MTST ocupa o Palácio do Buriti

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto acaba de ocupar o Palácio do Buriti com cerca de 500 pessoas. Eles reivindicam a permanância de 900 famílias acampadas em área na Ceilândia (DF), onde estão desde o dia 21 de Abril. O Governo do Distrito Federal já solicitou a reintegração de posse do terreno, que pertence oficialmente à Terracap. O prazo dado às famílias para que deixem a área é essa sexta-feira, dia 4. Elas se negam a deixar o local e se dizem dispostos à resistência. Com a ocupação no Buriti, o movimento reivindica que o GDF retire a reintegração de posse da área.

Novo Pinheirinho (DF) apresenta suas armas

Por Edemilson Paraná

A intransigência do Governo do Distrito Federal pode produzir um desfecho trágico no acampamento Novo Pinheirinho em Ceilândia, a 25 km de Brasília. Certas de que a moradia digna é um direito, as 900 famílias acampadas – entre mulheres, jovens e crianças – preparam a resistência; e nada as convence do contrário. A ação de reintegração de posse já saiu e determina que as famílias deixem o local até essa sexta-feira (dia 4).

No acampamento, presenciei uma disposição para luta que jamais havia visto antes. Impossível não lembrar de Marx: eles tem pouco a perder, senão a próprias correntes. E não há que se falar em invencionisse irresponsável, em agitação pseudo-revolucionária. O destino dessa gente foi tomado à força, por eles mesmos nessa luta; daí o valor imenso da resistência:  a palavra cidadania, jóia de nossa retória política burguesa, se tornou sinônimo de terra, chão, suor e luta.

“Não temos mais nada a perder, já vivemos uma vida de muito sofrimento, meu filho”, disse-me uma senhora. “Se morrermos, virão outros e outros. Pra alguns aqui, morrer seria até um alívio”, disse-me outro morador. Sim, morador! É assim que eles passaram a se designar depois que muduram para QNQ/QNQ em Ceilândia. Se antes o quarto, o cortiço, a moradia alugada era chamada de “o lugar onde eu pago aluguel”, aqueles precários barracos de lona cravados no chão batido são orgulhosamente denominados “casa”. E entre olhares corajosos em sorrisos cansados ouvi que “está tudo bem”, que “até aqui está ótimo” viver no Novo Pinheirinho.

É contra a morte, a dor e a humilhaçao que a vida em Novo Pinheirinho apresenta suas armas: mãos calejadas, braços unidos, peitos abertos.

Novo Pinheirinho prepara resistência ao despejo

Do site do MTST

Diante da decisão do Governador Agnelo Queiroz em apostar no despejo e na repressão, ao invés de negociar solução habitacional para as famílias da Ocupação Novo Pinheirinho, em Ceilândia, os acampados iniciaram a preparação da resistência.

O terreno foi cercado de barricadas e os moradores se preparam para evitar um massacre. A ocupação já conta com mais de 900 famílias, muitas das quais não tem lugar para ir, em caso de despejo.

A postura do Governo Agnelo parece anunciar a versão petista do Massacre do Pinheirinho, feito pelo Governo do PSDB, em São José dos Campos. Se não recuar, o GDF transformará os questionamentos do PT ao despejo do Pinheirinho em retórica vazia. Mostrará ainda que as diferenças entre o PT e os tucanos no trato com as lutas sociais são bem menores do que parecem.

O MTST, diante da posição lamentável de Agnelo, expressa duas definições:

1. Organizaremos a resistência contra a tentativa de tratar o problema da moradia como caso de polícia.

2. Apelamos aos setores do PT que tenham compromisso com as lutas sociais que intercedam junto ao GDF para evitar o conflito que pode terminar em massacre.

3. Nossas ocupações em todo o Brasil estão de prontidão para fazer uma mobilização nacional em caso de ataque ao Novo Pinheirinho de Brasília.

NÃO PASSARÃO!

RESISTIREMOS!

MTST, A LUTA É PRA VALER!

Governo Agnelo ameaça despejo violento no Novo Pinheirinho(DF)

Do site do MTST

Em reunião com o MTST, após a ocupação do prédio da Terracap pelo Movimento, representantes da Secretaria de Governo do Distrito Federal afirmaram que o Governo do DF (PT) entrará com ação judicial e usará efetivo policial para despejar as mais de 500 famílias da Ocupação Novo Pinheirinho, em Ceilandia.

É importante saber que a ocupação foi resultado do descumprimento de acordo firmado com o Movimento pelo GDF em 2011. Este acordo previa a viabilização de moradias para as famílias ligadas ao MTST nas regiões de Brazlandia e Ceilandia, além de 400 bolsas aluguel. Após 2 meses, o GDF suspendeu o pagamento das bolsas e interrompeu as negociações.

Por isso ocupamos e por isso resistiremos.

O Governador Agnelo, que neste momento está na midia nacional por suas relações com Carlinhos Cachoeira, parece querer realizar a versão petista do massacre do Pinheirinho, em São José dos Campos, pelo Governo tucano de Alckimin.

O MTST deixa claro que, se optar pelo despejo, o Governador terá que manchar suas mãos de sangue, pois não sairemos do terreno sem uma solução habitacional para as famílias.

RESISTIREMOS!

MTST, A LUTA É PRA VALER!

Abaixo, vídeo com imagens do dia ocupação.

Doe e ajude o Novo Pinheirinho (DF) a manter a luta pelo direito à moradia

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Por Camila Damasceno
Caras amigas, caros amigos,
Na madrugada de 21 de abril de 2012, cerca de trezentas famílias ocuparam uma área na cidade de Ceilândia, a 25 km de Brasília. A área, batizada de “Novo Pinheirinho”, está localizada na QNQ/QNR, próximo ao Centro de Ensino Fundamental (CEF) 27. Entre outras reivindicações, o objetivo é obter do governo do Distrito Federal a construção de moradias para famílias de baixa renda. A ação contou com o apoio de jornalistas, advogados, sindicatos e coletivos da cidade, entre eles o grupo Brasil & Desenvolvimento.
O B&D apoia esta luta e acredita na importância da ocupação e de sua visibilidade por diferentes setores de nossa sociedade. Acredita que é possível construir uma cidade mais justa, quando as pessoas se unem para construir uma luta fraterna, que diz respeito a todos. Acredita no diálogo entre movimentos sociais e governo, imprescindível ferramenta de elaboração de políticas públicas voltadas à inclusão social. E acredita que a participação popular é indispensável para o fortalecimento desta luta.
Por isso, estamos recolhendo doações junto a nossos parceiros e colaboradores, a fim de ajudar as mais de 300 famílias que hoje ocupam a área e ainda estão longe de verem atendida sua primeira necessidade: um local decente para morar. Alimentos não perecíveis, leite em pó, produtos de higiene pessoal e de limpeza e lonas plásticas são os principais bens que podem ajudar as pessoas que hoje buscam apenas a conquista de um direito essencial, o direito à moradia, e ocupam o local.
Quem puder ajudar com doações desses produtos, por favor, entre em contato com João, pelo telefone: (61) 8608-6801 ou por e-mail: brasiledesenvolvimento@gmail.com.
Alguns links sobre a ocupação: