Marcha das Vadias – o B&D marcha juntinho

Amanhã, dia 26 de maio de 2012 é dia de Marcha! É dia de dizer ao mundo o que pensamos e o que queremos. Nossas indignações voarão pelos céus da liberdade. Nossa dança e nosso canto serão nossos corpos e nossas vontades. Que seja um momento de inquietação, amor e libertação!

Marcha das Vadias/DF 2012, 13h, concentração em frente ao CONIC.

Como assim ela sabe o que é impedimento, não tolera violência contra a mulher, quer falar de política e ainda ficar com outra mulher?! Ai, que vadia!

Por que o B&D apoia a Marcha das Vadias?

A Marcha das Vadias é uma mobilização contra o hábito recorrente em nossa sociedade de culpar as mulheres pela violência cometida contra elas. A violência doméstica e a violência sexual são crimes para os quais não existe justificativa. Nenhuma mulher gosta de apanhar e nenhuma mulher “pede” o próprio estupro – nem quando anda só na rua, nem quando usa saia curta, nem quando são vadias. Todas as mulheres merecem uma vida sem violência, sem medo e sem culpa.

O B&D sabe que a luta das mulheres é a luta de toda a sociedade. O empoderamento social, a inclusão e a cidadania das mulheres requer o fim da violência contra as mulheres. A tomada de consciência e a mudança de atitude é trabalho para todos. Essa também é a nossa revolução. Por isso, o B&D marcha com as vadias, para imaginar um novo senso comum: a igualdade entre mulheres e homens. Se ser livre é ser vadia, somos todos vadias!

Universidade contra a Homofobia

Pela liberdade de ser quem eu quiser ser, amar quem eu quiser amar e estar onde eu quiser estar

Começou hoje na Universidade de Brasília a II Semana Saúde contra a Homofobia. O evento vai até dia 25 (sexta-feira) e conta com rodas de conversa, cine-debate e um Happy Hour no melhor estilo UnB. 

A semana foi inaugurada com um festival de curtas, entre eles o formidável “Amanda e Monick”, de 17 minutos. Amanda é travesti e professora numa escola municipal em Barra de São Miguel, interior da Paraíba. Monick, também travesti, trabalha como prostituta em Santa Cruz do Capiberibe (PE) e aguarda um filho com sua companheira lésbica. Como é que é??? Isso mesmo que você leu: uma travesti e uma mulher lésbica têm um relacionamento amoroso e, em breve, terão um(a) filho(a). Histórias como esta nos obrigam a desconstruir todas aquelas caixinhas que utilizamos para definir (e limitar) o ser humano e a maneira com que ele se relaciona com o outro.

A quem e pra que servem essas caixinhas? Por que nos sujeitamos a elas? ”Temos medo do sexo e nos custa aceitar que, neste incerto domínio, há opções e variantes que devam ser aceitas como manifestações da diversidade humana. Nesse aspecto da condição de homens e mulheres deve reinar a liberdade, permitindo que na vida sexual cada um escolha sua conduta e vocação sem outra limitação senão o respeito e a aquiescência do próximo.”, lembra Mario Vargas Llosa.

A semana passada também foi marcada pela temática do combate às opressões na Universidade de Brasília. Aproveitando o embalo da Marcha Internacional de Combate à Homofobia, o movimento LGBT da Universidade – com o apoio do Brasil e Desenvolvimento e do Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães – realizou o III UnB Fora do Armário. Fora do armário, fora das caixinhas, dos determinismos e do preconceito.

A Comissão da Verdade e uma divergência não salutar

Infelizmente a Comissão da Verdade, cujos membros foram designados pela Presidenta Dilma Rousseff em Decreto publicado no Diário Oficial da União de 11 de maio de 2012, não foi integrada por nenhum historiador. Longe de querer defender a especialização profissional, considero, contudo, que o período em que prevaleceu o arranjo político-institucional da ditadura civil-militar brasileira deve ser bem delineado, e sobre ele algumas divergências não devem permear os trabalhos da comissão. Pois memória e verdade são construídos por meio de pressupostos fundamentais. E o trabalho de um pesquisador do período histórico traumático da recente história política brasileira (1964-1985) poderia auxiliar, e muito, a clarificar tais pressupostos.

O pressuposto fundamental é o de compromisso com a superação de arbitrariedades violadoras de direitos humanos praticadas no regime de exceção que vigorou no país de 1964 a 1985. Esse pressuposto se coaduna com o compromisso com a democracia e também com a superação concreta das marcas deixadas por um período obscuro de nossa história. Significa construir uma memória coletiva do período, promover a justiça e não apenas esquecer o passado.

Sobre que divergência da Comissão escrevo? Uma, apenas, fundamental, e até hoje não superada: caberia à Comissão apurar e esclarecer supostas violações de direitos humanos também cometidas por grupos militantes de esquerda tidos, à época, por “terroristas”? Continue lendo

Interrompamos, ainda que tardiamente, a anencefalia do Supremo

Por Camila Damasceno

“Severina é uma mulher que teve a vida alterada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Em 20 de outubro de 2004 estava internada em um hospital do Recife com um feto anencéfalo na barriga. No dia seguinte, iniciaria o processo de interrupção da gestação. Nesta mesma data, os ministros derrubaram a liminar que permitia que mulheres como Severina antecipassem o parto de fetos incompatíveis com a vida. Severina, mulher pobre do interior de Pernambuco, deixou o hospital com sua barriga e sua tragédia. E começou uma peregrinação por um Brasil que era feito terra estrangeira – o da Justiça para os analfabetos. Neste mundo de papéis indecifráveis, Severina e seu marido Rosivaldo, lavradores de brócolis em terra emprestada, passaram três meses de idas, vindas e desentendidos até conseguirem autorização judicial. Não era o fim. Severina precisou enfrentar então um outro mundo, não menos inóspito: o da medicina para os pobres. Quando finalmente Severina venceu, por teimosia, vieram as dores de um parto sem sentido, vividas entre choros de bebês com futuro. E o reconhecimento de um filho que era dela, mas que já vinha morto. A história desta mãe severina termina não com o berço, mas em um minúsculo caixão branco.”, de Uma História Severina, por Débora Diniz e Eliane Brum.

Oito anos depois, o STF se prepara para decidir sobre a vida de outras Severinas. No dia 11 de abril de 2012, será o julgada a ADPF 54 sobre anencefalia. “A CNTS [ Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde] espera que sejam acolhidos os seus argumentos. Um deles é o de que viola a dignidade da mulher obrigá-la a levar a termo uma gestação inviável. A dignidade humana significa, entre outras coisas, direito à integridade física e psicológica.” defende Luiz Roberto Barroso em artigo publicado no blog do Noblat.

“O diagnóstico da anencefalia é feito em torno do terceiro mês de gravidez. Nesse contexto, obrigar a mulher a levar a gestação a termo significa impor a ela, por seis meses, um sofrimento imenso e inútil. Ela passará por todas as transformações físicas e psicológicas da gravidez, só que, no seu caso, preparando-se para o filho que não chegará. O parto não será uma celebração da vida, mas um ritual de morte. Ela não sairá da maternidade com um berço, mas com um pequeno caixão.”

Antes do julgamento, no dia 10 de abril, haverá um debate sobre o julgamento da APDF na Faculdade de Direito da UnB, Campus Darcy Ribeiro. O evento contará com a presença da Professora Débora Diniz (SER/UnB), diretora do documentário Uma História Severina* e marcará o lançamento do Centro de Estudos em Desigualdade e Discriminação – CEDD.

*O documentário participou de 33 festivais nacionais e internacionais e recebeu 17 prêmios.