Novo Pinheirinho (DF) apresenta suas armas

Por Edemilson Paraná

A intransigência do Governo do Distrito Federal pode produzir um desfecho trágico no acampamento Novo Pinheirinho em Ceilândia, a 25 km de Brasília. Certas de que a moradia digna é um direito, as 900 famílias acampadas – entre mulheres, jovens e crianças – preparam a resistência; e nada as convence do contrário. A ação de reintegração de posse já saiu e determina que as famílias deixem o local até essa sexta-feira (dia 4).

No acampamento, presenciei uma disposição para luta que jamais havia visto antes. Impossível não lembrar de Marx: eles tem pouco a perder, senão a próprias correntes. E não há que se falar em invencionisse irresponsável, em agitação pseudo-revolucionária. O destino dessa gente foi tomado à força, por eles mesmos nessa luta; daí o valor imenso da resistência:  a palavra cidadania, jóia de nossa retória política burguesa, se tornou sinônimo de terra, chão, suor e luta.

“Não temos mais nada a perder, já vivemos uma vida de muito sofrimento, meu filho”, disse-me uma senhora. “Se morrermos, virão outros e outros. Pra alguns aqui, morrer seria até um alívio”, disse-me outro morador. Sim, morador! É assim que eles passaram a se designar depois que muduram para QNQ/QNQ em Ceilândia. Se antes o quarto, o cortiço, a moradia alugada era chamada de “o lugar onde eu pago aluguel”, aqueles precários barracos de lona cravados no chão batido são orgulhosamente denominados “casa”. E entre olhares corajosos em sorrisos cansados ouvi que “está tudo bem”, que “até aqui está ótimo” viver no Novo Pinheirinho.

É contra a morte, a dor e a humilhaçao que a vida em Novo Pinheirinho apresenta suas armas: mãos calejadas, braços unidos, peitos abertos.

Novo Pinheirinho prepara resistência ao despejo

Do site do MTST

Diante da decisão do Governador Agnelo Queiroz em apostar no despejo e na repressão, ao invés de negociar solução habitacional para as famílias da Ocupação Novo Pinheirinho, em Ceilândia, os acampados iniciaram a preparação da resistência.

O terreno foi cercado de barricadas e os moradores se preparam para evitar um massacre. A ocupação já conta com mais de 900 famílias, muitas das quais não tem lugar para ir, em caso de despejo.

A postura do Governo Agnelo parece anunciar a versão petista do Massacre do Pinheirinho, feito pelo Governo do PSDB, em São José dos Campos. Se não recuar, o GDF transformará os questionamentos do PT ao despejo do Pinheirinho em retórica vazia. Mostrará ainda que as diferenças entre o PT e os tucanos no trato com as lutas sociais são bem menores do que parecem.

O MTST, diante da posição lamentável de Agnelo, expressa duas definições:

1. Organizaremos a resistência contra a tentativa de tratar o problema da moradia como caso de polícia.

2. Apelamos aos setores do PT que tenham compromisso com as lutas sociais que intercedam junto ao GDF para evitar o conflito que pode terminar em massacre.

3. Nossas ocupações em todo o Brasil estão de prontidão para fazer uma mobilização nacional em caso de ataque ao Novo Pinheirinho de Brasília.

NÃO PASSARÃO!

RESISTIREMOS!

MTST, A LUTA É PRA VALER!

Presente para Brasília: MTST ocupa área na Ceilândia

Por Edemilson Paraná
O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocupou, nessa madrugada do dia 21/04, uma área na cidade de Ceilândia, a 25 km de Brasília. A área, batizada pelos militantes de “Novo Pinheirinho”, foi ocupada por 300 famílias. O terreno está localizado na QNQ/QNR próximo ao Centro de Ensino Fundamental (CEF) 27. Entre outras reivindicações, o objetivo é obter do governo do Distrito Federal a construção de moradias para famílias de baixa renda. A ação contou com o apoio de jornalistas, advogados, sindicatos e coletivos da cidade, entre eles o grupo Brasil e Desenvolvimento.
Abaixo, nota do movimento à população do DF e vídeo produzido com imagens dessa madrugada.
Nota
NOVA OCUPAÇÃO DO MTST NO DISTRITO FEDERAL – 21/4

Ceilândia - O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) iniciou hoje, 21 de abril, a Ocupação Novo Pinheirinho–DF. Na cidade de Ceilândia, na QNQ/QNR próxima ao Centro de Ensino Fundamental (CEF) 27. Este importante momento de luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Distrito Federal ocorre em virtude da insuficiência da política habitacional do Governo do Distrito Federal (GDF) que prevê a construção de cerca de 100 mil casas até dezembro de 2014 enquanto o déficit admitido pelo próprio governo ultrapassa, hoje, 340 mil.
Mais de 300 famílias cansaram de esperar por casas que nunca vêm, ou de acreditar em promessas que não se realizam. Muitas dessas famílias já realizaram ocupações com o MTST em 2010 e 2011, momentos em que ficou explícito que o GDF desrespeita a luta dos trabalhadores e não deseja atender a demanda real de moradia de pessoas de baixa renda.
Não aceitaremos a falta de negociação nem promessas vazias de inclusão em programas de governo sem qualquer especificação ou diretriz mais clara. Temos certeza de que esta terra pode ser destinada às nossas casas. Sabemos que o GDF despeja famílias, via de regra, sem ordem judicial, o que é inaceitável e não pode ocorrer nesta e em nenhuma outra ocupação visando moradia.
Essa ocupação reivindica a construção imediata de casas para todos os Sem Teto do DF sendo atendidos pelos programas governamentais disponíveis, como o Minha Casa Minha Vida e o Morar Bem. É hora do governo inverter suas prioridades e atender aos mais pobres, não reprimir a organização dos trabalhadores e garantir um dos mais básicos direitos que é o da Moradia.
A Ocupação Novo Pinheirinho–DF ocorre no dia do aniversário de Brasília como um presente à cidade: os trabalhadores organizados, conquistando seus direitos através da luta. E também como homenagem à história dos trabalhadores do DF que sempre lutaram por moradia, como na Vila Planalto; aos Incansáveis Moradores da Ceilândia que foram despejados e resistem bravamente, construindo a maior de nossas cidades; e – em especial – aos moradores do Pinheirinho, ocupação histórica que foi brutalmente massacrada em São José dos Campos, em janeiro deste ano.
Reivindicamos:
Construção de moradia para todas as famílias ocupadas no Novo Pinheirinho.
Construção da moradia definitiva do Acampamento Nova Planaltina.
Garantir uma política pública no programa Morar Bem para famílias de 0 a 3 salários mínimos.
Fim dos despejos ilegais do Distrito Federal.
Fim da criminalização de todos os Movimentos Sociais.
MTST: a Luta é pra Valer!

Projeto 767

Por João Telésforo

Queremos pousar um 767-200 da extinta Transbrasil no meio da cidade de Brasília e transformá-lo em um espaço de trabalho colaborativo que seja um símbolo para inspirar as pessoas criativas, inovadoras e empreendedoras da nossa cidade e do Brasil!

Assista aos vídeos abaixo e se entusiasme ainda mais com esta iniciativa inovadora da Rede Ajuri:

Do site da Ajuri:

O imponderável pode acontecer! Embarque nessa inquieta tripulação de inconformados com a mesmice!

Nós ( tripulação 767 ) esperamos colocar um antigo Boeing 767 no meio de Brasília para, com o impacto desta imagem, engajar uma comunidade de pessoas e iniciativas em reciclar esta sucata em um rico eco-sistema capaz de:

“Conectar e inspirar o empreendedorismo, a inovação e a criatividade em Brasília”.
Um eco-sistema composto por:

  • Um espaço de coworking
  • Uma Fablab
  • Uma Usina de Idéias
  • Um Teatro para eventos
  • Uma praça para, feiras, exposições e intervenções artísticas
  • Um café para encontros e conversas criativas!

Faça parte da tripulação do 767 no Facebook!

http://setemeiasete.com.br/

Zerói preto

Por Clarice Calixto

Está rolando em Brasília nestes dias (até 29 de abril) uma exposição do Ziraldo com grandes telas de zeróis, releituras do artista a partir de figuras de super-heróis.
A exposição é linda, ainda que me incomode de alguma forma esse fetiche com quadrinhos norte-americanos com estórias norte-americanas, humor norte-americano, costumes norte-americanos, que se impõe pela indústria cultural como se fossem mais interessantes que outras muitas formas de quadrinhos, estórias, piadas, costumes muito mais próximos da vida da gente, como os argentinos (como a genial Mafalda de Quino) e os chilenos (como o Condorito de René Ríos).
Dentre as telas, uma é especialmente impactante: o zerói preto.


E resolvi trazer aqui pro blog a figura desse zerói porque na lista de fatos históricos que aniversariam este mês, há o seguinte: no dia 25 de março de 1807, a Grã-Bretanha proibiu o tráfico de escravos para os EUA. Acabado o tráfico, começa aos poucos a morrer o vergonhoso instituto da escravidão. Aos poucos.
150 anos depois, nesses mesmos EUA, o ainda racismo persistia, acirradíssimo, implacável.

O zerói preto é irônico porque responde à crítica pesada que o Ziraldo recebeu por causa da (infeliz, ao meu ver) imagem relativa à polêmica sobre o racismo na obra de Monteiro Lobato.
O zerói preto é impactante porque nos lembra que os super-heróis NÃO são pretos.
E que isso é fruto, sim, do racismo.

O zerói preto é relevante porque nos lembra dos heróis pretos da vida real. No mundo real, muitos heróis são pretos. Especialmente por lutarem contra a tragédia do racismo.