Breve reflexão sobre Rio+20

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A conferência Rio+20 não gera expectativas. Nem da construção de uma metodologia dialógica que inclua atores sociais com compreensões distintas e populações mais atingidas com as injustiças ambientais como populações ribeirinhas, indígenas e camponesas; nem do desenho de uma agenda internacional propositiva que contenha alguma mudança real.

É um jogo de cartas marcadas. Os atores envolvidos nesse espaço são praticamente os mesmos que estiveram na Eco-92 e em Copenhagen. A estrutura programática que orienta as práticas nesse espaço permanece quase inalterada. Pouca ou quase nenhuma sensibilidade ecológica. Nenhuma vontade de aprofundar as discussões sobre as crises ecológicas e apontar alguns problemas e intervenções mais estruturais. E nada, que minimamente tangencie os problemas em sua raíz, foi construído. “Avanços” pontuais no debate do desenvolvimento de fontes não-fósseis de produção energética, legislações ambientais muito flexíveis e contornáveis e dispositivos mercadológicos que garantem ótimos lucros ao ecobusiness.

O espaço é rídigo, inflexível e nada permeável. Os atores e, como desdobramento, as proposições de agenda do Rio+20, estão alinhados com projetos conservadores e de desenvolvimentismo econômico. Nenhum governo, juntamente com os setores privados de interesse, está disposto a abrir mão de seus projetos de acúmulo, investimento e consumo, principalmente em um contexto específico de crises econômicas que desestruturaram as economias, para um projeto ecológico. Dessa maneira, como já dito, constroem instrumentos mercadológicos extremamente indesejáveis. A política de crédito de carbono por exemplo. É, não só ineficiente como maléfica. Não diminuiram as emissões de CO2 e foi responsável por, em determinada medida, gestar novas assimetrias, aprofundando os processos de injustiças ambientais e pressões políticas no conjunto de relações intergovernamentais. Continue lendo

O medo é instrumental

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Por Leandro Lobo

A Universidade de Brasília(UnB) acordou hoje inundada pelo medo. Centros Acadêmicos, nervos da vida social universitária, fechados. Aulas canceladas. Tensão e a “insegurança” do espaço público. O medo é alimentado pelas ameaças de um ataque terrorista aos estudantes de Ciências Sociais, muita reproduzida em todos meios de mídia. E as ameças, por sua vez, alimentadas por homofobia, racismo, misoginia.

O discurso do medo é dinâmico e polivalente. Em situações “excepcionais” como essas, os núcleos de insegurança são os espaços públicos específicos. Cotidianamente, os núcleos de insegurança são múltiplos, incluindo o espaço privado. Onde estamos seguros então? Talvez em algum Shopping Center, enquadrados, na terapia do consumo. Como tornar nosso espaços mais seguros? Multiplicando e fortalecendo os muros da segregação, nos enclausurando com os “nossos”, repressão e supressão da  mobilidade. Nossos territórios existências se esfacelam aos poucos.

Assim, as mídias sociais encarregaram-se da profusão das idéias preconceituosas e dos ódios e dos medos. E estes estão cumprindo sua função nesse momento. Nos aquietando na falsa segurança do ambiente privado (devidamente murado). A realidade virtual, com sua dinâmica e estrutura própria, apropriou-se da realidade material. Os pólos de produção de sensibilidades, subjetividade e de discursos estão transitando nas fronteiras extremamente fluídas das realidades. A ameça é real? Deveria estimular comportamentos tão hesitantes e reclusos?

Meu maior medo na realidade, consiste em que esse discurso do terror constitua o argumento principal de intensificação e cristalização da estrutura policialesca, militarizada e falida de (des)segurança pública. Transformá-lo em endosso ao discurso de que o capital humano de policiamento social potencializado tem capacidade preventiva em casos como esse. Não duvido que ouviremos clamores por revistas generalizadas em toda comunidade, impedimento de trânsito de pessoas que “não fazem parte da comunidade universitária” e até a construção de muros ao redor da UnB selando definitivamente a prepotência universitária. Ao invés porque não instrumentalizamos esse quadro atual de ameça da UnB para discussão mais ampla e intensa sobre os motivos deste? O que é misoginia, o que é o machismo, o que é o racismo e a homofobia e quais suas profundas implicações sociais? Por que não ocupamos os espaços, não somente com nossos corpos (o medo é real e ninguém está isento), mas com produção material de estética contrastante com as bases sociais desses preconceitos?

Ou seja, meu receio é o discurso do medo fortalecer o movimento pró-policiamento nas universidades. Essa ameaça é real. A continuidade da política de segurança pública baseada no medo,repressão, truculência, segregação e marginalização ao invés de uma política baseada na revisão dos projetos urbanisticos, da produção democrática do espaço social, da intensificação das interações nos espaços.

Por fim, tomo a liberdade de reproduzir a fala, em forma textual escrita,  já reproduzida nesse blog aqui, que, apesar de ter um foco específico nas estruturas sociais de segregação e não em casos de ameças de ataques a determinados grupos, mas discorre perfeitamente sobre o discurso do medo.

Murar o Medo
 
Mia Couto
O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demónios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, servindo como agentes da segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.

O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.

O preço dessa construção [narrativa] de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de que há memória. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente. E porque se trata de novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação… Precisamos de intervenção com legitimidade divina… O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder.

Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentar as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.

Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente situação de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.

Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas [incomodas] como, por exemplo, estas: porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilião e meio de dólares com armamento militar? Porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Porque motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?

Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que sejam precisos pretextos de guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fracção muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.

Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida… A verdade é que… pesa uma condenação antecipada pelo simples facto de serem mulheres.

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência nem de ética nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões do Norte. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente… Citarei Eduardo Galeano acerca disso que é o medo global:

“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.”

E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.

Extensionando

Por Leandro Lobo*

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Não tenho grandes pretensões com esse texto, somente produzir algumas reflexões, quase como um brainstorm, sobre determinadas estruturas das universidades brasileiras, principalmente no que se refere a extensão universitária. Minha pretensão possui ainda, limitações teóricas e práticas, como corpo externo aos movimentos extensionistas, e limitações devido a amplitude dimensional do debate.

Pois bem, a extensão, inserida na noção tri-conceitual ensino-pesquisa-extensão que, teoricamente, embasa a dimensão político-pedagógica das universidades brasileiras, é preterida dentro do conjunto de práticas das mesmas, especialmente pelos agentes socialmente tidos como acadêmicos. Diversos podem ser os argumentos que tentam sustentar essa marginalização, chegando a bizarrices como “gasto de tempo em detrimento do ensino e da pesquisa”.

No entanto, a importância da extensão, como articulação permanente entre a sociedade e a universidade a ela subordinada é inegável. E concebida em um contexto de afastamento dos conhecimentos específicos produzidos na segunda, conferindo um status conceitual-concreto distinto e de oposição com a primeira.

Dentro desse quadro e da eminência de uma discussão estatutária na Universidade de Brasília(UnB), creio necessário alguns questionamentos. Devido as implicações práticas na gestão universitária inscritas na lógica do “tripé universitário”, é desejável a manutenção dessa fundamentação estrutural? Ou esse modelo, ressiginificado, ainda tem a capacidade de orientar as práticas e produzir uma estrutura dialógica sólida entre os elementos que compõe o “tripé” ? Tendo a crer que esse modelo, da maneira que está dada, reforça e reproduz a categoria “extensão” como campo residual. Tudo que não é ensino e pesquisa, se enquadra como extensão, o que implica uma competição por determinados recursos, rarefazendo os destinados a prática extensiva e subfinanciando-a. 

Talvez a diversificação das categorias conceituais, que refletem práticas universitárias no embasamento político-pedagógico das universidades, possam produzir mais eficiência para a resolução da noção residual da extensão, diluindo o atual modelo. As universidades estariam prontas, ou melhor, dispostas a discutir isso? Ou, reiterando, esse modelo ainda é necessário para orientar e lembrar da importância da marginalizada extensão? 

Para tanto, o próprio esforço de conceituar extensão, é necessário para a permanente construção e lembrança da importância da prática na articulação dos sistemas sociais? Quem deve produzir esse conjunto de relações extensivas, comunidades universitárias ou não? Enfim, um assunto extenso com milhares de dimensões para debate e de extrema importância.

 

*reflexionando com Gustavo Belisário e Rodrigo Dias

Paratodosetodas

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Por Leandro Lobo

Para a linguagem não existem marcos de fundação. Fragmentos do seu repertório são construídos e desconstruídos; ela absorve elementos de diversos contextos históricos e descarta outros que não mais agradam às elites letradas (conscientes da linguagem como elemento constitutivo de realidades) ou mesmo caem em desuso e tornam-se arcaísmo devido à não incorporação na linguagem falada. No entanto, há um esqueleto das estruturas linguísticas que podem perdurar por muito tempo e que refletem os valores e perspectivas de grupos dominantes que a forjaram, mesmo que difícil dimensioná-los, como já dito.

Assim, as sociedades patriarcais estabeleceram seus códigos de linguagem que tratam de invisibilizar a sujeita feminina no nível linguístico, o que, por si só, potencialmente gera assimetrias nas existências sociais. Trata-se, dessa maneira, o genérico como o masculino, reforçando e reproduzindo a visão do confinamento da mulher a práticas sociais no espaço privado, dentro da perspectiva patriarcal do binômio público-privado.

Remexendo sobre o tema na internet, esbarrei em um trecho da jornalista Olga Castro Vasquez que dispensará muito desenvolvimento deste que vos escreve e que não resistiu na reprodução:

Para além das estruturas materiais e práticas, a opressão das mulheres existe também nas próprias bases do logos e do raciocínio, e estas incluem procedimentos linguísticos sutis e processos lógicos por meio dos quais se produz o significado. Pensamos com palavras e com categorias gramaticais e imaginamos a realidade através da representação cognitiva que fazemos dela por meio da linguagem.

O famoso princípio cartesiano ‘penso, logo existo’ ganharia sem dúvida precisão se se formulasse como propôs Wittgenstein, ‘falo, logo penso, logo existo’. As empresas mediáticas e publicitárias sabem isto tão bem que calculam escrupulosamente as palavras a utilizar nos seus discursos para construir nas nossas mentes uma realidade que resulte vantajosa para os seus propósitos, concordes em geral com os princípios hegemônicos neoliberais. Todavia, isto que tem valor axiomático nas escolas de comunicação e publicidade inexplicavelmente deixa de ser válido quando reinvindicado pelos feminismos. Ou talvez haja uma explicação: dado o potencial da linguagem na construção mental da realidade, a linguagem não sexista supõe toda uma ameaça contra a ordem social estabelecida e por este motivo provoca em certos grupos sociais um receio profundo de que os valores feministas derrubem esses princípios hegemônicos que tanto os beneficiam, origina o medo de que se produza uma mudança social que enfraqueça parte dos privilégios que a linguagem e a sociedade patriarcal lhes outorgam e, por isso, quando não conseguem submeter ao silêncio as reivindicações feministas, utilizam o ridículo como forma de deslegitimação.

A linguagem não sexista não visa apenas tratar de forma simétrica mulheres e homens a nível linguístico, mas também ganhar precisão e exatidão a nível cognitivo, sem excluir nem tornar invisível qualquer dos sexos. Não se trata de mudar a linguagem apenas para o fazer, nem sequer por uma questão estética ou de moda, nem se trata tão pouco de impor mudanças prescritivas. Pelo contrário, do que se trata é de mudar o repertório de significados que as línguas transmitem, de transformar a linguagem para fazer uma representação mais igualitária da realidade que conduza a uma categorização também mais igualitária nos modos de pensamento, e de promover a reflexão sobre as mudanças na língua para que as e os falantes pensemos no que dizemos e em como o dizemos, de modo que desse modo se gerem mudanças nas perspectivas que, por sua vez, terão consequências materiais na ação humana e na realidade”

Podemos, dessa maneira, conferir à linguagem sexista o caráter estrutural de instrumento de dominação não-física, de dominação simbólica. Nas palavras de Pierre Bourdieu, criador da terminologia:

          A dominação masculina está de tal modo ancorada nos nossos inconscientes que já nem nos apercebemos dela; corresponde de tal modo às nossas expectativas que temos dificuldade em pô-la em questão. Mas mais do nunca é indispensável dissolver as evidências e explorar as estruturas simbólicas do inconsciente androcêntrico que sobrevive nos homens e nas mulheres. Quais são os mecanismos e as instituições que cumprem a função de reproduzir ‘o eterno masculino’? É possível neutralizá-las para libertar as forças de mudança que elas conseguem travar?

Alguns cultivam uma visão otimista das maneiras operadas de inserção da linguagem inclusiva. Para o linguista e professor da UnB, Marcos Bagno, há uma “higiene verbal de grande efeito positivo” em que “ a suposta neutralidade do masculino é negada e bem marcada como o que de fato é (opressão machista), levando à criação de termos que sejam de fato neutros e incorporem as pessoas dos dois sexos (em inglês, por exemplo, ‘Mankind’ foi substituído por ‘Humankind’, humanidade, gênero humano).”

Dessa maneira, por mais que a linguagem inclusiva vá de encontro e faça doer as noções estéticas conservadoras (concordo com Olga quando diz que não se trata de uma questão estética, mas esse é um argumento muito corrente), encontrando muita resistência e ridicularização, é necessária a afirmação constante da mesma como um importante instrumento de reflexão crítica das realidades, de construção de significados sociossimbólicos e cognitivos e de potenciais intervenções significativas que podem alterar o status quo.