Sem vergonha de recuar

Ai de quem ousa avançar em qualquer pauta no governo Dilma. Da série “Êpa! Não foi isso que eu pedi!” [quando achei que Serra seria pior], foi divulgada ontem a exoneração de Dirceu Greco, diretor do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde pelo ministro Alexandre Padilha.

Motivo? O cartaz abaixo:

ESSE

A foto fazia parte da campanha “Sem vergonha de usar camisinha!”, lançada pelo Departamento no último domingo, 02/06, data em que é celebrado o Dia Internacional das Prostitutas. A intenção era não só informar as profissionais do sexo sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis e estimulá-las a se proteger (protegendo também as/os outras/os), como promover o respeito. A elas, às mulheres todas, sua sexualidade e suas escolhas.

O material vinha sendo elogiado por médicos, especialistas e as próprias prostitutas – que participaram da elaboração da campanha, como tinha de ser -, até que…adivinhem? A bancada do fundamentalismo religioso foi para cima e o governo recuou. No país onde o fundamentalismo religioso caga na cabeça do Estado Laico, pouco importam as mulheres, as/os indígenas, as/os LGBT e as prostitutas.

É claro que a exploração sexual de crianças, jovens e adultos é um problema gravíssimo no Brasil e deve, sim, ser duramente combatido. Não estou dizendo que todas as mulheres que fazem sexo por dinheiro o fazem por livre e espontânea vontade: algumas são, de fato, exploradas. Outras o fazem porque querem. E outras porque precisam e não dispõem de meios para não o fazer. O feminismo defende todas elas. Dirceu Greco, ao que parece, tentou fazer o mesmo.

Padilha justificou-se afirmando que “o papel do ministério é ter conteúdos específicos para estimular a prevenção (…)”, enquanto combater o preconceito “é papel dos movimentos sociais”. E é com o caô do tecnicismo “neutro” que o ministro posicionou-se muito claramente: está empenhado não só na manutenção de preconceitos, como na da (precária) situação de saúde em que se encontram os grupos que demandam atenção e políticas específicas, adequadas às suas peculiaridades, no país.

No mesmo dia (ontem, 04/06), Feliciano deu ao Pastor Eurico (PSB-PE) a relatoria do Projeto de Lei n° 4.211, de autoria de Jean Wyllws (PSOL-RJ), que regulamenta a prostituição. “A Comissão de Direitos Humanos foi tomada por fundamentalistas com esse propósito: tornar-se maioria para derrubar todas as proposições legislativas que estendam a cidadania a minorias sem direitos.”, lembrou Jean.

“A prostituição é atividade cujo exercício remonta à antiguidade e que, apesar de sofrer exclusão normativa e ser condenada do ponto de vista moral ou dos ‘bons costumes’, ainda perdura. É de um moralismo superficial causador de injustiças a negação de direitos aos profissionais cuja existência nunca deixou de ser fomentada pela própria sociedade que a condena. Trata-se de contradição causadora de marginalização de segmento numeroso da sociedade”.

Talvez o principal problema com a retirada da campanha é justamente a simbologia que a mulher que se prostitui ainda representa. Afinal, um governo que se diz de esquerda consegue ser quem atira a pedra nas prostitutas, não quem as defende. E o que chama a atenção é que esse mesmo governo retira essa campanha, mas tem planos de ajudá-las a se apresentarem melhor para os estrangeiros na copa. “Enquanto objeto, massa, trataremos vocês; enquanto sujeitos, podem esquecer.”

Por fim, esse episódio – lamentável para as prostitutas e vergonhoso para o Ministro da Saúde – evidencia também as bases muito sólidas em que o governo Dilma se assentou. O desenvolvimentismo é cego a qualquer pauta realmente de esquerda, a qualquer mudança estrutural. O PIB precisa de calma e tranquilidade para crescer e nenhuma energia será empreendida para conquistas sociais. A demissão de Dirceu Greco é a pá de cal na esperança (ingenuidade? oportunismo?) que alguns ainda tinham de que é possível disputar o governo do PT, de que há espaço para puxar para a esquerda as políticas de Dilma. Esse acontecimento é uma alegoria da famosa governabilidade construída nos últimos dez anos: nenhuma tentativa de mudança que incomode as forças hegemônicas, que perturbe minimamente quem sempre esteve verdadeiramente no poder não será tolerada.

Sem vergonha de usar camisinha, com vergonha do Padilha.

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Indígenas ocupam esta manhã canteiro de obras de Belo Monte e lançam carta contra hidrelétricas na Amazônia

Belo Monte etc

CIMI – Cerca de 200 indígenas afetados pela construção de hidrelétricas ocuparam nesta quinta-feira, 2, o principal canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte no município de Vitória do Xingu, Pará. Eles reivindicam a regulamentação da consulta prévia e a suspensão imediata de todas as obras e estudos relacionados às barragens nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. A tropa de choque da Polícia Militar já esperava pelos indígenas, porém não conseguiu os barrar.

Os povos presentes são: Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, além de pescadores e ribeirinhos – leia carta do movimento abaixo. Ao menos seis mil trabalhadores, segundo estimativas do movimento, deixarão de atuar no canteiro. A ocupação, de acordo com os indígenas, se manterá por tempo indeterminado – ou até que o governo federal atenda as reivindicações apresentadas.

Ocupações contra a UHE Belo Monte e mobilizações contra empreendimentos hidrelétricos se tornaram comuns na Amazônia. No último dia 21 de março, cerca de 100 indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores expulsos afetados pela obra ocuparam o canteiro Pimental, um dos pontos de construção mantido pelo Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM).

Nos canteiros da UHE Belo Monte, greves de trabalhadores também vêm tirando o sossego da CCBM. No último dia 5 de abril, cinco mil trabalhadores do canteiro de obras Pimental paralisaram as atividades por conta das condições de trabalho e da demissão de 80 funcionários, no final do ano passado. Até um espião que levava informações para a Agência Brasileira de Informações (ABIN) foi descoberto (veja aqui vídeo do espião).

Ao invés do diálogo, a saída apresentada pelo governo federal para trabalhadores, indígenas, ribeirinhos, pescadores e demais comunidades tradicionais afetadas pelos empreendimentos foi o Decreto da presidente Dilma Rousseff nº 7957/2013 (leia aqui sobre o decreto). De caráter “preventivo ou repressivo”, a medida cria a Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública, tendo como uma de suas atribuições “prestar auxílio à realização de levantamentos e laudos técnicos sobre impactos ambientais negativos”.

Ainda no Pará, na divisa com o estado do Mato Grosso, o povo Munduruku e comunidades tradicionais estão mobilizadas contra o Complexo Hidrelétrico do Tapajós, que envolve um conjunto de usinas e barragens (leia aqui histórico). Durante o último mês de abril, cerca de 250 soldados da Força Nacional e da Marinha foram deslocados, por solicitação do Ministério de Minas e Energia, com base nos dispositivos do Decreto 7957, para municípios onde incidem áreas afetadas pelos empreendimentos, além de território de ocupação tradicional reivindicado pelo povo Munduruku.

Para outras informações e entrevistas, os telefones disponíveis são: (93) 8811-9226 ou (61) 2106-1670 ou (61) 9979-6912. Leia na íntegra a carta apresentada pelo movimento que nesta quinta-feira, 02, ocupou um dos canteiros de Belo Monte.

Carta da ocupação de Belo Monte

Nós somos a gente que vive nos rios em que vocês querem construir barragens. Nós somos Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, pescadores e ribeirinhos. Nós somos da Amazônia e queremos ela em pé. Nós somos brasileiros. O rio é nosso supermercado. Nossos antepassados são mais antigos que Jesus Cristo.

Vocês estão apontando armas na nossa cabeça. Vocês sitiam nossos territórios com soldados e caminhões de guerra. Vocês fazem o peixe desaparecer. Vocês roubam os ossos dos antigos que estão enterrados na nossa terra.

Vocês fazem isso porque tem medo de nos ouvir. De ouvir que não queremos barragem. De entender porque não queremos barragem.

Vocês inventam que nós somos violentos e que nós queremos guerra. Quem mata nossos parentes? Quantos brancos morreram e quantos indígenas morreram? Quem nos mata são vocês, rápido ou aos poucos. Nós estamos morrendo e cada barragem mata mais. E quando tentamos falar vocês trazem tanques, helicópteros, soldados, metralhadoras e armas de choque.

O que nós queremos é simples: vocês precisam regulamentar a lei que regula a consulta prévia aos povos indígenas. Enquanto isso vocês precisam parar todas as obras e estudos e as operações policiais nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. E então vocês precisam nos consultar.

Nós queremos dialogar, mas vocês não estão deixando a gente falar. Por isso nós ocupamos o seu canteiro de obras. Vocês precisam parar tudo e simplesmente nos ouvir.

Vitória do Xingu (PA), 02 de abril de 2013

Fonte: Blog Racismo Ambiental

Maio, nosso maio: Dia das(dos) trabalhadoras(es) na Samambaia

O 1º de Maio não é um feriado qualquer. Essa data foi escolhida pela Internacional Socialista, em 1889, como dia de paralisação em homenagem aos movimentos das trabalhadoras/es e para ser, em si mesmo, um dia de luta por novos direitos.

Trata-se, então, de um dia para não apenas proclamar belas palavras sobre a importância das trabalhadoras e trabalhadores, mas de irmos às ruas pela conquista de direitos e contra a exploração e alienação do nosso trabalho. É dia de festa, mas também de luta; que ela seja, pois, integradora, criativa e lúdica, como a do “Maio, nosso maio”, amanhã, na Samambaia. Apareça lá!

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Tomamos partido. Somos PSOL

Tome PartidoHoje é o dia em que entramos oficialmente no PSOL, por meio de um ato-festa que acontece logo mais no Balaio Café (informações sobre o evento aqui). Para celebrar a ocasião e reafirmar nossos princípios de luta lançamos o manifesto que segue. Junto conosco, várias pessoas estão aderindo a essa luta – elas assinam também esse texto.

Quer tomar partido conosco? Assine a carta com seu nome e qualificação (o que faz e de onde é) na área de comentários desse post.

É tempo de tomar o presente em nossas mãos.
É tempo da coragem de lutar e criar.
É tempo de ir de mãos dadas.
É tempo de tomar partido.

Tomamos partido. Somos PSOL!

Não podemos aceitar como natural que o controle sobre nossos corpos, nossos úteros, seja objeto de negociações espúrias em momentos eleitorais e pela “governabilidade”.

Não deve parecer natural que sejamos impedidas/os de nos amarmos e de desenvolver livremente nossa sexualidade. Não é natural que tantas/os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais sejamos simbólica e fisicamente agredidas/os todos os dias no Brasil.

Definitivamente, não é natural a cor da pobreza, dos presídios e das periferias. Não pode ser natural o massacre contra a juventude negra, nas ruas e nos porões policiais herdados da ditadura e ainda em funcionamento. Não é natural que sejamos estigmatizadas/os e desvalorizadas/os em todos os ambientes sociais pelo fato de sermos negras/os.

Não deve parecer natural que milhões de famílias trabalhadoras vivam sem moradia digna e paguemos tão caro pelo aluguel, enquanto milhões de imóveis permanecem desocupados nos centros urbanos, servindo unicamente ao lucro de uns poucos, à especulação imobiliária.

Não é obra da natureza a destruição acelerada da nossa biodiversidade, do Cerrado, da Caatinga, da Amazônia e dos modos de vida das populações originárias e tradicionais por um sistema de produção injusto, predatório e concentrador de renda e de terras.

Não é natural que os governos direcionem a maior parte dos recursos que tomam dos pobres para pagar juros a rentistas ricos, construir estádios de futebol megalomaníacos e financiar grandes empresas.

Não deve parecer natural o sucateamento e a privatização da saúde, a submissão de uma necessidade humana tão básica à lógica excludente e voraz do lucro, deixando de concebê-la e realizá-la como direito inegociável de todas e todos.

Não são naturais a mercantilização do conhecimento e da cultura, a burocratização da universidade, a educação para a domesticação e não para a autonomia e a transformação.

Não é natural que os meios de comunicação de massa silenciem sobre isso tudo, ou pior, criminalizem os movimentos que lutam contra esse estado de coisas.

Diante dessa realidade, não é tempo de niilismo, nem de escapismo. Não é tempo de indiferença.

Não é tempo de lamentar pelo passado, de sonhar eternamente com o que poderia ter sido e que não foi, nem de especular em vão sobre o futuro.

É tempo de tomar o presente em nossas mãos.

É tempo da coragem de lutar e criar.

É tempo de ir de mãos dadas.

É tempo de tomar partido.

Tomamos partido porque não suportamos esperar em cima dos muros erguidos pelo apartheid social do capitalismo e pelo fundamentalismo. Não é possível destruí-los, no entanto, fingindo que não existem ou alinhando-nos a quem os constrói ou é conivente com eles. Precisamos decidir de que lado estamos, para saber com quem vamos derrubá-los.

Tomamos partido pelo socialismo e pela liberdade.

Tomamos partido, somos PSOL!

Assinam esse manifesto

1 – Aurélio Faleiros, graduando em Direito na UnB

2- Ayla Viçosa, graduanda em Ciências Sociais na UnB

3- Blenda Peixoto, graduanda em Serviço Social na UnB

4- Caio Jardim, graduando em Ciência Política na UnB

5- Camila Monteiro Damasceno, graduanda em Medicina na UnB

6- Candida Souza, servidora pública e doutoranda em Psicologia na UnB.

7- Carolina Santos Souto de Andrade, graduanda em Ciência Política na UnB

8- Daniel Jacó, graduando em Direito na UnB

9- Danniel Gobbi, graduado em Relações Internacionais na UnB e Gestor de Políticas Públicas do MPOG.

10- Diego Castro, graduando em Direito no UniCEUB, Gestor do Projeto 10porhora, Articulador de Sustentabilidade e Colaboração Social do Coletivo Palavra

11- Diogo Carayannis Cardeal, graduando em Direito na UnB

12- Edemilson Paraná, jornalista, assessor de imprensa no Ministério Público da União e mestrando em Sociologia pela UnB

13- Érika Lula de Medeiros, advogada no CEDECA-DF e secretária executiva da JusDh.

14- Fábio Felix, mestrando em Política Social na UnB e Assistente Social do GDF

15- Gabriel Santos Elias, mestrando em Ciência Política na UnB

16- Gustavo Belisário, graduando em Ciência Política na UnB

17 – Gustavo Moreira Capela, mestrando em Direito na UnB

18- Hugo Sousa de Fonseca, graduando em Direito na UnB

19- Isabela Bentes Abreu Teixeira, mestranda em Sociologia na UnB

20 – Isabela Botelho Horta, jornalista graduada pela UnB

21 – Ivan Belinky Heusi, graduando em Ciencias Ambientais na UnB

22 – Ivanei Matos de Souza, graduado em Administração

23 – Jady Caffaro, graduando em Publicidade no UniCEUB

24 – Jarbas Ricardo Almeida Cunha, mestrando em Política Social na UnB e Servidor da Fiocruz

25- João Telésforo, mestrando em Direito na UnB

26- João Vitor Rodrigues Loureiro, mestrando em Direitos Humanos e Cidadania na UnB

27 – Julia Zamboni , mestre em Comunicação pela UnB

28 – Laila Maia Galvão, mestre em Direito pela UFSC, doutoranda em Direito pela UnB

29 – Leandro Santos Lobo, graduando em Ciência Política na UnB

30 – Luiz Eduardo Sarmento Araújo, graduando em Arquitetura na UnB

31 – Maiara Zaupa Totti, graduanda em Ciência Política na UnB

32 – Márcio Freitas Filho, advogado, graduado pela UnB

33 – Marcos Vinícius Lustosa Queiroz, graduando em Direito na UnB

34 – Maria Goreth Lustosa Avelino, organizadora de eventos

35 – Mayra Cotta Cardozo de Souza , advogada e Mestre em Direito pela UERJ

36 – Nohara Coelho, graduanda em Direito na UnB

37- Octávio Henrique Bernardo Torres, graduando em Direito na UnB

38 – Rafael de Acypreste Monteiro Rocha, graduando em direito na UnB

39 – Thomaz Monclaro, médico graduado pela ESCS

40 – Felipe Areda, antropólogo, educador social e trabalhador da Política de Assistência Social

41 – Renata Florentino, doutoranda em Ciências Sociais na UNICAMP e pesquisadora do Observatório das Metrópoles

42 - Fabio Borges, doutorando em Letras, presidente da APG – UnB (Associação de Pós-graduandos da Universidade de Brasília)

43 - Juliana de Andrade (Jul Pagul), comerciante, mae solteira e feiticeira