Como decidir?

A onda do dia é a crítica. E a crítica com bases ideológicas distintas. O desenvolvimento de um país é isso: é tentar, tentar e tentar mais uma vez, sem nunca saber  qual e onde está o rumo correto. Por isso que o melhor é se arriscar e saber que as críticas sempre vão existir. O problema é como selecionar as críticas. Ao mesmo tempo que precisamos estar abertos a elas para podermos moldar o projeto e antever problemas, não é tudo que pode abalar as estruturas. Precisa-se de convicção ao mesmo tempo em que ela(a convicção) não pode estar totalmente convicta.

 

A minha convicção não convicta é de que a educação é a base de tudo. Claro, alguns grandes personagens do cenário político concordam comigo. Talvez isso torne minha opinião mais fácil de ser defendida. Mas tenho razões para acreditar que um país, seja qual for sua procedência, só consegue traçar caminhos próprios se a população estiver educada.

 

Daí vem o primeiro problema: que educação é essa? A educação, normalmente, é vista como um processo de adquirir conhecimento através da edificação de estruturas e contratação de professores. Não acredito no método educacional utilizado no Brasil hoje e não acredito que uma reforma no ensino passe somente pela contratação de mais professores e a construção de mais escolas. Acredito que a forma como o ensino é pensado(sim, temos que pensar o que será pensado) deve ser moldado de acordo com nossas próprias tendências culturais. Claro, não vamos admitir que tais tendências sejam absolutas. Mas é preciso ser sensível, ter feeling, às peculiaridades nacionais.

 

Assim, a contratação de professores, assim como a construção de mais escolas é UM dos passos, não sendo a solução para todos nossos problemas. Seria interessante que a contratação fosse seguida de um curso de formação. O estado deve intervir para garantir que os professores entendam sua função social. E mais, devem respaldar a profissão como uma das mais importantes para o desenvolvimento nacional. Sim, os professores devem ser bem pagos e sim, os professores da rede pública. Existem muitos técnicos judiciários que não possuem tantas atribuições e sequer constituem tão ampla importância quanto um professor e ganham mais, muito mais, que um professor de ensino básico.

 

Não preciso me delongar na importância do professor que nos ensina a ler e escrever, acho que para quem estiver lendo isso, ou qualquer outra coisa, isso é óbvio. No entanto, muitos não valorizam o suficiente o processo moldador que todo professor instaura. E nesse viés, parece clara a necessidade de termos os melhores profissionais possíveis ensinando, moldando, instigando a nação. Os convidados do grupo, Arthur Badin e Paulo Furquim, ambos fizeram menção a algo comum na teoria econômica e respaldado pela psicanálise de Freud: o ser econômico busca prazeres e satisfações próprias, e as políticas públicas nada mais são que incentivos ao indivíduo para que ele aja de acordo com o intuito social.  Elevar, portanto, a remuneração de um professor da rede pública não significa somente valorizar quem já está lá, mas é incentivar a população a almejar tal cargo, é valorizar, perante a sociedade o status da profissão. Conheço várias pessoas brilhantes que deixam de lecionar até no ensino básico, médio, pela má remuneração. Alunos universitários deveriam fazer concurso para ser monitor, professor ou auxiliar das escolas públicas e não para carimbar papeis na justiça, no senado ou na presidência da república. O status quo está todo errado!

 

O mesmo pode ser dito a respeito da construção de escolas. Vimos tribunais e estruturas do poder com prédios maravilhosos, reais obras-primas da construção civil, enquanto as escolas e as próprias universidades estão cada vez mais caducas e sem estrutura física para laboratórios e centros de pesquisa. Isso, mais uma vez, vem a consolidar a idéia de que, em nosso país, a educação não é prioridade. Como enunciou Arthur Badin, os recursos do governo são escassos. Constatação que as pessoas, inclusive eu – admito – esquecem. Se há escassez, é preciso escolher e quando se escolhe, seguimos nossas prioridades.

 

O Estado brasileiro precisa estabelecer a educação como prioridade número 0. Nada positivo pode vir antes dela. Dela advém todo o resto básico para o desenvolvimento. Melhor educação significa maior prevenção quanto a doenças, significa mais possibilidades de médicos, significa maior participação democrática, significa parlamentares melhores, significa menos corrupção, menos violência, menos presos, menos pobreza, menos desigualdade, menos preconceito, etc. Sem contar os ganhos diretos, como erradicação do analfabetismo, menos violência infantil, etc.

 

No dia em que a educação deixar de ser uma bandeira partidária e for uma política de estado, o desenvolvimento virá com mais naturalidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

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9 respostas em “Como decidir?

  1. Engraçada coincidência… Hoje estava a caminho do TST para pegar uns livros pra prova que realizarei no sábado. Como sabemos, há obras (já avançadas) para construção da sede do TRF e do TSE. Pensei exatamente em como se valoriza a edificação de sedes que albergam estruturas estatais destinadas à manutenção de um dado pensamento vigente – os tribunais -, enquanto não se valorizam espaços de construção de conhecimento e de inovação, como as universidades (pensei inicialmente em universidades, mas o raciocínio pode ser levado para Educação como um todo). Meu périplo pelo SAS acabou me levando à biblioteca do TST… Não digo que um tribunal não deva ser equipado com uma boa biblioteca, mas é no mínimo estranho constatar que as mesmas condições de acesso à informação (livros novos, salas e cadeiras confortáveis, etc.) deveriam estar presentes em outros lugares, talvez mais acessíveis ao público. O triste é que a referida biblioteca não constitui apenas uma distorção ocasional, mas deriva de uma total falta de senso de prioridade frente à educação. A suntuosidade de prédios públicos, tal como a dos tribunais que mencionei serve como instrumento simbólico dessa inversão de prioridades. O professor Costa Porto referia-se a um antigo para dizer que governar é fazer escolhas. As escolhas do sistema em que vivemos atualmente estão feitas e demarcadas por prédios de linhas curvas e construídos de vidro – são as estufas do cerrado. O desafio é como mudar esse senso de prioridade.

  2. Gustavo, gostei muito do seu texto. Tenho predileção por textos em que o estômago, ou o fígado, como queira, participa da construção; claro que ele não vai falar mais alto, mas torna o texto mais autêntico, mais sincero. É como o sal, pouco, mas é o que dá sabor.

    No mais, sou um pouco cético quanto a afirmações do tipo “propositalmente, não investem na educação”. É aquela velha história de que educação é instrumento emancipatório e, portanto, repudiada pelas políticas públicas. Acrecidito que hoje sofremos muito mais uma inércia preguiçosa e covarde, do que uma cegueira proposital.

    A histórica não destinação de verbas suficientes atrelada ao estado crônico da nossa educação freiam muito mais a devida atenção do que qualquer visão maniqueísta. É melhor focalizar esforços em projetos cujo retorno é garantido, é fácil de se observar do que outros em que o resultado só se observa ao longo de uma vida inteira. É preciso ser visionário e até corajoso para promover projetos que perpassem o círculo de quatro anos. E quatro anos é pouco para muita coisa. Daí as acumuladas e não-resolvidas heranças das gestões anteriores, que são utilizadas como rasteiras argumentações para denegrir o governo anterior e justificar a ineficiência do atual

    Embora seja batido esse foco, acredito piamente nele, mas, como dito, ligado ao que chamei de “inércia”, e não à “cegueira proposital”. Você não disse isso em seu texto, mas foi a reflexão que me causou. Aí vieram em minha mente Anísio Teixeira, Paulo Freire e cia. Gilberto Gil diria que uma linha de pensamento puxa outra, e faz-se uma teia. hehe

    Enfim, é o relatório. heheheh

    =) Gustavo Cordeiro

  3. Sal, contudo, precisa ser moderado. Em demasia faz mal pro estômago e pro coração.

    Não acredito que exista uma conspiração do tipo “propositalmente, não investem na educação”. Esse argumento é muito confortável e, assim como o Cordeiro falou, faz-nos padecer na inércia.

    Sem pretensões de fazer um diagnóstico sobre o problema da educação no Brasil, acredito que a questão envolve, além da contratação de pessoal e da construção de estruturas, uma gama de dificuldades que vão desde a estrutura tripartite de repasse de verbas educacionais até condições psicológicas e econômicas de manutenção no ambiente escolar.

    A grande dificuldade é propor e implementar um novo modelo que conjugue medidas eficiente de ingresso, manutenção e conclusão escolar. O que é uma empreitada bastante engenhosa. Engenhosa porque estamos inseridos em um desenho institucional que a muitos é conveniente/confortável, difícil porque envolve um desgaste energético inicial, difícel porque passa por um árduo processo de aceitação/rejeição política. É mais fácil incentivar o “boom” de instituições de “ensino superior” e garantir um diploma a pessoas que vão virar estatística. Garante o acesso, mas renega quase que totalmente a qualidade.

    A proposta então, talvez a nossa proposta, deve buscar uma opção viável de alocação de recursos escassos que visem a promover, em parâmetros dignos, não só o acesso, mas a qualidade do ensino.

  4. Acho que um dos principais problemas é a falta de um projeto pedagógico consistente. Confunde-se, frequentemente, educação com ensino e acho que essa é uma das causas pelas quais há a crença generalizada de que ter mais professores dando aula e mais crianças dentro de sala de aula é a solução para os nossos problemas. Claro que isso é desejável. Mas não é, nem de longe, o suficiente.

    É preciso entender qual é o papel da educação, entender que ela é muito maior do que o ensino puro e simples (principalmente na forma mnemônica com que é passado). É preciso entender que a educação é fundamental para o amadurecimento de uma pessoa, para que alguém se prepare para o mercado de trabalho, para os problemas da vida (inclusive psicologicamente), etc.

    E, nesse sentido, acho que vivemos na sociedade do diploma. Vale muito mais você ter um diploma do que qualquer outra coisa. Você completou o ensino médio de forma porca e não tem quaisquer habilidades profissionais? Sem problemas, você tem um diploma. Terminou a graduação em Direito, decorou inúmeras leis e não sabe bem o que fazer com elas? Não importa a sua qualidade; há inúmeros concursos para você fazer… porque você tem um diploma.

    Esse é um sintoma clássico da ausência de um projeto pedagógico consistente. Como a Lívia disse, vale muito a pena – principalmente para o status quo – ter uma estatística boa de pessoas graduadas e crianças em sala de aula, ainda que o processo pelo qual tenham passado não possa sequer ser chamado de educação.

    E não preciso nem dizer que a educação se enquadra na famosa metáfora da bola de neve (que é utilizada no Brasil não sei por quê). Quanto mais educação (não ensino puro e simples… EDUCAÇÃO) houver no país, mais as pessoas participam das decisões políticas, mais há debates públicos em torno de temas de interesse nacional, mais cresce a economia do país, mais oportunidades surgem… e, claro, mais educação teremos.

    Se é verdade o ditado de que abismo gera abismo, não pode ser mentira que educação gera educação.

  5. “Desenvolvimento é um estado de espírito”

    O que escuto e leio sobre desenvolvimento normalmente diz respeito a políticas econômicas e públicas. Não sei se é por não entender políticas econômicas e públicas bem, mas penso no desenvolvimento como um tema bastante amplo.

    Também acredito na educação como forma de desenvolvimento. O conhecimento faz com que muitas portas nos sejam abertas, nos coloca em contato com uma infinidade de ferramentas e nos faz aprimorar a capacidade cognitiva e criativa. A partir das dúvidas e dos problemas, manuseamos esses diversos instrumentos e criamos novos instrumentos e novos problemas e dúvidas e assim sucessivamente.

    Entretanto, a educação não está somente nas escolas e nas universidades, porque se não seria reduzir a educação a uma política pública e entregar todo o poder e toda potencialidade de cognição e transformação ao Estado, o que pode até ser um dogma, mas não é verdade, se não ele já teria resolvido todos os nossos problemas. Esse poder é nosso, cidadãos, seres pensantes.

    Um exemplo, muito simples. Há algum tempo atrás, estava no carro com meus tios. Minha tia tirou uma bala da bolsa, abriu a embalagem, comeu a bala e colocou a embalagem no carro. Meu tio falou à minha tia:
    – Por que não joga esse papel fora, Ana? Vai sujar sua bolsa… Por isso que você perde um monte de papel, fica essa bagunça aí na sua bolsa…
    – Eu, hein, bem, parece até que não teve educação de primeira…
    – Tive, e por isso sei que com isso estou dando um monte de emprego de gari, estou ajudando muitas pessoas…
    – É por isso que o Brasil não vai pra frente… Se cada gari desse que está limpando o lixo que você joga na rua estivesse na escola fazendo qualquer coisa muito mais produtiva, pelo menos metade dos problemas do país estariam resolvidos…

    Depois de tantos anos de ensino, nunca tinha pensado no tamanho da repercussão se cada pessoa não jogasse o lixo na rua e no poder que cada pessoa tinha para contribuir. Comecei a pensar em um monte de atitudes que cada um poderia ter e nas repercussões gigantescas para o país em curto e longo prazos. E isso não foi dado na escola, pelos professores, nem pelos meus pais. Poderia ser amigos, poderia ser qualquer um. Foram os meus tios, em um dia qualquer, com uma simples ação, um simples debate.

    Então acho que desenvolvimento é educação e educação é mais do que bons modos, é mais do que escola e professores e repetição de citações de grandes cérebros americanos e alemães, é mais do que ensino, como você disse. É criatividade e isso todos temos. É necessário olhar para frente. É necessário pensar e agir, e mais do que agir falando e criticando: as crianças precisam é de exemplos, o que torna a educação e o desenvolvimento natural. Não apenas crianças, não há limite de idade e não há hierarquia. Não é necessário grandes feitos e não se desenvolve da noite pro dia. A própria palavra desenvolvimento já tem em si a idéia de processo contínuo. Mas é necessário ações cotidianas e ações autônomas. Temos que caminhar, mas só podemos caminhas com as nossas próprias pernas e um passo de cada vez, mas é preciso caminhar e é esse desenvolvimento como estado de espírito que nos impulsiona, naturalmente.

    Talvez a gente discorde um pouco na dimensão da questão, Gustavo. Mas essa linha de pensamento me faz lhe ver como um ótimo exemplo desse ‘exemplo’, com suas atitudes naturais na UnB, e que exemplos como você, pessoas que têm o desenvolvimento como estado de espírito, possivelmente mais do que o próprio autor dessa frase aí do título do comentário, têm um efeito muito maior do que, por exemplo, se duplicassem as vagas para alunos e professores e quadriplicassem o salário na FA.

  6. Ao moderador: este é o comentário corrigido.

    “Desenvolvimento é um estado de espírito”

    O que escuto sobre desenvolvimento normalmente diz respeito a políticas econômicas e públicas. Não sei se é por não entender políticas econômicas e públicas bem, mas penso no desenvolvimento como um tema bastante amplo.

    Também acredito na educação como forma de desenvolvimento. O conhecimento faz com que muitas portas nos sejam abertas, nos coloca em contato com uma infinidade de ferramentas e nos faz aprimorar a capacidade cognitiva e criativa. A partir das dúvidas e dos problemas, manuseamos esses diversos instrumentos e criamos novos instrumentos e novos problemas e dúvidas e assim sucessivamente.

    Entretanto, a educação não está somente nas escolas e nas universidades, porque se não seria reduzir a educação a uma política pública e entregar todo o poder e toda potencialidade de cognição e transformação ao Estado, o que pode até ser um dogma, mas não é verdade, se não ele já teria resolvido todos os nossos problemas. Esse poder é nosso, cidadãos, seres pensantes.
    Um exemplo, muito simples. Há algum tempo atrás, estava no carro com meus tios. Minha tia tirou uma bala da bolsa, abriu a embalagem, comeu a bala e colocou a embalagem no carro. Meu tio falou à minha tia:
    – Por que não joga esse papel fora, Ana? Vai sujar sua bolsa… Por isso que você perde um monte de papel, fica essa bagunça aí na sua bolsa…
    – Eu, hein, bem, parece até que não teve educação de primeira…
    – Tive, e por isso sei que com isso estou dando um monte de emprego de gari, estou ajudando muitas pessoas…
    – É por isso que o Brasil não vai pra frente… Se cada gari desse que está limpando o lixo que você joga na rua estivesse na escola fazendo qualquer coisa muito mais produtiva, pelo menos metade dos problemas do país estariam resolvidos…

    Depois de tantos anos de ensino, nunca tinha pensado no tamanho da repercussão se cada pessoa não jogasse o lixo na rua e no poder que cada pessoa tinha para contribuir. Comecei a pensar em um monte de atitudes que cada um poderia ter e nas repercussões gigantescas para o país em curto e longo prazos. E isso não foi dado na escola, pelos professores, nem pelos meus pais. Poderia ser amigos, poderia ser qualquer um. Foram os meus tios, em um dia qualquer, com uma simples ação, um simples debate.

    Então acho que desenvolvimento é educação e educação é mais do que bons modos, é mais do que escola e professores e repetição de citações de grandes cérebros americanos e alemães, é criatividade e isso todos temos. É necessário olhar para frente, é necessário pensar e agir, e mais do que agir falando e criticando: as crianças precisam é de exemplos, o que torna a educação e o desenvolvimento natural. Não apenas crianças, não há limite de idade e não há hierarquia. Não é necessário grandes feitos e não se desenvolve da noite pro dia. A própria palavra desenvolvimento já tem em si a idéia de processo contínuo. Mas é necessário ações cotidianas e ações autônomas. Temos que caminhar, mas só podemos caminhas com as nossas próprias pernas e um passo de cada vez, mas é preciso caminhar e é esse desenvolvimento interno, como estado de espírito, que nos impulsiona e o que torna o desenvolvimento externo natural.

  7. http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u457327.shtml

    Leiam este artigo.

    Ele pode nos fazer refletir sobre qual o tipo de desenvolvimento que nós queremos. Numa reflexão apressada, tendemos a pensar que o desenvolvimento econômico é condicionado e é condicionante, a um só tempo, de todo o desenvolvimento de uma nação, no seu sentido mais amplo. Sim, porque, queiramos ou não, educação, alimentação, redução de desigualdades, promoção de políticas públicas de saneamento, saúde, urbanismo, incentivos à cultura nacional, proteção do meio ambiente, tudo isso demanda investimentos; e para que tais investimentos sejam viáveis, é indispensável que haja uma economia que funcione bem e que gere rende para que se possa investir cada vez mais e mais. Não obstante, qual o limite para tudo isso?

    Sim, porque uma das lições básicas que aprendemos em uma das primeiras aulas de economia é que é indispensável trabalhar e pensar em termos de eficiência alocativa de recursos, uma vez que os bens disponíveis são extremamente escassos em comparação com as necessidades crescentes, galopantes, até, da raça humana. Como dito, todos aqueles fatores de desenvolvimento, hoje, são resultados do crescimento econômico ou estão voltados para a potencialização desse crescimento. É difícil escapar desse paradoxo. É como se aquilo que tanto se almeja – o desenvolvimento social, e com essa expressão tento abranger todos aqueles elementos acima discriminados – somente fosse possível ao custo altíssimo da destruição de seu próprio catalisador. E depois? Estagnação? Perplexidade? Impotência?

    Não concordo quando se diz que os economistas ainda não atentaram para o fato de que o tamanho da Terra é fixo, tanto em massa quanto em extensão. Isso é mais do que evidente, até mesmo para eles. O problema, ao meu ver, é que se imergiu tão fundo no fosso que foi criado pela própria humanidade que agora está um tanto difícil de sair. É evidente que uma alternativa é necessária. É evidente que o modelo está desgastado, senão saturado, e é absolutamente insustentável, diria que em curto prazo. No longo prazo, não sei se haverá muita coisa para ser recuperada… Resumindo, os economistas não são cegos, o mundo tem se manifestado insistentemente, de todas as maneiras possíveis, e ninguém é incapaz de ver ou ouvir, pelo menos não por tanto tempo. Só acho que não se consegue ver uma saída. Não se consegue pensar em uma alternativa. E é justamente isso que deve ser pensado, inclusive, por nós. Em meio a tudo isso, poderíamos nos perguntar – seria importante o estabelecimento de tal base espistemológica para o desenvolvimento do blog – qual a nossa concepção de desenvolvimento? E, mais adiante: qual o papel do Direito na implementação dessa nossa concepção de desenvolvimento? Retornamos, assim, ao Seminário promovido pelo CADir e percebemos a importãncia do que ali foi discutido e a pertinência dos temas. É bom saber que tem gente pensando problemas tão graves, a respeito dos quais a grande maioria se mostra apática.

  8. É possível comentar os comentários? Farei isso… qualquer coisa, o moderador veta.

    O Mangabeira, em palestra sobre o desenvolvimento de comunidades indígenas, proferida no dia 20/10, no IDP, falou muito sobre o papel da educação. Apresentou a educação como elemento de transcendência, de retirada do indivíduo do mundo que está ali, que é dado e estabelecido e o apresenta para o mundo do possível, do imaginável. Acho que é esse tipo de educação que buscamos, como disse o Sena, ao contrapor educação e ensino. Não falamos necessariamente de mais cadeiras numa sala de aula.

  9. Os modelos de desenvolvimento consolidados na atualidade não se enquadram no contexto do Brasil. Acredito que nunca se encaixaram.

    O grupo talvez surgiu, imagino, dessa necessidade aparente e urgente de encontrar uma resposta para o questionamento levantado por Pedro Mahin: “qual o tipo de desenvolvimento que nós queremos?”. Uma das respostas para essa pergunta é que não queremos o tipo de desenvolvimento que nos é proposto/imposto. Precisamos reformular conceitos, objetivos e discutir como poderemos concretizar as idéias que serão apresentadas e discutidas.

    É evidente que a priorização da quantidade em detrimento da qualidade, como vem sendo aplicado em diversas áreas no Brasil, é algo caduco. A citada priorização na área da educação, como exposto acima, é extremamente nociva ao país. Limita as pessoas. Limita o país. Apesar de não sabermos definir com precisão qual o tipo de desenvolvimento que queremos, sabemos que a sua base deve ser a educação e a sua essência a qualidade.

    Não posso precisar a quantidade de recursos disponíveis pelo país, mas sem duvida estão sendo mal direcionados. Entendo que investir em educação é uma das soluções (no momento não consigo pensar em outra) para que os próximos agentes políticos saibam alocar melhor os recursos, tendo consciência de que o desvio de verbas pode gerar uma estagnação do país.

    Concordo com o Sena, falta um projeto pedagógico consistente. O país não necessita de pessoas com diplomas, aptas a virarem concurseiras. Precisa de profissionais bem capacitados.

    A tentativa do grupo de consertar, com erros e acertos, algo que nunca funcionou bem é mais do que valida.

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