Valeu pelas flores… mas a nossa luta é muito maior

Veja todas as imagens da campanha aqui

Receber flores, ouvir que as mulheres deixam o mundo mais belo, receber um cartão que diz que os homens não seriam nada sem as mulheres, chegar em casa e escutar do companheiro que hoje ele é quem vai lavar a louça, ganhar curso de maquiagem grátis – tudo isso é… uma grande bobagem!

O Dia das Mulheres não é para isso.

O dia 8 de março é para celebrar a luta das mulheres pela construção da igualdade por meio da desconstrução dos papeis sociais de gênero. É para que estejamos sempre cientes de que são as práticas do cotidiano que sustentam o machismo. É para que não esqueçamos que é no dia-a-dia que o patriarcado é reforçado e legitimado.

E por isso fizemos essa campanha. Porque acreditamos que o engajamento permanente e o questionamento constante são essenciais à revolução que queremos fazer. Entre conosco nessa celebração resistente. Curta, compartilhe, comente. Valeu pelas flores, mas hoje – e sempre – é dia de lutar.

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Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara: Não passarão!

Não sei nem o que dizer depois do que presenciei esta manhã na sessão da comissão de Direitos Humanos da Câmara. Por um lado, ouvi discursos fortes, e muitas vezes emocionados, de parlamentares como o deputado Domingos Dutra (PT), que renunciou à presidência da comissão, dizendo que não ficaria numa comissão em que o povo brasileiro foi excluído! Sem contar falas como as de Jean Wyllys (PSOL), Erika Kokay (PT) e Chico Alencar (PSOL), que lembraram do importante papel daquela comissão, da necessidade de diálogo com a sociedade, de não retrocedermos nas conquistas de direitos, correndo o risco de rememorarmos outros períodos sombrios da história brasileira.

Por outro lado, não consigo descrever o que senti ouvindo e vendo as atitudes e falas de parlamentares como o deputado Jair Bolsonaro (PP). Ouvi-lo sendo sarcástico com a tortura por que passaram diversas pessoas na época da ditadura, fazendo piadinhas em relação a “baitolas”, provocando e sendo irônico o tempo todo, mostra como tudo o que ele busca é holofote. O deputado Takayama (PSC) comparou o relacionamento homossexual ao relacionamento de um homem e uma vaca, no melhor estilo cabra da Veja. O deputado Eurico (PSB) não ficou para trás, enaltecendo um discurso homofóbico e preconceituoso e desrespeitando colegas deputados.

Triste também é pensar que o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Henrique Alves (PMDB), foi quem determinou que a sessão ocorresse a portas fechadas, sem sequer ouvir a própria presidência da Comissão. Como bem lembrou o deputado Domingos Dutra, a comissão de Direitos Humanos e Minorias surgiu para ser ponto de diálogo com os movimentos sociais e com toda a sociedade, surgiu como reinvidicação desses movimentos. Fazer a opção de reforçar a segurança e impedir a entrada na sala e até no corredor revela um posicionamento bem definido, diz a que veio.

Agora, mais que nunca, a nossa pressão popular precisa estar presente! A eleição do pastor Feliciano, que tem em seu histórico processo disciplinar por homofobia na Câmara, é sintomática e clama pela participação cada vez mais forte do povo na política do nosso Brasil. Não passarão!

I Virada Feminista do DF – Contra os fundamentalismos

Numa exposição de fotos e textos, o B&D declara sua admiração às

MULHERES QUE NOS INSPIRAM A LUTAR

Dia 9 de março, na Rodoviária

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Em homenagem ao Dia Internacional e como parte das atividades da I Virada Feminista do Distrito Federal, o B&D apresenta a exposição “Mulheres que nos inspiram a lutar”. A atividade será nesse sábado (09/03) às 15h na Rodoviária do Plano Piloto em Brasília – DF, mas está à disposição de todos na rede.

Aqui, a exposição completa em PDF.
Participe da exposição aqui, no Facebook.

Trata-se de imagens de mulheres que – por seu exemplo e história – inspiram os militantes do grupo a lutar por um mundo mais justo e igual. As imagens estão acompanhadas de textos produzidos pelos próprios militantes em homenagem às suas heroínas. Abaixo, manifesto da I Virada Feminista do DF.

Manifesto da I Virada Feminista

O 8 de março foi escolhido para marcar a luta das mulheres por um mundo igualitário. Para nós, mulheres do Distrito Federal, o início deste mês mostra que a luta precisa ser fortalecida. Em três dias consecutivos, duas mulheres foram assassinadas por seus companheiros e uma terceira jovem teve a casa invadida e foi estuprada por seis horas.

Em fevereiro, outras três sofreram agressões com motivação lesbofóbica, sendo que uma chegou a ter os dedos mutilados por um policial militar.

Situações como essas – que ganharam repercussão nos meios de comunicação, mas não são as únicas – revelam uma triste situação. Em 2012, foram registrados, no DF, 17.675 casos de violência doméstica, todas previstas pela Lei Maria da Penha (lesões corporais, ameaças, ofensas, por exemplo). De acordo com o Mapa da Violência 2012, o DF ocupa a sétima posição no ranking nacional da violência contra as mulheres, com taxa de 5,8 homicídios a cada 100 mil mulheres, revelando que aqui também se registra o feminicídio que ocorre no país.

Esses são efeitos diretos de uma sociedade fundada em valores machistas, patriarcais e racistas. Uma mudança de paradigmas urge e só virá com o rompimento dessas estruturas e a construção de novos modelos, que sejam igualitários, democráticos e reconheçam as mulheres (em sua diversidade) como sujeitos de direitos.

A Virada Feminista do Distrito Federal surgiu exatamente da necessidade de reagir a essa cultura que nos oprime, violenta e mata diariamente. Ela nasceu da união de esforços de organizações feministas e também de mulheres feministas que querem aliar cultura e política para assumirem o protagonismo no desenho de uma nova sociedade.

O tema escolhido para a Virada deste ano se refere à luta contra os fundamentalismos como prática política. O que acontece e se intensifica no Brasil e na região da América Latina é que grupos de determinadas hierarquias religiosas utilizam espaços de poder não apenas para impedir avanços dos direitos das mulheres e de outros grupos subrepresentados (negras/os, lésbicas, gays, transexuais, indígenas, praticantes de religiões de matriz africana, ateias/ateus etc) como também para retroagir em direitos já conquistados.

Um exemplo disso foi a designação do Deputado Pastor Marco Feliciano do Partido Social Cristão (PSC) para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM). Esse partido e esse parlamentar possuem posicionamentos públicos de intolerância e discriminação a diferentes grupos que a Comissão deveria, por preceitos constitucionais e regimentais, defender.

Negar direitos a um grupo que responde por mais da metade da população brasileira também é um ato de violência!!

Nós, mulheres da Virada Feminista, lutamos por um Estado verdadeiramente laico que dialogue com uma sociedade plural e garanta a cidadania a todas e todos. Reivindicamos, portanto:

¨ uma vida livre de violências;

¨ a efetivação dos direitos sexuais e direitos reprodutivos, com a garantia de autonomia sobre nossos corpos, o livre exercício da sexualidade, além do direito de engravidar e a interromper uma gravidez indesejada;

¨ uma reforma ampla e democrática do sistema político, que garanta a paridade entre homens e mulheres nos espaços de poder e decisão;

¨ a implementação da Lei Maria da Penha, com a criação de equipamentos públicos e de um Sistema de Justiça sensível às desigualdades de gênero;

¨ uma vida sem ter o racismo como elemento de subrepresentação da população negra, pensando a especial situação de vulnerabilidade das mulheres negras;

¨ uma vida livre da lesbofobia, homofobia, das transfobias e das violências de identidade de gênero;

¨ uma divisão sexual do trabalho que não cause sobrecarga física e psicológica sobre as mulheres, especialmente no que se refere à dupla ou tripla jornada de trabalho;

¨ a garantia da liberdade e diversidade religiosa;

¨ a autonomia, nos campos econômicos, social e político;

¨ a implantação de creches e escolas públicas e de qualidade para que as crianças possam ser bem educadas enquanto as mulheres trabalham;

¨ a democratização dos meios de comunicação e um novo marco regulatório que impactem na forma como a mídia representa as mulheres.

A omissão dos programas de governo à população, que já são direitos garantidos, é uma violência institucional.

Nós, as mulheres da Virada Feminista, representamos muitas vozes, muitas cores e muitos ritmos! Convidamos a todas e a todos que desejam transformar nossa realidade e contribuir para a construção de uma sociedade livre de opressões a participar e somar na programação do mês de março.

Neste mês de março, vamos sambar na cara dos fundamentalismos!!!

Fórum de Mulheres do DF

Quem já tá nessa: Aferidor de Vuelos, Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Associação de Pós-Graduandos da UnB Ieda Delgado (APG), Blogueiras Feministas, Brasil e Desenvolvimento, Central das Religiões de Matriz Africana do DF (Afrocom), CFEMEA, Cidadãs Positivas, Coletivo de Mulheres da Articulação de Esquerda do PT – DF, Coletivo Unificado de Mulheres da UnB, Fora do Plano, Grupo Nzinga de Capoeira Angola, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação, Mães Pela Igualdade, Marcha das Vadias DF, N’Zambi Capoeira Angola, Pretas Candangas, Promotoras Legais Populares (PLPs), Rede Feminista de Saúde – DF, Rodamoinho, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF (SJPDF), Supernova

10 mil vagas … idéias de como governar

ou IRRITANDO O ELEITOR CANDANGO

No ultimo dia do mês de janeiro deste ano, o governador Agnelo Queiroz apresentou o projeto de estacionamento subterrâneo que oferecerá cerca de dez mil vagas na Esplanada dos Ministérios, com edital previsto para ser lançado em três meses.

O Governador Agnelo apresenta o projeto para José Sarney e Marco Maia. Sarney ficou bege com a grandiosidade do projeto. (foto da Agência Brasília)

O Governador Agnelo apresenta o projeto para José Sarney e Marco Maia. Sarney ficou bege com a grandiosidade do projeto. (foto da Agência Brasília)

Já naquele mesmo dia manifestações surgiram movimentações contrárias nas redes sociais, com elaboração de abaixo-assinados denunciando esse crime no coração de Brasília.

Projeto semelhante foi apresentado no governo Arruda, um estacionamento encimado de uma praça cívica desenvolvido pelo escritório de Oscar Niemeye, que gerou polêmica similar sendo finalmente  engavetado. Note que o projeto de Oscar destinava “apenas” 4 mil vagas de estacionamento, não “cerca de 10 mil” como no projeto do governo Agnelo. è importante levar em conta tambem que grande parte da implicância popular com o projeto de Niemeyer vinha da substituição de um trecho do gramado por mais uma imensa praça seca,  de concreto, a exemplo da Praça do Museu (que é muito irritante!) e devido ao fato do prédinho previsto esconder a Rodoviária do Plano, que mesmo mal cuidada é uma senhora obra de arquitetura e engenharia.Iisso mexeu com os referênciais afetivos, estéticos e climáticos de muita gente, inflando as vozes desfavoráveis.

Plano Piloto visto através de seus estacionamentos: não faltam vagas, os carros é que são demais.

Plano Piloto visto através de seus estacionamentos: não faltam vagas, os carros é que são demais.

A exemplo do seus antecessores, Agnelo parece que veio (só) pra irritar. Seja fazendo ciclivias, “integrando o transporte” ou propondo projetos de urbanismos, sempre assimilando boas idéias e projetos imprescindíveis para Brasília e os desenvolvendo de forma medíocre e irritante, jogando todo o imenso potencial de apoio popular (estacionamentos subterrâneos são usados em todo mundo para dar lugar a usos mais nobres na superfície, e qualificar a paisagem, principalmente em sítios tombados) no lixão da Estrutural, que ele também não consegue tirar de lá, e quanto tenta irrita até os moradores do bairro.

Obviamente que todos querem uma cidade com ciclovias (até a classe média já assimilou a idéia)  andar de bicleta é uma atitude bonitinha, além de ser chique, europeu! É o tipo de obra que agradaria facilmente a população, baixo custo, baixo impacto negativo na vizinhança, rapidez na execução,  etc. E o que Agnelo conseguiu com suas as ciclovias? deixar toda uma cidade irritada com vias para bicicletas com traçado mal elaborado,  feias, mal executadas, mal (ou não) projetadas,  um impacto negativo na vizinhança com as poucas áreas pavimentadas para pedestres fragmentadas, e várias, várias interrupções de percursos,  que tornaram as tais ciclovias em meras duplicações das sofridas  calçadinhas do Plano.

Em relação ao bilhete integrado do transporte público, a mesma história: uma medida emergencial para a capital do país,  adotada em várias cidades do mundo, a dezenas de anos, com satisfação garantida dos eleitores. Em Brasília não teve impacto ou teve impacto negativo. Ok, temos de concordar que o programa está em fase de testes, mas ai a gente pensa: integração de transporte não precisa de testes, precisa implantar e pronto, basta fazer bem feito, o problema é que estão “testando” algo que não foi implantado! O oposto do que ocorre com o projeto do estacionamento subterrâneo, onde querem obra demais, investimentos demais; aconteceu com o  bilhete integrado:  não houve praticamente investimento algum, nada de ônibus diferenciados, nada de postos de auto-atendimento para a compra e recarga automáticas de cartões, nada de novos pontos de ônibus! Uma integração de nada, que praticamente só gerou gasto com publicidade e muita confusão para os usuários que tentaram entender ou usufruir da “integração”.

Voltando ao estacionamento já este é a causa da irritação atual, vamos elencar os principais pontos  do projeto causadores de urticárias:

1 – Em tempo de transporte sustentável, Agnelo quer reservar a área mais nobre da cidade aos carros,  fazendo um monumento ao transporte individual ou um  setor garagens monumentais;

2 – Novamente querem fazer uma grande obra pública, de grande impacto na cidade sem um CONCURSO DE ARQUITETURA, que poderia fornecer ao governo e à apresentar a população uma gama de soluções para o mesmo problema, qualificando o debate e a consequentemente nosso espaço urbano;

3 – No discurso de apresentação, Agnelo falou de transporte público: VLT, BRT, integração, etc, Porém, nada disso aparece no vídeo/estudo do projeto. Faixas de pedestres, travessias subterrâneas que aqui seriam lógicas, integração com o VLT … nada disso foi apresentado;

4 – As árvores da esplanada desapareceram no projeto;

5 – Imaginem esses carros chegando e saindo nas horas de pico, vão “resolver o problema de vagas” e criar outro, de fluxos. Usando a metáfora da dieta: querem diminuir excesso de gordura aumentando o tamanho do prato;

6 – A esplanada não tem um “déficit de 7500 vagas de estacionamento”, tem 7500 carros que não deveriam estar ali;

7- O novo modelo de transporte público do DF não tem nada de novo, não cria novos modais de transporte, investindo sempre no sistema rodoviário. Onde está a licitação e o projeto para o VLT na Esplanada? ele não deveria vir antes do estacionamento, visto que visa diminuir as pessoas que acessam a área monumental da cidade com veículo individual?

8- Já que quer construir estacionamentos subterrâneos, o que não é uma má idéia, porque não construir vários pequenos estacionamentos em pontos específicos e críticos  da área central do Plano Piloto ao invés de concentrar todos os recursos e vagas em um ponto só?

9 – Quer construir obra subterrânea  GDF? que tal fazer o metro na região norte da cidade?

E finalmente o ultimo e mais irritante ponto (o que o governo Agnelo sempre repete):

10- Não teve discussão/participação pública para o no desenvolvimento do projeto.

Estacionamentos na Esplanada. Grande parte da área disponivel na região já está ocupada por estacionamentos.

Estacionamentos na Esplanada. Grande parte da área disponivel na região já está ocupada por estacionamentos.

Isso sem entrar em outros aspectos do governo, a saúde ta irritante, educação idem, prioridades de investimentos de dar nos nervos… O governo Agnelo parece o programa da Fernanda Young, moderninho, atenado, idéias boas… mas produzido para irritar.

Onde está o controle? Alguém me ajuda a mudar canal?

Fique por dentro do projeto:

http://www.df.gov.br/noticias/item/5032-governador-apresenta-projeto-de-estacionamento-subterrâneo.html

Petições contra o projeto:

http://www.avaaz.org/po/petition/TRANSPORTE_PUBLICO_DE_QUALIDADE_MAIS_CARROS_NAO_PAREM_O_PROJETO_COMPLEXO_SUB_ESPLANADA/?fdjVCbb&pv=12

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=CSE2013

Crédito das imagens:  Anamaria de Aragão Costa Martins