O conceito de desenvolvimento sempre é algo a ser discutido, sendo difícil determinar, a priori, qual seria uma definição apta ao bem-estar de um povo. Do desenvolvimento deve se encarregar o estado, que nada mais é que um ente social encarregado de tomar decisões amplas que afetam todos em seu território e, hoje em dia, também o resto do globo. Vivemos em sociedade mundial, isso não é segredo. Hoje em dia, tudo que é brasileiro afeta o argentino, o americano, o boliviano, a inglesa. Assim, para além da preocupação com o povo brasileiro, as decisões governamentais de nosso país devem se preocupar com o resto do mundo, com os efeitos, os exemplos, os modelos de vida que apresentamos à sociedade global.
É entendimento de alguns teóricos do desenvolvimento, como o Professor Amartya Sen, vencedor do Prêmio Nobel de economia, o professor de Harvard Mangabeira Unger, o intelectual brasileiro Celso Furtado, dentre outros, que o desenvolvimento deve se pautar por aquilo que é humano, por aquilo que se destina ao homem. Desenvolvimento não é mero crescimento econômico. Desenvolvimento é empoderar, emancipar, aumentar as capacidades do indivíduo para que este possa atingir seus anseios e, ao mesmo tempo, auxiliar o corpo social a se fortalecer para que ele(o corpo social) possa erguer com mais facilidade o indivíduo. Torna-se imperioso, nesse sentido, abranger a estrutura social, o desenho institucional, de tal forma que o homem, no seu sentido humano, seja contemplado. Essa é uma ideologia antiga. Ela faz coro à filosofia política do pós guerra, em especial nas vozes de Arendt, Sartre e Habermas.
A esfera social em que são pautados os princípios capazes de empoderar o indivíduo é a política. É lá, por excelência, que encontramos o espaço da pluralidade. O mundo político é o locus onde as diferenças se encontram para disputar, discutir e assentar os interesses. Sem respeito, sem abertura ao plural, não existe espaço político. E sem esse espaço público diversificado, as regras criadas para delimitar a ação do outro, e impedir que ele restrinja minha liberdade, carecem de legitimidade. Em especial frente a um mundo onde o homem não é definido, não é uno e está repleto de diferenças. Numa democracia, é impensável uma análise que não aceite o diferente, o plural, o outro.
Aceitar o outro em seu sentido mais pleno faz parte de uma política de desenvolvimento mais humana, mais capaz de aderir aos anseios que dizem respeito à existência e às conseqüências das escolhas dos seres humanos. No mundo de hoje, o homossexual sofre de um mal que se alardeou pelo mundo em momentos diferentes da história contra a mulher, o negro, o índio: o preconceito. O preconceito contra o homossexual é a negação de tudo que é peculiar a uma sociedade aberta, democrática e politicamente ativa. Ele nega o direito a uma opção sexual que em nenhum momento afeta a liberdade dos outros. Digo mais, esse preconceito tem efeitos penosos e duradouros não só na pessoa que é afetada por ele, mas também numa sociedade que tem como uma de suas maiores características a pluralidade. O Brasil é um país continental que agrupa pessoas das mais diversas culturas, línguas, costumes. Negar assento a uma parcela da sociedade bem representada, não só no país, como no mundo, é negar o plural como capaz de compartilhar a única coisa que nos une na diferença: os direitos.
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