, deficiência que essa falta de liderança instituída gera, Semler diz que o lucro não é nem deve ser o foco principal da atividade empresarial e, ao passo que em algumas ONGs, fundações ou até instituições filantrópicas seu discurso parece normal, diria que lembra até o senso comum, no mundo empresarial essa perspectiva vai de encontro frontal com toda a ideologia capitalista de busca incessante por lucro.

O modelo da empresa de Semler lembra a ideologia por trás dos trabalhos do vencedor do Prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen. A principal tese do indiano premiado é a de que o desenvolvimento deve ser medido e ter como finalidade a liberdade. Ele parte do pressuposto de que o mero aumento de renda ou do Produto Interno Bruto não mensuram o avanço de uma sociedade. A liberdade, como fim e meio, seria o escopo que a vivência moderna deve buscar. E essa liberdade não se relaciona somente com o ideal político-social, mas também com o econômico. Assim, a economia deve respaldar a possibilidade de trocas livres entre os cidadãos do mundo, sem que existam restrições que impeçam inovações ou até rupturas com o atual modelo ideológico capitalista. O que há de mais inovador nesse liame elaborado por Sen é justamente o processo que, para atingir o fim da liberdade, deve ser, também, pautado pela liberdade, tanto do empreendedor quanto de seus subordinados.

A ideologia de Sen dá enfoque especial à qualidade de vida, que é, hoje, uma das principais pautas das empresas estadunidenses. Dados empíricos são apresentados no livro de Sen “Development as Freedom” que comprovam o vínculo entre o aumento de capacidades dos indivíduos e o bem-estar. Outros, como Semler, creditam ao bem-estar a produção mais eficiente. Assim, se há uma ligação direta entre bem-estar e aumento de capacidades gerais – liberdade individual – e entre estes e uma produção mais eficiente, é imprescindível que o trabalhador se sinta livre, se sinta bem, para trabalhar. O trabalhador deve se sentir livre para escolher como e para quem trabalhar. Essa é uma idéia da empresa Google. Em artigo publicado pela globo, a empresa afirmou que não vê a fuga de funcionários como uma coisa ruim. Eles dizem que, como a empresa só busca pessoas brilhantes e que estão sempre inovando, estão sempre inquietas para criar (os funcionários da Google tem 20% do seu tempo de trabalho para trabalharem em projetos próprios) a saída da empresa é algo comum. “Se eles saíssem do Google para se aposentar aos 30 anos seria frustrante, mas não é isso o que acontece. Geralmente, vão em busca de outros grandes desafios”, disse Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil. Dá-se a idéia de que o Capitalista, o Empresário, deve atrair e, de certa forma, conquistar seu empregado.

Outros pensadores renomados, como o Professor Mangabeira Unger, trabalham essa perspectiva. O professor de Harvard diz que a famosa “terceira via” (que expõe uma alternativa aos modelos caducos do liberalismo – 1ª via – e o socialismo – 2ª) deve permitir o que é de mais peculiar na sociedade contemporânea florir: a diferença. Moldes iguais, estruturas fordistas, constituições emprestadas, pensamento imposto são soluções do passado. A nova onda do desenvolvimento – representada pelo pensamento de Sen – traz à tona a busca pelo sistema que abranja uma sociedade exausta, inquieta e pulsando pelo novo. Um “novo” que perpassa, necessariamente, uma via plural, autêntica e democrática.

Pode-se dizer que a verdadeira culpada dessas novas perspectivas é a cultura democrática que se instala nos países. Democracia entendida como participação e capacidade de decidir os rumos da vida social. É a interação entre os anseios individuais e os interesses coletivos. A vida social, seja no aspecto que for, gera um sentimento bipolar quando o trabalhador vive em uma sociedade que requer sua participação e que preza por seu engajamento e, ao mesmo tempo, o submete a um ambiente totalitário e opressor (o trabalho).

Aqueles que entendem o mercado como um ente separado da política, onde os agentes econômicos devem regular a si mesmos, buscando o lucro acima do bem-estar pessoal, podem levantar oposições. Dentre eles, alguns argumentariamn que o lucro é o código falado pelo sistema econômico, estando o bem-estar e o aumento das liberdades no campo político-social. Outros acreditam que a busca por lucro gerará bem-estar no futuro, no salário.  No entanto, estudos de Noam Chomsky e de Celso Furtado mostram que o aumento nos lucros quase nunca geram retorno para o trabalhador. Inclusive, Furtado, em seu livro Construção Interrompida, demonstra justamente o contrário. Nos anos do “milagre econômico”, enquanto as empresas aumentavam seus lucros, os trabalhadores perdiam poder aquisitivo devido à diminuição em seu salário real.

Tal perspectiva não é difícil de entender. Pensem na estrutura normal de uma empresa grande. Ela representa, de forma fiel, a sociedade desigual em que vivemos. Há um CEO e um Board of Directors que comandam a empresa. Essas pessoas representam a parcela pequena, seleta e riquíssima da sociedade. Abaixo deles, os diretores, que ganham bem, mas também não chegam aos pés do manda-chuva. Esse grupo é menos seleto, um pouco maior, mas continua concentrado na mão de poucos. Abaixo, os gerentes, abaixo deles, os sub-gerentes, até que se chega aos funcionários do mais baixo-escalão, que, aos milhares, ganham, via de regra, muito pouco e trabalham muito. E essa classe não tem nenhum dizer no rumo da empresa, apesar de estar em maior número.

Concordaria com algumas críticas que se opusessem ao modelo por falta de conhecimento do operário comum para fazer escolhas complexas. O operário comum no Brasil, segundo dados fornecidos pelo professor Victor Russomano, tem nível de escolaridade baixíssima –  primeiro grau incompleto. Ou seja, eles, via de regra, são analfabetos funcionais. Ou seja, é perceptível que o Estado não cumpre seu dever de dar aos cidadãos capacidades plenas do exercício da cidadania: não há cidadania sem educação.

Contudo, seria falacioso o argumento de que  um operário sem conhecimento específico não tem a contribuir com as decisões da empresa. E mais, acredito que o capitalista se beneficiaria mais do que cogita ao democratizar as decisões internas. As escolhas coletivas tendem a vincular mais aqueles que tomam a decisão. Se todos estiverem presentes no processo decisório, torna-se mais fácil a aceitação da regra.

E o dono da empresa não tem que se preocupar. Seu conhecimento certamente imporá respeito, e sua fala estará carregada de símbolos que serão bastante convincentes no que tange às situações específicas sobre as quais ele detém conhecimento. Ele (o dono da empresa) deve aprender a escutar, a ceder, e a mudar seu ponto de vista também.

 A sociedade que desejamos ter, com ampla participação e uma democracia efetiva, deve estar pautada no diálogo, na preocupação com o outro. E as empresas devem estar atentas a isso. Até o liberal mais ferrenho reconhece a influência da política e do Estado sobre o indivíduo. Em uma cultura efetivamente democrática, que é o objetivo primordial do Estado Democrático de Direito, a participação e o engajamento nas decisões políticas levam o indivíduo a estranhar um ambiente que não o escute ou o consulte quanto a decisões importantes. Isso porque ele estará acostumado a tomar decisões que afetam a vida de todos os seus concidadãos. Assim, restam-se infrutíferas as práticas exploradoras e dominadoras do capital

Nesse contexto, o operador do direito não deve ficar para trás. Empresas como as mencionadas acima são só as mais conhecidas que utilizam esse novo prospectus. A tendência é um aumento brutal do tipo de gestão administrativa que leva em conta a felicidade, a qualidade de vida, e a participação efetiva de seu empregado nas decisões empresariais. Existem, inclusive, estudos que comprovam que o trabalhador feliz, descansado e relaxado produz mais e melhor, vide os números invejáveis da Google.

Os juristas que se prezam não só acompanham as inovações, como também tentam estruturá-las de forma a possibilitar o melhor desenvolvimento e consecução das mesmas. Esses novos aspectos supracitados devem trazer à tona novos estatutos e novas leis empresariais. Os conceitos de monopólio, de cartel, de fraude deverão ser revisitados, à luz do princípio que guia toda a Constituição: a dignidade da pessoa humana.

É importante que os escritórios de advocacia estejam a par de qualquer mudança no mundo empresarial, mas especialmente uma que abarque transformação tão drástica. Quanto mais o homem for livre, quanto mais a legislação exigir essa conduta e quanto mais esse ideal for efetivado, mais o empresário terá que atrair mão de obra por razões outras que a necessidade de renda.

Advogados de empresas de pequeno e médio porte devem ser os mais afetados pelas inovações a curto prazo. E isso se deve a diversas razões. As empresas multinacionais possuem marca, nome e atraem o trabalhador, muitas vezes por esses atributos. Além do mais, elas procuram locais em que a mão de obra é extremamente barata e passível de exploração. Foi assim que aconteceu em Taiwan, na China, na Índia, no Brasil e em outros países em que os Direitos Humanos foram deixados de lado em prol do benefício econômico de um grupo seleto. O fato de um país permitir a exploração exagerada da mão de obra geralmente atrai o olho capitalista que visa lucro acima de tudo. Pode não ser interessante, por exemplo, a uma fabricante de tênis, que explora trabalhadores na China e em Taiwan, que haja novos rumos em sua filosofia empresarial.

Não se negocia com Direitos Humanos e, por isso, não se compete de igual para igual com quem o despreza. Assim, é possível que a ideologia libertária não atinja uma estrutura dessas a curto prazo.

Apesar disso, não é mistério algum que no mundo empresarial a sobrevivência está necessariamente atrelada à adaptação. É o conceito de competição. Em um regime democrático pleno, onde as capacidades gerais individuais são elevadas, e os indivíduos possuem capacidades reais de consecução de seus objetivos, a economia de mercado registraria seu maior grau de competição. Ou seja, se o desenho institucional político der indícios de que ele deve seguir essa tendência, é possível que haja mudanças no mercado e, por conseguinte, até nas multinacionais.

Autores como Celso Furtado entendem que as multinacionais são beneficiadas pelo processo de Globalização neoliberal, não restando espaço para o pequeno e médio empresário e muito menos para inovações nas estruturas de mercado. A perspectiva libertária e emancipatória é contrária ao viés “globalizante” do neoliberalismo, onde todos devem se adequar a uma estrutura pré-concebida e estipulada “de cima para baixo”. A idéia é sobrepor os valores como a liberdade e a igualdade à vontade de lucro e permitir a autenticidade, originalidade e diferennça do status quo.

Logo, empresas familiares ou que não detêm tanto destaque no cenário mundial, estão mais suscetíveis às mudanças estruturais da política. Nessas empresas, normalmente, o dono também está mais próximo de seu operário e é mais capaz de travar um diálogo, dando ao processo de inclusão uma dinâmica mais rica e mais capaz de sucesso.  Até porque, em alguns casos, o dono sente a necessidade de “chacoalhar” a estrutura para que ela se sustente e evite a falência. Empresas com tais necessidades são as mais comuns dentro do Brasil. O sucesso, infelizmente, continua sendo a exceção.

Nesse diapasão, o pequeno e médio empresário que, segundo Furtado, são excluídos do processo globalizante, buscam soluções novas, buscam novas formas de sobreviver, passando, necessariamente, por uma análise e sensibilidade ao ambiente político, tendo em vista a grande influência que este último possui na vida econômica.

As mudanças nem sempre ocorrem rapidamente e não é possível prever como e para onde vamos antes da mudança em si. Entretanto, no contexto político-social que vivemos, parece ser insustentável a estrutura que exclui, que oprime e que causa claustrofobia aos anseios individuais. O trabalhador deve ser senhor de seu destino, sem a restrição opressora de quem possui mais dinheiro.

 

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20 respostas em “Democracia Empresarial

  1. Capela, quanto à experiência de Ricardo Semler e do Google, destaco quatro pontos:

    1) A melhora da qualidade das condições de trabalho (pela melhor acomodação às preferências de cada trabalhador) gerou aumento do lucro na SEMCO. E a relativa democratização que ocorreu na empresa também faz o trabalhador se identificar mais com a empresa, o que é mais um estímulo para que trabalhe bem. Ou seja, o interesse do trabalhador e o da empresa nem sempre são contrários.

    2) A cultura empresarial que Semler adotou na SEMCO e que propaga em seus livros e palestras é bastante promissora. A cultura é a de que a empresa volta-se não só para o próprio lucro, mas também para sua função social. Claro que a empresa, ao prestar um serviço, está cumprindo função social. Essa função é tão mais bem cumprida quanto melhor a qualidade e acessibilidade (preço) do serviço prestado. E isso gera lucro para o empresário. Essa função só será cumprida, porém, com a promoção do bem-estar dos trabalhadores. E a experiência da SEMCO parece mostrar que esse bem-estar, por sua vez, contribui para o aumento dos lucros. Se a cultura empresarial em geral se der conta disso, poderemos avançar muito tanto na melhora das condições de trabalho como na da produtividade.

    3) O interesse do trabalhador e o da empresa nem sempre são contrários. A experiência da SEMCO mostra que podem ser bastante convergentes. É importante, porém, não idealizar: na própria SEMCO, as coisas não acontecem exatamente como prega e deseja Semler (ele mesmo reconhece isso). Há pessoas que trabalharam no Google e afirmam que lá não chega a ser o paraíso que a empresa vende, e que faz parte inclusive de seu marketing. A matéria linkada mostra, por outro lado, que mesmo os críticos não negam as condições privilegiadas de trabalho no Google. Em muitas situações, porém, o lucro da empresa poderá contrapor-se ao interesse do empregado. O importante é imaginar e experimentar (como fez a SEMCO, com sua bem-sucedida ousadia) mecanismos que promovam a convergência entre os dois legítimos interesses.

    4) Imaginar e experimentar são imprescindíveis ao desenvolvimento, e não cabem apenas às instituições estatais. A transformação cultural, que leva a novas práticas na empresa, na educação e em outros âmbitos, é responsabilidade de todos: está a cargo de nossa criatividade e disposição para ousar.

  2. Quem já teve experiência de trabalho no setor privado (e também no setor público, em escalas distintas), percebe que ainda há muito a evoluir no reconhecimento da importância do trabalhador. Frequentemente, relaciona-se “oportunidade” com a criação de estruturas de crescimento dentro da empresa, porém sem valorização dos anseios e necessidades mais próximas dos empregados. É o velho teorema do longo prazo: se você se esforçar e fizer tudo direito, no longo prazo, poderá estar no topo da cadeia.

    Não quero, com esse argumento, desprezar o papel da liderança, mas assentar que não há o que justifique o imenso abismo que se instala entre os dirigentes (diretores/CEOs) de seus colaboradores (tanto em termos de remuneração como de capacidade de influenciar o desenvolvimento da empresa). Há estudos que demonstram que a inovação, variável importante para o crescimento econômico, é afetada mais diretamente por desafios individuais e vontades de superação subjetivas, que por políticas empresariais desvinculadas do agente inovador.

    Gostaria de destacar que, no Brasil, além da concentração de poder interna, dentro da empresa, ainda vemos uma imensa concentração de poder externa – por meio da concentração do poder de controle acionário. As distorções desse sistema também são graves e refletem, em nosso país, a política de crescimento econômico promovida nas décadas de 60 e 70, em ambiente reconhecidamente anti-democrático. Se as políticas públicas daquele período tiveram a capacidade de articular instituições econômicas – há claras indicações de que o processo de concentração de poder na empresa brasileira era sabido e desejado, especialmente no período do II PND – certamente um regime democrático também tem o poder de articular essas instituições para estimular novas configurações empresariais.

    Acredito que a falta de políticas públicas nesse sentido refletem defeitos do processo democrático brasileiro, que precisam ser corrigidas da melhor forma democrática – de baixo pra cima. À medida que geramos consciência crítica do papel do Estado e das conseqüências de sua atuação, é provável que vejamos mudanças no cenário corporativo. Mais uma vez, voltamos à educação e à cidadania.

    Escritórios de advocacia brasileiros, especialmente, me parecem bastante atrasados em relação ao tema. Chegaram ao Fordismo apenas na década de 70/80 e ainda não parecem estar dispostos a contestar essa estrutura. Acho que o momento de mudanças virá e que em breve assistiremos à sobrevivência apenas daqueles que conseguirem se adaptar a novas formas de organização.

    Agora respondendo ao Telésforo, quanto ao Google. Certamente é possível encontrar pontos de crítica no Google e é provável que algum empregado também não se tenha integrado à SEMCO. Monitoramento de empregados, como relatado, é algo que está presente em praticamente todos grandes grupos empresariais. Pode ser uma área ainda deficitária em termos de “humanização” dentro do Google, mas não me parece suficiente para afastar a idéia de que os processos de administração de pessoal dessa empresa não estejam extraordinariamente avançados, na perspectiva exposta pelo post.

    É isso aí. Ousemos!

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  4. Olá Capela, o seu texto está muito bom. Só tem alguns aspectos que gostaria de salientar.

    1) Não ficou clara a correlação entre os conceitos de liberdade e capitalismo. No texto você os tratou como conceitos conflitantes ou até mesmo opostos. Porém, pela teoria capitalista, a liberdade e o capitalismo são inerentes entre si. Não existe capitalismo sem liberdade. Os dois conceitos andam juntos. São inseparáveis. Se você identificar algum regime que não predomine a liberdade, ele não é capitalista. Poderíamos dizer que são diretamente proporcionais. Quanto mais capitalismo, mais liberdade. Aliás, o livro base do neoliberalismo se chama “Capitalismo e Liberdade” de Milton Friedman. Segue um trecho dele: “A essência da filosofia liberal é a crença na dignidade do indivíduo, em sua liberdade de usar ao máximo suas capacidades e oportunidades de acordo com as suas próprias escolhas, sujeito somente à obrigação de não interferir com a liberdade de outros indivíduos fazerem o mesmo”. Milton Friedman.

    2) Vocè diz que algumas empresas atuais estão preocupadas com sua função social e não pensam apenas em lucro e cita o google como exemplo. Não compartilho com essa visão. O objetivo das empresas semprem foram e sempre serão a busca de lucro. O novo paradigma da administração trás apenas novos métodos (meios) para se alcançar esse fim. A nova teoria de recursos humanos (teoria humanista) acredita que quanto mais satisfeito estiver o funcionário e quanto maior sua qualidade de vida, maior será sua produtividade e maior será o lucro da empresa. Portanto, no final, o objetivo é sempre o lucro. Até porque a empresa tem que prestar contas a seus milhões de acionistas, que investiram nas suas ações objetivando o lucro.

    3) Em determinado trecho você afirma que não há transferência de renda com o crescimento econômico. Isso ocorre apenas em países não democráticos. Em democracias a transferência de renda é quase que automática. As forças distributivas vem da liberdade de associação sindical, por isso um princípio básico do liberalismo é a liberdade de reivindicar.

    4) O último ponto que gostaria de destacar é quando você afirma que o contato das pequenas empresas com multinacionais diminui a inovação das empresas. Isso vai de encontro à teoria da inovação formulada por Schumpeter. Este autor, referência teórica no estudo da inovação, defende que só há inovação com concorrência. As empresas não tem incentivo de innovar se não sofrem competição. Estudos econométricos já provam que os países mais innovadores são aqueles mais abertos ao comércio internacional e à competitividade global.

    Grande abraço

  5. Grande Capela!

    Seu texto, realmente, cresceu bastante! =P
    Poderia fazer mais 500 mil comentários, mas sua conclusão me chamou atenção para algo que vc foi abordando ao longo do texto:

    “O trabalhador deve ser senhor de seu destino, sem a restrição opressora de quem possui mais dinheiro”.

    Como se falar em opressão, quando ninguém é obrigado a trabalhar? Se o trabalhador não estiver satisfeito com a “opressão” do “capitalista”, pode arrumar suas trouxas e procurar novo emprego, pode denunciar a empresa, processar o dono, nosso ordenamento é cheio de instrumentos para a defesa de direitos. O que acho, de certa forma, repugnante é se cuspir no prato que come.

    Lembre-se, caro Capela, o mundo, antes da Revolução Industrial não era o paraíso, mas, ao contrário, o inferno. A igualdade na época era a miséria. A riqueza precisa ser produzida, e para isso, faz-se necessário o trabalho. Logo, se os miseráveis, que só força física, geralmente, tem a oferecer, quiserem sair dessa condição, deverão trabalhar. No Brasil o máximo são 8 horas, o que não me parece, de forma alguma, exagerado. Com sorte seus filhos poderão estudar e ter algo além da força física a oferecer, podendo sonhar com salários maiores. O mundo É desigual, e sempre o será, porque feito de pessoas, desiguais, e sempre serão.

  6. Não acho muito legal ficar respondendo comentários. Minha opinião já está aí, ela está no texto. Mas claro que o que eu escrevo nem sempre reflete o que penso. Por isso, acho importante responder algumas indagações do Thiago.

    Primeiro, eu não tive a intenção de fazer uma oposição entre liberadde e capitalismo não. Pensei que isso ficou claro porque não propus outro sistema produtivo. Disse que a intenção capitalista, como é pensada normalmente, como você mesmo disse: o lucro, é algo que deve mudar. O que quero dizer com isso? Vivemos em sociedade, temos objetivos individuais e sociais. Acredito que nossos anseios individuais não deveriam poder passar por cima dos interesses de outros(também individuais) ou até dos interesses sociais. Não defendo, tampouco, que os interesses sociais estejam acima, mas acredito que é importante haver um equilíbiro. A busca incessante por lucro, pelo que demonstram autores como Sen, Furtado, Chomsky e até Misen, acaba por gerar não só desigualdades como exploração. A contraposição é entre a liberdade e a opressão do capital, do pensamento”lucro primeiro, pessoas depois”, como Chomsky diz.

    Segundo, acho que você tem razão quanto à Google. As mudanças dentro da empresa se preocupam com o trabalhador com o intuito de gerar lucro mesmo. É uma forma de melhorar o empenho da empresa e não uma preocupação legítima com o ser humano. Na verdade, um puxa o outro: o lucro vem do bem-estar, então vamos dar bem-estar. Mas isso é um achismo. Não sei se essa é a filosofia da empresa, pois eles pregam diferente, mas acho que é possível concordar com você. Já a Semco, que é uma empresa brasileira, o dono mesmo diz que o lucro não é seu principal objetivo. Eu creio que futuramente, o lucro será algo almejado, como você diz, mas não será a principal reivindicação de muitas empresas. Mas isso também é opinião, posso estar errado.

    A terceira questão pode ser confrontada por dados no livro de Amartya Sen e de Celso Furtado, para não citar o Chomsky que pode ser muito radical. Ambos os autores dizem que países democráticos, como os EUA e a Inglaterra tiveram ganhos no PIB que não refletiam no ganho real de salário dos trabalhadores. Enquanto isso, o empresário triplicava seu lucro. Não restam dúvidas que o bolo tem crescido bastante e que, por isso, as migalhas que sobram são bem maiores. Não posso discordar disso. Discordo que um senhor possa ter 5 ferraris enquanto outra pessoa dentro da mesma empresa sequer possa comer. E sim, isso acontece com uma empresa dentro de uma Democracia, chamada Nike.

    A última questão que você levanta é muito controversial. Tnho textos do atual presidente do CADE, Paulo Furquim, e de Elizabeth Farina que dizem o contrário do que você diz. Outro texto, de Stefan Voigt diz que Schumpeter entendia que as empresas que detêm o monopólio são mais capazes de inovação, cito”Schumpeter(1942) famously claimed that monopolistic firms are more innovative because theyface looser financial restrictions and because they will be able to cash in on their innovations more sweepingly than smaller firms with small or even negligible market shares.” Não sei se concordo com Schumpeter, mas os textos (de Furquim e do Italiano Voigt) dizem que não existem dados que vinculam um mercado competitivo à inovação. Não há como afirmar se a competição gera o novo, pelo que eles dizem. Tenho ambos os textos e posso te emprestar.

    Espero ter resolvido alguns problemas que a linguagem providencia, mas aqueles que advém das minhas incapacidades mentais precisam de mais tempo para solução.

    Att.

    Gustavo

  7. Gustavo,

    obrigado por me responder tão prontamente. Sempre é bom encontrarmos pessoas abertas ao diálogo e à troca de informação. Claro que temos pontos de vistas diferentes, mas achei seus comentários bem relevantes.

    Quando citei Schumpeter, me referi à famosa teoria da destruição criativa. Mas esse debate não pode se restringir aos argumentos teóricos, proponho trazer experiências empíricas. Vejamos o caso do Japão, que desenvolveu novos métodos produtivos, como o just-in-time, ao tentar ampliar sua competição no mercado internacional; esse é o mesmo caso da Coréia do Sul, que ao se inserir no comércio internacional e participar de um mercado competitivo foi forçada a inovar. Podemos falar também do Brasil e compararmos nossos produtos antes e depois da abertura comercial feita pelo Governo Collor. Podemos ver exemplos contrários, como o caso da França que está passando por um processo de defasagem tecnológica e competitiva devido ao seu protecionismo.

    Existem diversos trabalhos na UnB, no curso de relações internacionais, que relacionam matematicamente, abertura econômica e competitivade, incusive escrevi um deles. Esses trabalhos se desenvolvem sobre a orientação da Profa. Maria Helena, pós-doutora em política comparada. Ela tem um estudo muito interessante que trata da evolução da competitividade do setor de álcool do Brasil nas últimas décadas. Basicamente nosso método consiste em isolar duas variáveis ( no caso, concorrência e inovação) e provar com métodos estatísticos a correlação entre essas duas variáveis. É uma experiência bem interessante.

    Enfim, não consigo vislumbrar como uma empresa que está num mercado fechado e não competitivo, pode ter incentivos para inovar. Não consigo enxergar possibilidades teóricas, nem empíricas.

    Grande abraço.

  8. Thiago,

    A idéia do blog é justamente o diálogo. Não nos pretendemos donos da verdade e sabemos que todo discurso está revestido de alguma ideologia. Logo, o embate de idéia é sempre bem vindo e, com ele, você contribui muito para nossa formação como grupo. Obrigado!

    Quanto às suas questões, novamente tenho algumas discordâncias a serem levantadas.

    Os “fatores empíricos”, que você citou, são questionáveis. Por exemplo, já li liberais que defendem, como você, o Japão e a Coréia como exemplos de mercado aberto e competitivo e também já li intervencionistas que citam os mesmos países como exemplos justamente pela não submissão às imposições neoliberais do mundo rico. Claro, existem argumentos para ambos os lados, mas os dados, principalmente nos EUA e no Japão, apontam para uma crescente intervenção do Estado na economia desde a segunda guerra. Inclusive, o governo de Reagan aumentou consideravelmente a porcentagem de participação do Estado na vida econômica. Em algum lugar eu tenho esses dados. Tentarei disponibilizá-los mais tarde

    Quanto aos trabalhos que relacionam a competitividade com a inovação, gostaria de lê-los, você tem acesso? A minha intuição dizia que a competição realmente é importante para inovar, mas fui convencido do contrário pelos textos de economistas que considero bastante relevantes, como o Furquim. Enfim, se puder disponibilizar os trabalhos, ficaria bastante grato.

    Att,

    Gustavo

  9. Claro que sim, vou procurá-los e te envio.

    De fato, o modelo de desenvolvimento de Japão e Coréia não é liberal. Através dos chaebols da Coréia e dos keyretsus japoneses, os governos desses países mantiveram forte intervenção na economia. Relmente os economistas desenvolvimentistas sempre os citam como modelo de sucesso keynesianista. Porém esse argumento perdeu força com a estagnação econômica do Japão e a crise da Coréia.

    Quando citei Japão e Coréia foi para tratar da relação entre concorrência internacional e aumento da inovação, pois esses países são grandes exemplos.

    Vamos mantendo sempre o diálogo. Saúdo este grupo pela iniciativa.

    Grande abraço.

  10. Calma lá Capela,

    O governo Reagan não aumentou consideravelmente a participação do estado na economia não. Ele aumentou os gastos públicos, mas não na contratação aleatória e asistêmica que vemos no governo Lula. Os gastos aumentaram muito devido aos aumentos com os gastos na modernização do exército americano. O que foi crucial para a desestabilização da combalida URSS.

    Mais um pouco sobre Reagan:

    “Sua política econômica ficou conhecida como “Reaganomics”, e consistia basicamente em redução de impostos, desregulamentação e maiores gastos com defesa. Quando assumiu o poder, a inflação estava em dois dígitos, próxima dos 12% ao ano. A firme atuação de Paul Volcker no Federal Reserve, apoiada por Reagan, foi fundamental para conter a espiral inflacionária. Houve uma fase necessária de ajuste, como a ressaca inevitável de um bêbado, mas logo depois o país entrou num período de sete anos de crescimento ininterrupto. A retomada do crescimento econômico gerou quase 20 milhões de novos postos de emprego, e Reagan dizia que não há melhor programa social que o emprego. O propósito de um programa de governo deveria ser justamente eliminar a necessidade de sua própria existência, o oposto do que ocorre no assistencialismo do welfare state. O objetivo de seu governo era criar um ambiente estimulante para a energia criativa dos empreendedores. Uma de suas primeiras medidas foi acabar com o controle de preços da gasolina, vigente por uma década. Isso contribuiu muito para o fim da crise de energia. Ele condenava o protecionismo, considerando a abertura comercial uma grande força americana, enquanto muitos temiam a “invasão” dos produtos importados. O grande erro econômico de Reagan foi não ter cortado os gastos públicos. Na verdade, a dívida pública triplicou durante seu mandato. Este foi, sem dúvida, seu grande pecado como presidente, ainda que seja muito mais fácil criticar do que fazer.

    Quando seu plano estratégico de defesa na guerra fria foi anunciado, seus críticos logo o apelidaram de “Guerra nas Estrelas”, por causa do famoso filme de mesmo nome. No entanto, o tempo mostrou que o plano fazia sentido, e os soviéticos ficaram pressionados por não terem a menor condição de acompanhar a escalada de investimentos militares. Isso fez com que Thatcher concluísse que Reagan venceu a guerra fria sem disparar um único tiro. Quem credita Gorbachev em vez de Reagan pelo colapso comunista o faz ou por má fé ou por ignorância. O líder soviético, apoiado pelo Politburo, objetivava, na verdade, salvar o regime falido. Foi Reagan que, com seu programa militar, colocou de vez um ponto final na guerra fria, levando à queda do muro de Berlim em 1989, assim como à democratização de várias ditaduras, principalmente na América Latina. Reagan deu o empurrão final no regime que vinha desmoronando por suas próprias falhas intrínsecas”.

    http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2007/06/reagan-um-grande-lder.html

  11. Caro Gustavo,

    Li os textos e comentários e, infelizmente, tenho apenas 6 minutos para qualquer intervenção. Como acredito que seu texto e sua honestidade intelectual merecem atenção e muito respeito, vou passar o texto para o Word e destacar meus comentários. Logo após, será enviado ao seu e-mail.

    De qualquer modo, começo com algumas observações e provocações:

    1- Apenas reforçar mais uma vez que Schumpeter não argumenta que quanto menos concorrência mais possibilidade de inovação ou o contrário. Sei que você não quis dizer isso, mas apenas para reforçar, a percepção schumpeteriana de competição ocorre, em um exemplo prático, dentro do mercado oligopolista japonês. É uma destruição criadora que se dá por meio do favorecimento do acúmulo de capital por algumas grandes empresas.

    2-Faço aqui uma PROVOCAÇÃO hayekiana. Nos tempos de glória, quando Hayek visitou a UnB, ele atentou para o perigo do termo “social”. eis aqui um adjetivo que esvazia de sentido seus substantivos. O que é função social? o que é interesse social? No seu último comentário a palavra “coletivo” parece entrar bem no lugar. é esse o propósito?

    3-Você diz não falar em um sistema alternativo ao capitalismo. Mas parece flertar muito com a dita terceira via. Estou certo em meu juízo?

    Abraços

  12. André,

    Meu email é gustavocapela@gmail.com, pode mandar quando quiser. Acho legal também os comentários aqui, pois assim mais pessoas podem interagir e dar suas opiniões, mas fica a seu critério.

    Vou tentar responder algumas indagações suas.

    1) Realmente, pelo que li de Schumpeter, ele não vincula à falta de competitividade uma maior capacidade de inovar. O que eu disse é que não existem dados que comprovam o contrário também e que, inclusive, conforme a citação mencionada no meu primeiro comentário, ele diz que em alguns casos uma economia revestidas de monopólios é capaz de inovar. O que quero dizer com isso? Que tanto a competição quanto a falta dela são capazes de gerar inovações e que não existem dados, que eu conheça pelo menos, que vinculam a competitividade com a inovação. Posso estar equivocado, mas entendi assim.

    2) Eu concordo com o argumento de Hayek citado por você. A palavra social, nacional, coletivo, assim como qualquer outra que possa ser utilizada para “naturalizar” a existência de um ser individual é perigosa. Acredit muito na idéia de Sartre, Heidegger e Kierkegaard de que há uma relação singular-singularíssima do ser humano para com o mundo, o social, o coletivo, etc, são palavras revestidas de sentidos que podem afetar essa característica do ser(a singularidade). No entanto, defendo que o social, como conjunto de relações individuais, mas também como ente abstrato e separado do indivíduo, deve fazer parte da equação que busca uma sociedade mais justa. Ou seja, o individualismo exacerbado, assim como o socialismo exacerbado são problemáticos. Acho que é preciso ponderar ambos os lados e, no caso concreto, analisar como podemos otimizar a relação entre o indivíduo e o ente social. Essa é a tensão que permeia o Estado Democrático de Direito, qual seja o embate entre Igualdade e Liberdade.

    3) Na esteira do comentário número 2, entendo que a terceira via é uma idéia boa sim. Não estudei ela o suficiente para fazer uma defesa justa, mas entendo que ela seja uma tentativa de conciliar a singularidade com os anseios coletivos, dando ampla liberdade tanto para os movimentos sociais quanto para os grupos “não organizados” e os indivíduos.

    Não sei se fui claro, mas acho que esse debate é MUITO rico e faz parte da ideologia do grupo travar discussões e não se fechar a idéias. Agradeço pelas contribuições que em muito engradecem o blog.

    Grato,

    Gustavo

  13. http://www.secom.unb.br/entrevistas/entrevista.php?id=53

    Como eu havia afirmado no outro comentário, é preciso não idealizar o atual processo de mudanças nas relações de trabalho…

    Na matéria linkada, o prof. Bruno Maggi afirma:

    “Embora o debate internacional afirme que houve aumento da autonomia dos trabalhadores, minhas pesquisas indicam que, a rigor, é uma falsa autonomia. (…)

    Essas empresas reduzem não apenas a autonomia dos trabalhadores, mas também o direito deles. O trabalho torna-se cada vez mais precário por conta da ausência do Estado. Sabe-se que, no Brasil, existe mais de 25% de precariedade no contexto do trabalho. E esse é um índice muito alto. É a lei dos grandes atores econômicos que prevalece, enquanto o trabalhador não tem mais proteção.”

  14. Telésforo,

    Realmente não sei em que dados esse professor se embasa para afirmar categoricamente que houve perda de “autonomia” dos trabalhadores, para mim, conceito bastante difícil para se averiguado em uma pesquisa científica empírica séria.

    No entanto, por mais que fosse verdade, vemos o estado culpado duplamente. Primeiramente por obrigar as empresas a quando se formalizarem, garantir um número absurdo de privilégios aos trabalhadores sem fiscalizar, o que vira lei morta.

    Isso é duplamente perverso, pois ao invés de garantir mais “direitos” para o trabalhador, eles o perdem, como irá acontecer certamente com os estagiários, e por ser tão caro contratar trabalhadores sem qualificação, metade da população economicamente ativa do país se vê obrigada a viver na informalidade, com 0 de direitos. Então o estado atrapalha duplamente. Melhor seria que se preocupasse, antes de qualquer coisa, com a segurança, saúde e educação dessa população que com muita dificuldade arruma um bico aqui, um ali.

  15. Capela,

    Tanto Mises, principalmente, quanto Hayek criticam duramente o Schumpeter. Na verdade, parece que você e Schumpeter tem o mesmo “problema” que tanto temos debatido: a natureza humana.

    Me parece uma dúvida “non sense” você dizer que a inovação pode vir da mesma forma tanto de um ambiente de monopólio quanto de um concorrencial. Acho que se o monopólio fosse tão inovador e eficiente quanto o ambiente concorrencial, não teria havido ao redor do mundo a onda privatizante que vimos. Até nosso país. que costuma estar sempre atrasado quanto às idéias de sucesso, adotou esta política pois entendeu que quando se tem o domínio pleno, o monopólio, é da natureza humana a acomodação. Quando vc precisa ser o melhor, quando vc precisa sobreviver, superar obstáculos, vc usa a mente, a inteligência e então as inovações aparecem.

    Todo processo de desenvolvimento humano se dá através de de desequilíbrios e reequilibrações, um processo de quebras e rupturas. E para elas acontecerem, precisamos de desafio. Isso desde o nascimento. Vide Piaget e Erickson. E é por ser mais adaptado à natureza humana que o sistema concorrencial funciona muito bem, e que o sistema de monopólios, o socialismo, não funcionou.

    Abraçow

  16. Acrescentando um adendo a meu comentário anterior.

    As mudanças a que se refere o post do Capela parecem-me ser de tipo diferente das criticadas pelo professor na matéria da UnB que linkei.

    A idealização a que me refiro é a de não achar que as mudanças em curso atualmente necessariamente são majoritariamente do tipo Semco, e não do tipo precarizador de direitos. É também de não achar que a SEMCO realmente consegue fazer tudo o que Semler prega.

    Creio que é algo ainda a ser verificado, se a sociedade seguirá ou não a trilha da democratização da empresa e da valorização da singularidade de cada trabalhador. É um processo que está aberto.

  17. Telésforo,

    Acredito que as idéias do Capela são prospectivas, não constatadoras de fatos generalizados. Dá destaque a iniciativas que, implantadas por poucos, parecem estar dando resultados positivos. De um modo geral, as empresas não me parecem sensíveis a isso, conforme demonstra o texto que vc mencionou. Isso não quer dizer que mudanças estão ocorrendo e que novos patamares – em sentido inverso ao do constatado pelo professor da UnB – sejam alcançados.

    abs,

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