Quem somos

Imaginar para revolucionar
Carta de fundamentos do grupo político Brasil e Desenvolvimento

“Os processos de emancipação que funcionam são aqueles que tornam as pessoas capazes de inventar práticas que não existiam ainda”. 

Jacques Rancière

Apresentamos os fundamentos que norteiam a atuação política do grupo Brasil e Desenvolvimento. São, em suma, os temas centrais de nossa intervenção, que se pretende transformadora em busca de uma sociedade justa, igualitária, plural, livre e participativa.

Para nós, o debate sobre desenvolvimento supera a preocupação com crescimento econômico, voltando-se para empoderamento social, emancipação e cidadania. Queremos construir uma nova visão de mundo, uma nova alternativa de esquerda para o Brasil. Disputar esse novo senso comum emancipatório é romper com a ideologia dominante, é inundar o espaço público com novas ideias, é imaginar para revolucionar.

Poder popular

“O poder do povo vai criar um mundo novo”

O poder é a conjunção entre capacidade e prática para a recriação do mundo social. O poder não está sacralizado em leis imutáveis e nem deve ser visto apenas como ferramenta ou meio para o alcance de um dado fim. Para nós, a multiplicação social do poder é o próprio fim.

Reconstruir a apropriação e legitimação do poder é parte do intento de imaginação de uma nova sociedade. Por isso, a constante revisão crítica, reconfiguração prática e resistência democrática perante o poder instituido marcam nossa práxis transformadora da realidade. Nesta práxis, construímos uma alternativa de poder popular que requeira participação efetiva e ampla para sua legitimação.

Democracia participativa

Se por um lado entendemos a democracia como único caminho viável para reconstrução desse poder, negamos a aceitação de uma significação dada, pré-concebida e institucionalizada de democracia. Para entender que todos são responsáveis pelas decisões que os afetam é necessário empoderá-los para que sejam também responsáveis pela própria transformação do processo de que decorrem tais decisões.

É preciso superar o paradigma de democracia representativa do século XX conforme ela se apresenta atualmente. Entendemos que uma sociedade complexa requer instituições que permitam o funcionamento das estruturas sociais. É justamente no aspecto funcional que a democracia representativa se ampara para se dizer legítima e para estabilizar expectativas, tanto quanto a novos modelos, como quanto a novas perspectivas de atuação democrática. Por entendermos que seus limites estão, sobretudo, vinculados à sua importância para um modelo econômico que se embasa na competição por bens materiais e simbólicos, defendemos que é necessário pensar uma reestruturação imaginativa capaz de abarcar autênticos anseios emancipatórios.

Os avanços tecnológicos e mudanças sociais que redesenham a dinâmica da organização e participação política em rede, ampliam as possibilidade de pensar novas instituições e arranjos democráticos mais diretos, abertos e participativos. Esse é um chamado de nossa época e um compromisso do B&D.

Novas alternativas econômicas

Não há como pensar uma nova política sem desconstruir a naturalização do capitalismo. Contraditório e injusto, esse modo de organização economico-social alimenta e reforça nossos maiores problemas políticos, tais como a concentração de renda e poder, a corrupção, a violência, as opressões, exploração do trabalho e devastação ambiental. É preciso, portanto, superar o fetiche pelo  modelo que se pretende único e exclusivo de nossa vida econômica, para pensar novas formas de interação, trocas e de organização da produção social.

O primeiro passo está na negação da lógica do “lucro a qualquer custo”, que  corrompe os diversos outros códigos sociais em favor da maximização de capital. A produção deve servir ao ser humano  e não o ser humano à produção. Lutamos por uma economia sustentável, justa, colaborativa e solidária – redefina a relação do ser humano na natureza.

A ousadia em buscar modos alternativos de vida e produção não progride sem a imaginação criadora e a abertura à reflexão das vantagens e desvantagens do modelohegemônico. Imaginar é negar-se a aceitar dogmas e visões únicas para a solução dos problemas. Apresentamos uma proposta de busca constante e infindável por respostas radicalmente democráticas e inclusivas.

Revolução-processo

Para nós, revolução não é  a tomada de umpoder instituído, mas um processo de invenção de outra sociedade, de reconfiguração de sensibilidades, valores, interesses e práticas. Essa compreensão de revolução-processo, baseada na construção contra-hegemônica de um novo campo político-cultural, nos leva à convicção de que uma revolução não se faz em um ato. É com essa transformação radical no modo de ser, viver, pensar e produzir que estamos comprometidos. Ao longo desse caminho, as tensões entre conservação e mudança serão inevitáveis, portanto uma resistência ampla requer compreensão estratégica dessa disputa.

Nova Esquerda: socialismo criativo como ponto de partida

Reivindicamos os valores do socialismo democrático, em sua construção filosófica e ideológica, como horizonte estratégico na luta política por uma nova sociedade. Esse conjunto de ideias e valores representou historicamente, e segue representando, um intento imaginativo e inovador de proposição de alternativas em oposição ao modelo vigente. É com esse intento libertário, baseado nos valores de igualdade, afetividade  solidariedade, que estamos comprometidos. Assumimos o socialismo como conjunto de valores para além de práticas pontuais ou um programa de estático de medidas economico-sociais. Nele está nosso ponto de partida conceitual para a construção de uma nova sociedade – por meio de uma compreensão não dogmática, da imaginação constante de novos de princípios e horizontes, da luta que se quer inclusiva e abrangente de todos – sem a visão sectária de que somente nós somos capazes de entender e conceber a luta pela concretização desses valores.

23 thoughts on “Quem somos

  1. Muito bom… Identifiquei bem as instituições que precisam ser mudadas à medida que lia: o judiciário, a legislação trabalhista, os processos de licenciamento, os procedimentos para abrir e fechar uma empresa, o sistema previdenciário, o político, o modelo agropecuário, que deve ser mais cooperativista, enfim, gerar um clima favorável ao trabalho, aos negócios, e o resto acontecerá endogenamente….. Tudo ce bom…

  2. Pingback: Curso de Formação Política B&D – Por uma revolução planejada « Blog do Paraná

  3. Pingback: Curso de Formação Política Brasil & Desenvolvimento – Por uma revolução planejada « Liberdade Política

  4. Muito boa explanação. Vejo jovens interessados em um projeto de desenvolvimento nacional. Quais são os meios que o grupo dispõe para mobilização? São realizadas audiências?

  5. Parabéns pela iniciativa. Sabe, as vezes quem não toma atitude fica enchendo o saco de quem toma. Foda-se o molde que vcs adotam pra se organizar e expressar ou de que fonte vocês bebem intelectualmente!!
    Sou de Botucatu-SP, a msg de vcs chegou aqui e tá fazendo a galera refletir com bom humor!

  6. Vou contar quem são vocês. Um engôdo de pessoas estúpidas, que lêem coisas imbecis, facilmente cooptadas por idéias simplistas, que nunca estiveram em uma situação real dentro da política para saber realmente o que acontece. Isso fica evidente nos vídeos que fizeram, quando usaram frases altamente contraditórias, como acusar o Serra de ser privatista, enquanto seu Governo sucateia o ensino público (é só olhar a própria UNB, que é a menina dos olhos por estar em Brasília). Dizer que o grupo que estava com a Ditadura está com ele é outro absurdo. Não se iludam, se hoje existe ascensão social nesse país não é por causa da Dilma ou do grupo dela, é um processo desencadeado muito antes. Mas não tenham dúvidas, a involução política é cada vez maior. Não considero o Serra ou o PSDB os melhores candidato e partido respectivamente, mas ainda assim acredito que devam ter a oportunidade de governar o país, coisa que o PT teve e fez muito pouco perto do que poderia (atentem para o nexo relacional). Que tal vocês deixarem de usar toda essa criatividade para defender interesses de um grupo político, para fazerem algo que realmente ajude a nação? A não ser que as carteirinhas de vocês estejam carimbadas pela UNE/PCdoB ou pelo PT. Aí assumam suas verdadeiras motivações e saiam dessa cortina de boas intenções.
    Se acreditam em princípios democráticos, mantenham esse comentário publicado.
    Abraços
    João Paulo

    • Interessante seu comentário infelizmente parei de ler nos “entupidos” e “imbecis” do seu texto, não se defende uma idéia diminuindo a outra com insultos, é baixo de mal gosto e inútil. Em resumo não serve pra nada…pena desperdiçou um espaço onde poderia colocar algo que valesse a pena ler…

  7. Caro João Paulo

    Você diz que é a favor do Serra.
    O pessoal que fez o video (e eu) somos contra o Serra.

    É simples assim, nada mais democrático.

    Ser suprapartidário não significa deixar de tomar posições na vida.

    Sim, é pelo interesse de um grupo político: a Multidão.

  8. Uhul!!
    Prezados militantes gostei e aprovo o site, é como diria Martin Luther King “o que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons.

  9. Boa tarde, Pessoal,

    Sou de Paraíso do Norte – PR, estudante de Agronomia da ESALQ/USP e gostaria de Parabenizá-los pelo site e pelos vídeos.Muito bons.
    Eu fiz um vídeo apontando mais um motivo para votar no serra.Tem algum e-mail pelo qual eu possa enviar para alguém colocar no You Tube, porque eu não tenho conta.

    Um abraço!

  10. Transformar o país pode começar em simples atitudes, e uma delas é a de cooperar com a boa leitura. Atitude revolucionária, uma vez que grande parte do nosso Brasil não tem a tradição de zelar pela legibilidade e pelos bons costumes de design.
    Ler um texto extenso, em caixa alta, tamanho pequeno e entrelinhas tão espaçadas é extremamente penoso, como se o conteúdo já não fosse vago e sofrível o suficiente. E tudo em troca de um estilo pretensioso, pra tentar não parecer mais uma página de texto comum.
    Criar uma massa de seguidores que gasta um grande tempo e energia e criatividade defendendo uma piada ao invés de realmente se preocupar em educar e instruir sobre as ações de ambos os governos em questão é um caminho tão fácil quanto perigoso. É movimentar um bando de gente que não sabe o que ataca e só se preocupa em passar a chacota adiante – uma multidão desgovernada sem formação de fato intelectual, que fica na superficialidade e no simplismo, como disse João Paulo acima.
    Infelizmente, ao contrário de educação e saúde, sarcasmo não é para todos.

  11. Não sei se alguém aqui conhece mas gostei bastante do livro:

    “O Brasil não é para amadores” Belmiro Valverde Jobim Castor

    Um livro curto que conta a história das instituições no Brasil e as várias tentativas de reformá-las. Daí termos essa variedade de instituições públicas por aí (autarquias, fundações, agências, etc …).

    Me ajudou a entender melhor porque o Brasil é do jeito que é.

  12. Olá, recebi o link para um vídeo de vocês, o primeiro, achei divertido – e faz a campanha que eu apóio, anti-Serra e não pró-Dilma, ainda que implique no voto útil nesta.
    Vi que amanhã (26/10) tem nova sessão de filmagens, começo então com a sugestão de crônica que escrevi ontem, “Saudades do Tiririca”, que pode dar algumas idéias de porque votar em Serra, como “porque eu quero outra eleição como a de 1989″: http://comportamentogeral.blogspot.com/2010/10/saudades-do-tiririca.html
    A outra coisa que queria comentar com vocês. Sou idealizador, um dos puxadores, integrante do Comitê de Organização Inexistente e Editor de uma revista eletrônica de “artes antiartes heterodoxias”, a Casuística (www.casuistica.tk). Li a carta de apresentação de vocês. Ainda que tenha pontos que discorde, achei bem interssante, e penso que vocês teriam muito com o que contribuir – principalmente, mas não só – na vertente heterodoxa – coletiva e individualmente.
    Faço, então, o convite para vocês participarem da revista, se possível já da próxima edição (ela é semestral), cujo fechamento é mais ou menos agora no início de novembro.
    Ah, detalhe, a Casuística não é nenhum coletivo, é aglomeração. Não tem corrente definida, proposta de partido, coisas do gênero. Mais informações, mais detalhes, estamos disponíveis: casuistica@riseup.net
    Espero poder contar com vocês na Casuística.
    Saudações! E Serra lá… lá na pqp!
    Dalmoro

  13. Voces apoiam a Dilma? Realmente nao conhecem nada de politica. Sei muito bem que a ideologia do PT apela para estudantes universitarios como nos. E nao acho que o governo Lula foi pessimo. Porem como alguem que ja teve contato direto com Dilma e a ma qualidade de gestao publica do PT e estatais em geral, sinto lhe informar que o Brasil vai bem, mas poderia estar muito melhor.
    Em minha modesta opiniao o crescimeto do pais nao se deve aos esforcos do presidente, mas sim ao crescimeto Chines e o proprio aquecimento do mercado nacional, nao gracas a programas politicos como o PAC que buscam atencao com pomposas propostas que nao sao compridas.
    Infelizmente o nosso pais nao tem um candidato a nossa altura, porque nem Serra e nem Dilma sao qualificados para o cargo mais importante do pais.
    Espero que possamos crescer com mais eficiencia e com menos politicos que pregam o populismo e enchem o bolso de dinheiro publico.
    Obrigado.

  14. Sugiro que façam um novo layout do texto “Quem Somos” , pois, o tipo de fonte com o tamanho muito pequeno, com todas as letras estarem em “caixa alta” e com espaçamento entre as linhas muito grande, atrapalham a leitura e cansa o leitor, independentemente do conteúdo do texto. Acredito que o grupo possa agregar um novo membro na área de letras, que poderá fazer as correções ortográficas e organizar as frases para ficarem mais claras. Considero importante que, também, agreguem alguém da filosofia para reforçar os objetivos do grupo, explicitando-os como elementos ideológicos de uma nova forma de “pensar-agir” em nossa sociedade.
    Abraço :-)

  15. Muito bom, mas, falta também a referência ao pensamento revolucionário da metodologia de ensino do Paulo Freire, que foi membro recente (no fim da ditadura) do conselho diretor da UnB e que foi nomeado recentemente patrono da educação no Brasil. “Pedagogia do oprimido”, para conscientizar e formar o cidadão, não só letrar…
    Valeu, em frente.

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